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terça, 25 de junho de 2019

AGRONEGÓCIO

Manejo do palhiço ao Sul de MS prejudica canavial

Estudo demonstra que prática contribui para o aumento de plantas daninhas e prejudica a produtividade

Por: REDAÇÃO24/05/2019 às 09:17
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Foto: Reprodução

Pesquisa realizada pela Embrapa Agropecuária Oeste, na região sul do Mato Grosso do Sul comprovou que nessa região quanto menos manejo for feito com o palhiço, menor será a infestação de plantas daninhas e maior a produtividade do canavial. Por isso, os especialistas recomendam que o palhiço seja mantido distribuído em área total, sem necessidade de manejo. 

Palhiço é o nome dado a cobertura de resíduo vegetal presente nos canaviais após a colheita. “A colheita mecanizada da cana-de-açúcar está cada vez mais presente nos sistemas de produção nacional. No sistema de colheita mecanizada, sem queima, as folhas, ponteiros e perfilhos mortos são cortados, triturados e lançados sobre a superfície do solo, forma-se essa, denominada palhiço”, explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, José Rubens Almeida Leme Filho. 

A palhada remanescente, ou seja, o palhiço serve como cobertura do solo, maximizando os benefícios proporcionados pelo aumento do teor de matéria orgânica. Além disso, ele contribui com a redução de perdas d´água por evapotranspiração, supressão de plantas daninhas, reciclagem de nutrientes e melhorias da qualidade microbiológica do solo. “Agronomicamente é desejável que haja a manutenção de pelo menos uma parte dos resíduos da colheita no solo”, explica José Rubens.  “A ideia de que o aleiramento contribui para acelerar o processo de brotação da cana-soca não é adequada, pois essa prática não repercute em maior produtividade das lavouras, apesar da aparência mais vigorosa dos experimentos, a pesquisa comprovou que houve, inclusive, um relativo prejuízo na produtividade”, saliente Rubens. 

TRADIÇÃO 

Uma prática cultural muito comum nos canaviais do Sul do Mato Grosso do Sul é o aleiramento do palhiço, que consiste na remoção de uma parte do palhiço das linhas de cana, mantendo-se a cobertura de palhada apenas nas entrelinhas do canavial. Essa prática tem como objetivo aumentar a luminosidade na soqueira e evitar a proliferação de cigarrinhas.

Outra prática de manejo comumente utilizada na região é o enleiramento, ou seja, uma operação que reúne o palhiço de duas ou mais entrelinhas formando um leira, que será, então alternada com um ou mais entrelinhas descobertas. Essa estratégia de manejo é utilizada quando uma parte do palhiço ou sua totalidade demanda enfardamento e recolhimento.

Leme Filho explica que existe uma crença empírica de que quando se retira a palhada dos brotos iniciais de cana, durante o processo de brotação/perfilhamento da cana soca, ou seja, quando se realiza o aleiramento, haverá maior produtividade do canavial e acrescenta que “a prática do aleiramento é amplamente usada durante o processo de perfilhamento da cana soca, porém a pesquisa revelou que essa prática não contribui com aumento de produtividade e ainda prejudica, pois contribui com aumento da presença de plantas daninhas nos canaviais”.

METODOLOGIA 

Esses resultados são frutos de duas pesquisas realizada na Embrapa Agropecuária Oeste, em períodos distintos, em que um projeto visou a complementação dos resultados do outro.  As pesquisas foi realizada em experimento conduzido em Dourados (MS), em solo com 76% argila, onde foram avaliados o perfilhamento inicial, a população final de colmos e de açúcares em toneladas por hectare, de 14 variedades de cana, com e sem aleiramento do palhiço para aceleração do perfilhamento inicial, em duas épocas de colheita (maio e agosto) e em duas safras (ciclo da primeira soca de 2012 a 2013, e da segunda soca de2013 a 2014). Leme Filho explica que a pesquisa conduzida pela Embrapa Agropecuária Oeste foi realizada em lavoura experimental localizada em Dourados, Mato Grosso do Sul, sem aplicação de herbicidas. Segundo ele, os resultados demonstraram que tanto o enleiramento
quanto o aleiramento alteram o ambiente de desenvolvimento das plantas daninhas.

DANINHAS

O pesquisador da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS), Germani Concenco explica que o controle de plantas daninhas é um dos desafios enfrentado pelo setor sucroalcooleiro e acrescenta “que quando não realizado adequadamente pode gerar perdas de produtividade comprometendo até 80% da produção”. Dados da Embrapa, revelam ainda que as operações para controle de plantas daninhas comprometem cerca de 8,4% dos custos de
produção para a cana-planta e 6,1% para a cana-soca.

Na pesquisa conduzida por Concenco, a ocorrência de plantas daninhas foi quantificada por meio da densidade, ou seja, o número de plantas e do acúmulo de massa seca das plantas daninhas. Também foram considerados o valor de importância da espécie daninha em relação às demais presentes na área, esse cálculo é obtido como média ponderada das habilidades da espécie em se perpetuar, se distribuir na área e dominar as demais espécies. Desta forma, o valor de importância, descreve o grau de impacto de determinada espécie daninha sobre a cultura quando comparado com as demais plantas daninhas presentes na área. 

Em função da ausência do controle químico no experimento, que é importante ferramenta para o manejo das invasoras em áreas de cana, a ocorrência de plantas daninhas aumentou muito de um ano para outro, o que era esperado. Porém, no segundo ano de cultivo, houve maior infestação de plantas daninhas nas áreas aleiradas (onde a palhada da cana foi retirada das linhas da cultura e acumulada nas entrelinhas) quando compradas com áreas não aleiradas.

“O leiteiro foi a espécie de planta daninha mais importante e presente nas duas lavouras Porém, a composição de espécies de plantas daninhas mudou na área aleirada e na área não aleirada (em que não foi feito nenhum tipo de manejo com o palhiço). Comprovamos que o aleiramento propiciou o surgimento das seguintes plantas daninhas: trapoeraba, capim marmelada, capim-amargoso, braquiarinha, capim colchão e corda-de-viola. Todas essas plantas daninhas estavam ausentes nas lavouras não manejadas, em que o palhiço não foi manejado. Assim, a pesquisa concluiu que o aleiramento não reduz a ocorrência absoluta de leiteiro e ainda ocasiona o
aumento da infestação pelo aparecimento de outras plantas daninhas”, acrescenta ele.

O consultor especialista em adubação biológica, Herbert Del Petri, explica que o manejo da palha é muito importante para o desenvolvimento do canavial, especialmente quando se busca aumento de produtividade. “A vida biológica do solo, com presença de flora microbiana equilibrada é fundamental para que a mineralização da palha ocorra de forma adequada”, acrescenta Herbert.

 

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