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quarta, 24 de julho de 2019

Deputado federal Vander Loubet

Governo Bolsonaro não precisa de oposição, diz Vander Loubet

Deputado diz que sem dialogar e batendo cabeça, Bolsonaro potencializa suas limitações

Por: REDAÇÃO17/05/2019 às 17:28
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O deputado federal Vander Loubet (PT/MS) entende que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) precisa tomar medidas imediatas e de impacto para começar a governar e ter um rumo seguro. “Em cinco meses, basicamente foi um governo que não demonstrou sua capacidade para o diálogo, vive batendo cabeça, não conseguiu se articular com a sua base congressual e, o que é pior, não sabe como vai convencer o Congresso e o País que sua proposta neoliberal vai dar certo”, enfatizou, em entrevista ao programa “Tribuna Livre”, da Rádio capital FM 95.9, nesta sexta-feira.

Segundo o petista, Bolsonaro se elegeu com jargões de direita e prometendo fazer uma economia liberal de mercado e de privatizações. “O Brasil é um dos poucos países que têm muitos ativos pra isso, desde o governo Collor. Então o presidente, que não precisa entender de economia, nomeou o Paulo Guedes sinalizando essa direção. E fez o mesmo na Eletrobras, no BNDES, na Petrobras, nos bancos oficiais, colocando gente afinada com o mercado. É um modelo já que foi experimentado na Europa e não deu certo em vários países, tanto que estão recuando”, comentou. “No caso do Brasil, o presidente só ficou nos jargões, mas não detalhou, não explicitou suas propostas. Também pudera, ele se escondeu, não tinha programa e não foi a nenhum debate”, emendou.

Com esses equívocos – continuou o deputado – o Planalto encaminhou ao Congresso as suas propostas de reforma começando pela previdência mas sinalizando sempre para o mercado.  “A proposta chega no Congresso como se fosse a salvação da lavoura, mas não é. O que eu penso é que o Governo imaginou aprovar a reforma para lançar um programa de investimentos com privatizações, capital de fora, fundos internacionais, retomaria o crescimento e geraria empregos. E então passaria ao povo que nós fomos os incompetentes e eles ficariam no governo mais oito ou 12 anos”, deduziu.

No entanto, realizar esse processo é impossível para um governo que, na prática, não consegue se articular. “É um desgoverno. As pesquisas mostras. O Bolsonaro caiu pra 31% [índice de aprovação era 41%]. É muito ainda para quem nada acertou com sua gestão, com a base dele”, frisou. Vander lembra que o mandatário foi a Israel e fez “uma fala desarrumada, desagradou a Israel e ao mundo árabe, do qual nós somos os maiores exportadores de frango”.  Para o deputado, é difícil crer que Bolsonaro não consiga articular sua base. “Ele tem mais de 20 anos de deputado, deveria conhecer como funciona aquela casa. ~

Em conseqüência, diz Vander Loubet, os impactos destes cinco meses não têm sido positivos para o governo. “Os produtores rurais estão descontentes. Vejam os preços das commodities. O que ainda segura um pouco é a expectativa na recuperação da economia. O Rodrigo Maia[presidente da Câmara dos Deputados] é um liberal convicto e defende a reforma”. O deputado citou ainda outros episódios que, a seu ver, desgastam e criam barreiras ao presidente: “No caso das universidades, ele reuniu os líderes base para afirmar que cortaria orçamentos, que não haveria contingenciamento. Um deputado da base saiu da reunião e foi dizer isso na Câmara. Mas a Joice [Hasselman, líder governista] foi lá e desmentiu. Um disse e outro desdisse”, relatou. Com isso, Vander observou que o Planalto não precisa de oposição: “Eles se digladiam entre si. O governo não anda. Os sinais da economia são de estagnação. Já se fala que vamos mergulhar em profunda recessão”.  

EMENDAS – Sobre as emendas impositivas, a previsão de Vander Loubet é de mais complicações. Ele conta que comentou sobre o assunto com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB). “Disse que o orçamento impositivo é a melhor coisa pra oposição. Íamos fazer uma transição. Fizemos emendas individuais. Porém, vamos viver a partir do ano que vem um regime presidencialista, de direito, e de fato um parlamentarismo”. E deu um exemplo: Aos estados foram este ano R$ 160 milhões de emendas impositivas de bancada. Sabe pra quanto vai ano que vem – o Reinaldo até se assustou: no mínimo de R$ 600 a R$ 800 milhões. Os governadores vão bater às portas de quem? São emendas impositivas, o governo é obrigado a pagar, pode ate segurar, mas tem que pagar.

Ao concluir, o parlamentar garantiu ser contra qualquer tentativa de impeachment do presidente e garante que, apesar das diferenças políticas e ideológicas, acredita que o diálogo pode construir saídas que interessam ao País. Contudo, não vê como abrir essa opção com um governo sem rumo e sem diálogo. Qual a capacidade que o governo tem hoje de arregimentar os 308 votos que ele precisa, num congresso que é a media do povo brasileiro. Se o governo não tiver força política e  suporte político para liberar investimentos e recursos para sua base, pode ter certeza que [os deputados] não vão votar na proposta as reformas o que ele pretende fazer”.

Vander recorda que recentemente o centrão já derrotou Bolsonaro e está demonstrando sua força. “A Dilma ficou refém do centrão. Todos os governos. Aquilo ali é média, é preciso aprovar. Ali se vota de acordo com os recursos que são liberados em suas emendas ou dos programas, para que os deputados tenham uma reposta lá na ponta pra dar às suas bases. Eles não se preocupam com o voto de opinião. Querem manter sua base, seus prefeitos, por meio dos recursos. O Bolsonaro foi deputado mais de duas décadas e já deveria ter entendido isso. Tanto que agora parece que ele vai liberar R$ 40 milhões pra votarem a reforma. Ele está no desespero, com o centrão enquadrando”. 

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