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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Cesare Battisti

Battisti chega à Itália após quase 40 anos foragido

Italiano chegou a conseguir refúgio no Brasil e depois teve a extradição autorizada, mas fugiu para a Bolívia. Preso no último sábado (12), Battisti irá cumprir pena por 4 assassinatos no seu país.

Por: g114/01/2019 às 08:28
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Foto: Foto: Alberto Pizzoli / AFP

O avião com o italiano Cesare Battisti chegou ao aeroporto de Ciampino, em Roma, nesta segunda-feira (14) às 8h40 pelo horário de Brasília. Ele desceu do avião escoltado por policiais e sem algemas. Battisti foi entregue pela polícia boliviana às autoridades da Itália na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde foi preso no sábado (12).                                   

Battisti será levado para um presídio na periferia de Roma. No trajeto, patrulhas fecharão os acessos para que o comboio chegue rapidamente ao local, segundo o jornal “Corriere della Sera”. O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, foi ao aeroporto para receber Battisti, a quem ele chama de “assassino comunista”.

 
Cesare Battisti chegou a Roma, na Itália, na manhã desta segunda-feira (14)  — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

Cesare Battisti chegou a Roma, na Itália, na manhã desta segunda-feira (14) — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

 

O italiano, que integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, foi condenado à prisão perpétua em 1993 por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970 contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido). Ele afirma que nunca matou ninguém e se diz vítima de perseguição política.


Foram 37 anos de fuga permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça da Itália. Battisti escapou do seu país na década de 1980, viveu na França, no Brasil e, mais recentemente, havia se escondido na Bolívia.

 
Ministros do Interior, Matteo Salvini, e da Justiça, Alfonso Bonafede, acompanham o desembarque de Cesare Battisti  — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

Ministros do Interior, Matteo Salvini, e da Justiça, Alfonso Bonafede, acompanham o desembarque de Cesare Battisti — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

 

O italiano chegou a conseguir refúgio no Brasil em 2009. Mas o status, concedido a ele pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi revisto em dezembro do ano passado, por Michel Temer, que autorizou sua extradição. A Polícia Federal fez mais de 30 operações para localizá-lo, mas não teve sucesso.

Como a entrada de Battisti na Bolívia foi ilegal, a expulsão dele foi requerida pela Itália e acatada pelo governo boliviano. O plano inicialincluía a volta de Battisti ao Brasil em um avião da Polícia Federal, para depois ser extraditado para a Itália.

Possíveis benefícios                                    

Battisti ficará seis meses em regime de isolamento diurno em uma ala destinada a terroristas, de acordo com o jornal "La Repubblica".

Como os crimes foram cometidos antes de 1991, quando houve uma mudança na legislação italiana, ele terá alguns benefícios, como sair da cadeia por curtos períodos se apresentar bom comportamento depois de ter cumprido 10 anos de pena, de acordo com a correspondente da TV Globo, Ilze Scamparini. Após ter cumprido 26 anos no cárcere, ele poderá obter liberdade condicional.

 
Políci italiana entra em avião com Cesare Battisti em aeroporto em Roma — Foto: Reprodução/Facebook/ Matteo Salvini

Polícia italiana entra em avião com Cesare Battisti em aeroporto em Roma — Foto: Reprodução/Facebook/ Matteo Salvini

 

 
Cesare Battisti desce de avião ao chegar a Roma, na Itália nesta segunda-feira (14) — Foto: Reprodução/ Facebook Matteo Salvini

Um mês depois do pedido da PGR, o ministro Luiz Fux mandou prender o italiano e abriu caminho para a extradição, no início de dezembro.

Na decisão, o ministro autorizou a prisão, mas disse que caberia ao presidente extraditar ou não o italiano porque as decisões políticas não competem ao Judiciário. No dia seguinte, o então presidente Michel Temer autorizou a extradição de Battisti.

Desde então, a PF deflagrou uma série de operações para prender o italiano. No final de dezembro, a PF já havia feito mais de 30 ações.

Battisti nega envolvimento com os homicídios e se diz vítima de perseguição política. Em entrevista em 2014 ao programa Diálogos, de Mario Sergio Conti, na GloboNews, ele afirmou que nunca matou ninguém.

 
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