05 de dezembro de 2021
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Formador de talentos, instituto precisa de ajuda para continuar ações sociais

Formador de talentos, instituto precisa de ajuda para continuar ações sociais

Com um trabalho de vários anos na esfera social, a Fraternidade Despertar, atua a mais de 15 anos em comunidades carentes de Campo Grande, em atividades de evangelização, doações de utensílios e projetos sociais diversos, na promoção de inclusão social e cidadania.

Dentre as atividades realizadas pela organização beneficente coordenada pelo Grupo Espírita Francisco Cândido Xavier (GEFCX), está o projeto de educação musical gratuita a crianças e jovens desfavorecidos, o Instituto Musical Chico Xavier, que há 13 anos realiza esse trabalho.

Entretanto, o que deveria ser motivo de alento e alegria, dá espaço ao descaso e lamento, já que o instituto está com suas atividades paralisadas por total falta de recursos, deixando inúmeras crianças e jovens sem essa essencial atividade de educação e resgate social. 

Responsável pela Fraternidade Despertar, o administrador Nilton Braz Giraldelli, explica a origem do Instituto Chico Xavier, as atividades e os desafios enfrentados, agravados ainda mais, com a pandemia do Covid-19.  

Isabella Bogarim, Nilton Giraldelli, Isadora Bogarim e Lucas Alecrim. Foto: Tati Baumgarten.

— A Fraternidade Despertar iniciou as atividades na periferia de Campo Grande há 22 anos e legalmente instituída há 19 anos. Ela possui alguns departamentos, dentre eles, o Instituto Musical Chico Xavier. Somando a pandemia, que as aulas ficaram exclusivamente online, em abril de 2022, o instituto completará 13 anos de existência. Aqui, temos aulas de teoria musical, flautas contralto, soprano, barroca, tenor e transversal, violão, violinos de meia polegada, de ¾ e inteira, violoncelo, contrabaixo de orquestra, viola de arco, teclado, clarineta e trompete — explica.

Uma luta muito grande

Dependente de apoio para funcionar, Giraldelli afirma de durante um período, a entidade musical contava com apoio público, mas que no último ano, ela foi encerrada, dificultando a manutenção das atividades com as crianças e jovens periféricos.

 — Durante esses 13 anos, exceto o período da pandemia, metade desse tempo, uns seis anos, nós tivemos ajuda governamental do Governo do Estado, só que nesse último ano, não conseguimos mais essa ajuda, com isso estamos temporariamente com as atividades paralisadas, algo que dói muito na alma da gente, porque perde a continuidade, temos depoimentos de pessoas que começaram crianças a participar das atividades do instituto, dizendo que isso fez toda a diferença em suas vidas. Quando vemos uma criança chegar entusiasmada, uniformizada para ir numa apresentação, tivemos muitas apresentações, uma média de 16 apresentações por ano, é algo extraordinário na vida dessas crianças e jovens — destaca.

Nilton destaca a importância da solidariedade na manutenção do trabalho 100% gratuito do Instituto, junto aos menores carentes.

— Os instrumentos eram todos gratuitos. Apenas uma única vez conseguimos apoio do Fundo de Investimento Cultural (FIC), que ajudou a comprar parte dos instrumentos, o resto sempre foi por meio de vaquinhas, pizzas, eventos e uma ou outra alma generosa que doava algum instrumento. Pra se ter uma ideia, uma flauta transversal custa em torno de R$ 4000,00, um violoncelo é quase R$ 5000, um contrabaixo de orquestra é R$ 10.000,00, então sempre foi uma luta muito grande. Colocávamos até a alma para funcionar esse projeto. Se não fosse nossa atuação na periferia, 70% dos jovens e crianças jamais teriam acesso a esse tipo de aulas, se não fosse pelo Instituto. Transporte e uniforme todos gratuitos, jamais cobramos um centavo dos pais, pois a grande maioria não teria condições — pontua.

Padrinhos

Para manter o instituto musical funcionando, o administrador considera importante a existência de padrinhos por parte da iniciativa privada e demais setores, fundamentais para a sobrevivência deste trabalho de inclusão social.   

 — Nosso sonho é que o nosso instituto tivesse padrinhos. Talvez uns três, quatro empresários e segmentos diferentes, por exemplo, pra ter solução de continuidade, porque o chamamento do governo nos ajuda durante oito meses do ano, e os outros quatro meses? Então, é muito difícil essa situação que nós vivemos. Ele até estava funcionando de modo online e agora tá praticamente suspenso, por completa falta de recursos. Precisa de lanche para as crianças, além das inúmeras despesas. Estamos funcionando parcialmente lá no bairro Dom Antônio Barbosa. Do nosso pátio lá, enxergamos as montanhas de lixo, temos muitos alunos lá. É uma dádiva poder oferecer a eles esse tipo de aprendizado — destaca.

Dádiva

Para Giraldelli, a música e seu poder de ação, é divina, faz diferença e transforma vidas.

A cantora e compositora Isadora Bogarim. Foto: Reprodução.

— Este trabalho se torna divino, porque a música mexe com o cognitivo das crianças e dos jovens, os remove de um caminho de erros e a receptividade deles é maravilhosa. Eles lutam com tanta dificuldade, é um desafio imenso, mas que vale muito a pena. Independente da condição socioeconômica, aprendam algum tipo de música, ela faz muita diferença na alma da pessoa, reequilibra o emocional, é um recurso gigantesco nas horas de enfrentamento da dor, dos reveses que a vida oferece e até como uma oportunidade pra gente prosperar o intelecto. É uma dádiva, é uma escola, uma música de boa qualidade modifica o ser humano para melhorar sempre.

Talento: Isadora Bogarim

A jovem cantora Isadora Bogarim, de 16 anos, teve através do projeto, seu primeiro contato com a música através do instituto. Finalista, de uma grande premiação musical da televisão estadual, ela fala sobre o início, a importância da entidade e sua relação com a música, sua grande paixão.

— Meu primeiro contato com a música foi no Instituto Musical Chico Xavier, quando eu tinha cinco anos de idade. Lá aprendi a ler partitura antes mesmo de ler e escrever, além de cantar no coral. O projeto me abriu portas para conhecer três instrumentos. Comecei a tocar flauta, depois fui para o violino e depois para o violão, além de conhecer vários músicos também. A música pra mim, traz uma sensação de encaixe, eu me sinto como se fosse minha casinha, qualquer lugar que eu tô na música, alguma coisa relacionada a música eu me sinto bem calma, bem tranquila. Ele me abriu portas para conhecer três instrumentos. Comecei a tocar flauta, depois fui para o violino e depois para o violão, além de conhecer vários músicos também — explica.

Viver pra musica

Ela, além de cantora é poetisa e compositora. De família espírita, a fé foi importante para decidir seguir os rumos da música.

— Eu escrevo poesia, escrevo música, então eu decidi que queria viver da música mesmo esse ano. Até então queria ser professora, mas por causa do espiritismo, abriu um negócio na minha cabeça que falou “vai para a música”, “você tem que ir para música”, daí quando eu comecei a escrever, comecei a buscar mais áreas nesse rumo da música e agora tá abrindo um monte de porta para mim, tá dando muito certo — afirma.
Isadora participou do Projeto Passarela de novos talentos.

— Minha mãe me inscreveu num projeto online nacional e daí, no entanto, eu estava no projeto só para aprender coisas e não imaginava que eu iria vencer, tinha um monte de gente, fui passando fases e acabei vencendo o Projeto Passarela. 

Fesmorena

Tendo o Pop e MPB, como seus gêneros musicais preferidos, Isadora Bogarim participa do FESMORENA (Festival Morena de Música Escolar), uma competição musical realizada pela TV Morena, cujo o objetivo é descobrir jovens talentos da música sul-mato-grossense, que também apresentem composições autorais e envolve alunos de 7 a 17 anos matriculados no ensino fundamental ou médio em escolas públicas ou particulares de todo o Estado. Sobre sua participação, ela explica.

— Uma amiguinha minha me falou e outras pessoas já tinham me falado do Fesmorena, mas antes eu não queria ser cantora, pois cantar (até então) era só um hobby. Mas agora que eu decidi ser cantora eu falei: “é uma boa”. Fui avançando as etapas e cheguei na final de novo. Mas a importância para mim do Fesmorena, não é necessariamente ganhar, mas a visibilidade de fazer um negócio bem feito, transmitir muita energia enquanto eu estiver no palco, para as pessoas que estão assistindo e ganhar muitas pessoas com isso, sendo eu mesmo ali — considera.

Amigo da cantora, além de participar junto com ela no festival musical, o instrumentista Lucas Alecrim, destaca a importância do evento e da música.

— Eu acho muito importante Fesmorena por quê que inspira outras pessoas e tentar dar o nosso melhor, aprender mais, eu acho que a arte ajuda a gente a perder a timidez, a lidar com algumas situações, frustrações.

Votação popular

No site da emissora, está tendo a votação da melhor canção do festival em 2021, cuja a musica da jovem cantora e compositora, está entre as concorrentes.

 — Tem o voto popular da melhor música, que é um dos prêmios. As pessoas vão lá no site (clique aqui para votar), e entra nas composições. Tem 15 composições e você clica em qual gostou. De preferência a minha, Isadora Bogarim. 

Isadora Bogarim durante gravação das seletivas do Fesmorena. Foto: Reprodução.

Ser artista

Sobre ser artista, a artista deixa uma mensagem a outras pessoas que, como ela, a arte faz a alma e o coração bater mais forte.

— Eu achava que ser artista era algo normal, que qualquer pessoa pode fazer qualquer pessoa pode ser. Eu ainda acredito nisso, sabe. São os nossos sentimentos e a gente vai buscando dentro da nossa cabecinha, como que a gente consegue fazer isso. E tem várias formas de arte. Pintar, escrever poesias, músicas, artes cênicas, artes plásticas, dança, monte de arte e todo mundo é artista, a gente sabe, pelo menos, fazer uma arte. Só temos que descobrir o que sabemos fazer. Todo mundo tem que procurar isso. A gente descobrindo isso, vai botar nossa vida para melhor, vai deixar a gente mais feliz.

Orgulho

Irmã de Isadora e também ex-aluna do Instituto Musical, Isabella Bogarim como o aprendizado musical adquirido em sua passagem pelo projeto, foi marcante em sua vida. 

— Entrei com cinco anos de idade. Comecei primeiro na flauta, depois flauta doce e peguei o finalzinho da transversal, só que por conta da minha bronquite, eu achei melhor ir para o violão. Aprendi a ler partitura e, uma coisa que a minha irmã me falou uma vez, que chegou a me emocionar, é que, às vezes ela se inspirava em mim. Então eu não desistia para dar moral a ela. A gente ia junto fazer aula de violão, a gente tinha amigos e o Instituto Chico Xavier sempre forneceu tudo, desde da partitura, o instrumento e até o lanche — explica.

Sua satisfação em fazer parte daquele universo, era latente. A ex-aluna, destaca a dedicação dos professores e dos colegas.

— Sempre foi muito incrível para gente ter uma apresentação marcada, a gente contava, ensaiava, se preparava, estudava em casa, tinha um cuidado, por mais que era um projeto gratuito, os professores eles estavam ali, tinham total disposição para ensinar, para fazer acontecer e eu tenho amigos até hoje que são músicos. Eu tenho uma amiga Andressa, que começou só na flauta transversal e ela vive disso, ela toca em casamentos. Tive o meu amigo que o sonho dele era aprender tocar saxofone, ele foi da Flauta pro clarinete, só que na hora que ele ia passar para o saxofone, eu acho que o Instituto já não tinha mais condição, e ele teve que parar no clarinete mesmo. 

Isabella finaliza descrevendo sua emoção em participar apresentações.

— Fazíamos porque gostávamos mesmo, a gente ia querendo ver aquela orquestra toda montada, ensaiava as músicas e via os nossos pais chorando na plateia, todo mundo emocionado, e era tudo criança, jovem de 05 a 20 anos, era todas as idades, criancinha com violino, era tudo muito lindo. A gente se apresentava com toquinha de Papai Noel e em hospitais. Viajávamos com ônibus, lanche, tudo incluso a gente nunca precisa dar nada, nem da gasolina para ajudar, abrimos show do Almir Sater. Enfim, era lindo de ver, eu cresci com as crianças e hoje em dia todo mundo foi para sua área da arte, e quando a gente fala que não existe mais, dá um aperto no coração — relembra.

Conheça e Ajude

Quem quiser conhecer e ajudar esse e outros projetos da Fraternidade Despertar, entrar em contato pelo telefone (67) 99224-2208.

 

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