25 de setembro de 2020
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AGROPECUÁRIA

'Duas secas' é o tempo mais rentável de permanência dos bovinos da fazenda

"É necessário aumentar o aporte nutricional no período de transição águas-seca", explica

Os pecuaristas precisam estar sempre atentos à eficiência devido à instabilidade das margens de lucro dos sistemas de produção. “Uma característica forte da pecuária de corte brasileira são os ciclos longos de produção”, é o que explica João Benatti, gerente de produto para Ruminantes da Trouw Nutrition. “O pecuarista que mantém os animais por muito tempo na propriedade pode estar perdendo a oportunidade de maximizar os seus ganhos. Esse lucro não é por bonificações ou penalizações impostas por frigoríficos e sim no giro de capital, taxa de desfrute e lucratividade (R$/ha/ano) da propriedade”.  

João Benatti ressalta que em ciclos longos os animais serão abatidos com idade avançada, impactando não somente na receita do produtor rural, mas também na obtenção de carcaças e carne de qualidade para a indústria processadora.

“Para determinar o lucro é preciso realizar a conta de receita menos despesa”, diz. “O lucro só é maior quando aumenta a receita ou reduz a despesa. Mas aumentar a receita não é tão simples, principalmente em propriedades com baixa tecnologia. Da mesma forma, reduzir despesa pode impactar diretamente na queda da receita”.

O especialista recomenda aumentar a receita por meio do correto uso de tecnologias, as quais até podem aumentar as despesas, mas certamente aquém do incremento da receita. “Investimento em pastos e suplementos são vistos como de cortes primários, afetando todo o ciclo de produção. Mas essa estratégia potencializa o ganho e a eficiência alimentar, reduzindo o tempo para os animais atingirem o ponto de abate”, alerta Benatti.

Bovinos que ficam por longo período na propriedade também representam menor taxa de desfrute, ou seja, a porcentagem de animais abatidos em relação à quantidade de animais na propriedade. “Se a idade de permanência dos animais na propriedade é de 36 meses, a taxa de desfrute da propriedade é de 33%. Isso significa que a cada ano apenas 33% dos animais da fazenda geram receita. O desfrute aumenta significativamente com o uso de técnicas produtivas adequadas, chegando a mais de 80%”.

“Manter animais na fazenda custa dinheiro. Garantir a forragem em quantidade e qualidade é o primeiro passo para o sucesso do negócio. Depois, vem a suplementação (proteico, proteico energético ou energético), que pode ser planejada levando em consideração as características do pasto e suas mudanças ao longo do ano”, destaca o especialista.

Além de benefícios lucrativos com a redução do tempo de abate e o maior giro de capital na fazenda, ofertando produtos de qualidade, os pecuaristas podem ser beneficiados com os sistemas de bonificação de carcaças praticados pelos frigoríficos. “A suplementação é uma das ferramentas disponíveis de maior impacto, baixo custo e rápida adoção. Seu uso reflete-se diretamente na lucratividade dos pecuaristas, assim como de toda a cadeia da produção e do consumo de carne. Encurtar os ciclos de produção permite produzir mais carne na mesma área e somar ainda mais para a receita do pecuarista e a sustentabilidade”, finaliza Benatti.