REVIVA PMCG COMPET

MS Notícias - Sua Refência em Jornalismo no MS

quinta, 05 de dezembro de 2019

IBGE

Tensão política pode ter impulsionado casamentos gays no Brasil, dizem pesquisadoras

Pesquisa divulgada nessa manhã (4), revela que aumentou em 61,7% a união civil entre pessoas do mesmo sexo após as eleições

Por: TERO QUEIROZ*04/12/2019 às 10:26
ComentarCompartilhar
Os números divulgados pelo IBGE apontam que o número de casamentos homoafetivos aumentou após o resultado das eleiçõesOs números divulgados pelo IBGE apontam que o número de casamentos homoafetivos aumentou após o resultado das eleiçõesFoto: Divulgação

O casamento gay aumentou no Brasil, união legítima entre pessoas do mesmo sexo subiu 61,7% desde 2018, segundo pesquisa divulgada nesta manhã (4), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todas as regiões brasileiras registraram uniões civis, o Centro-Oeste registrou as menores reações a decisão, em segundo lugar o Nordeste. 

Autorizado em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça, o casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil naquele ano registrou 3,7 mil uniões civis.   Nos quatro que sucederam a decisão, a média foi de 5,4 mil casamentos por ano. Em 2018 foram 9,5 mil.

Segundo a pesquisa, trata-se de estimativa levando em conta o crescimento, não são apontados no estudo que levou ao aumento. Estudiosos de temas ligados à população lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e intersexo (LGBTI+) ouvidos pelo G1 veem relação entre o fenômeno e o momento político do país.

Os números divulgados pelo IBGE apontam que o número de casamentos homoafetivos aumentou após o resultado das eleições. Entre janeiro e outubro, a média foi de 546 casamentos de pessoas do mesmo sexo por mês. Em novembro, subiu para 957 e saltou para 3.098 em dezembro – cinco vezes mais que a média.

“Muitos casais formalizaram suas uniões com medo de que em breve isso não fosse mais possível”, apontou a advogada Andressa Regina Bissolotti dos Santos, que é doutoranda em direitos humanos e democracia pela Universidade Federal do Paraná e integrante da Rede Lésbica Brasil.

Bissolotti explicou que o casamento homoafetivo é garantido por uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que proíbe os cartórios de se negarem a celebrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo.

“Uma Resolução, ou mesmo uma decisão judicial, não são leis. Mesmo a decisão, embora seja vinculante em todo o território nacional, não gera o que nós chamamos no direito de ‘coisa julgada’, ou seja, o tema poderia voltar a ser apreciado”, destacou.

Suane Felippe Soares, professora de bioética da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisadora do lesbocídio [assassinato de lésbicas por motivo de ódio], lembrou que o clima da campanha eleitoral foi marcado por diversos ataques aos LGBTI+, o que pode ter provocado um “pânico social” entre essa população.

“O que é fato, que a gente pode afirmar, é que a maioria das pessoas LGBTI+ estão demonstrando a busca por alternativas para manutenção de direitos básicos em função da ascensão dessa política de caráter discriminatório”, disse.

Em novembro do ano passado, o G1 já havia mostrado aumento no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Após a eleição, houve uma mobilização nas redes sociais para ajudar casais LGBTI+ a realizar a cerimônia.

 Centro-Oeste (42,5%) e o maior no Nordeste (85,2%). Foto: Cido Gonçalves/Arte G1

A CADA TRÊS CASAMENTOS, UM DIVÓRCIO

O levantamento do IBGE mostrou, também, que aumentou em 3,2% o número de divórcios realizados no país em 2018 na comparação com o ano anterior. Foram realizados 385.246 divórcios, cerca de 12 mil a menos que em 2017. Em média, equivale dizer que foi registrado um divórcio a cada três casamentos.

A pesquisa revelou também que o tempo médio entre o registro do casamento e a formalização do divórcio foi de 14 anos. Em 2008, essa distância era de 17 anos, o que indica que os casamentos estão durando menos. Segundo o IBGE, cerca de 8% dos casamentos desfeitos no ano passado não tinham nem 2 anos.

A pesquisa não detalha os divórcios pelo sexo dos cônjuges, ou seja, não permite saber se há diferença quando se trata de casais do mesmo sexo ou não.

A gerente da pesquisa, Klívia Oliveira, chamou a atenção para o fato de que, do total de divórcios, 27% foram entre casais sem filhos, enquanto 54,4% foram entre casais com filhos menores de idade. “Isso mostra que filho realmente não segura casamento”, disse a pesquisadora em referência a um jargão popular.

Em relação aos filhos, o levantamento evidenciou que houve aumento significativo do percentual de divórcios judiciais entre casais com filhos menores em cuja sentença consta a guarda compartilhada. Desde 2014 essa modalidade passou a ser priorizada mesmo quando não havia consenso entre os pais.

Em 2014, a proporção de guarda compartilhada entre os cônjuges com filhos menores era de 7,5% dos divórcios judiciais concedidos. Em 2016, esse percentual subiu para 16,9%, chegou a 20,9% em 2018.

FONTE:*Com informações do G1.  

Deixe seu Comentário

TV MS

05 de dezembro de 2019
Sete bairros da Capital são beneficiados com entrega de UBS no Alves Pereira 

Últimas Notícias

Ver Mais Notícias
MS Notícias - Sua Refência em Jornalismo no MSRua Rodolfo Andrade Pinho, 634
CEP 79090.050 - Vila Taveirópolis
Campo Grande/MS
 (67) 99150.1270
Editorias
Institucional
Mídias Sociais
© MS Notícias. Todos os Direitos Reservados.
Desenvolvimento Plataforma