17 de junho de 2021
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Boletim Diário

Preços de alimentos recuam em janeiro, no índice da FAO

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Divulgado na última quinta-feira, o índice mensal de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), recuou 1,9% em janeiro ante dezembro, para 182,7 pontos. O indicador está em declínio desde abril de 2014. A baixa deste mês foi influenciada por estoques volumosos, além do dólar fortalecido ante outras moedas e recuo dos preços do petróleo. A ampla oferta pressionou principalmente os preços de trigo, óleo de soja e carne suína, apontou a organização.

O Índice de Preços de Alimentos da FAO acompanha cinco grupos de commodities em mercados internacionais: cereais, carnes, laticínios, óleos vegetais e açúcar. O grupo dos cereais foi o que registrou maior queda em janeiro. No mês, o indicador caiu 3,6%, para 177,4 pontos. Entre os produtos incluídos no grupo, o preço do trigo apresentou maior recuo, de 7%, em virtude da ampla oferta. Desde o pico de junho de 2008, os preços dos cereais caíram 34%, informou a FAO.

No segmento de óleos vegetais, a queda foi de 2,9%  ante dezembro para 156 pontos, o nível mais baixo desde outubro de 2009. A causa principal foi a volumosa oferta de óleo de soja e pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional, que reduz a demanda por óleos vegetais para a produção de biodiesel.

Em relação ao mercado da carne, o preço recuou de 1,6%, atingindo 194,3 pontos. A FAO apontou que o principal motivo para a queda foi o fortalecimento do dólar, em especial em relação ao euro. A grande oferta mundial de carne suína disponível para exportação também pesou sobre os preços das carnes no mês passado. Na comparação com janeiro de 2014, no entanto, o indicador teve alta de 6,6% .

Já os laticínios se mantiveram estáveis em janeiro, em 173,8 pontos. Na comparação com igual mês do ano passado, o indicador de preços de laticínios caiu 35%. Os preços do açúcar ficaram praticamente estáveis ante dezembro, em 217,7 pontos. Fonte: Estadão

Software mede a sustentabilidade de fazendas no Pantanal de MS

Foi desenvolvido um software pelas embrapas Pantanal e Informática Agropecuária, que avalia os sistemas de produção e as próprias propriedades rurais localizadas na região do Pantanal sul-mato-grossenses para avaliar o nível de sustentabilidade das fazendas.

Com essa ferramenta é possível avaliar o impacto da atividade pecuária sobre o sistema produtivo e identificar quais aspectos estão abaixo do nível desejado para que a propriedade rural se torne sustentável.

De acordo com a  Embrapa Pantanal, para usar o software, o pecuarista precisa de um computador com acesso à internet. O produtor ou o assistente técnico verifica os diferentes aspectos dos registros sobre a fazenda, a partir de medidas como o escore corporal das vacas, por exemplo. Depois, ele entra no sistema da FPS e dá notas aos indicadores.

Os estudos feitos para definir os indicadores duraram cerca de dez anos e contaram com a contribuição de vários especialistas em diversas áreas. Usando uma técnica de inteligência computacional conhecida como "Fuzzy", elas explicam que a avaliação da FPS qualifica os diferentes aspectos da produção rural em conceitos como "adequado", "inadequado" ou "moderado", por exemplo, adaptando-se à realidade dinâmica da fazenda.

Exportação de industrializados cresce 19,4% em MS no mês de janeiro

A receita com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul apresentou crescimento de 19,4% em janeiro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado, saltando de US$ 233,7 milhões para US$ 279,2 milhões, segundo levantamento do Radar, da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems).

A entidade aponta que essas mercadorias representaram 86% de tudo o que o estado vendeu para o exterior no mês. O avanço foi alavancado pelas exportações dos grupos “Papel e Celulose”, “Açúcar e Etanol” e “Extrativo Mineral”, que proporcionaram, no comparativo com igual período de 2014, receitas de US$ 102,8 milhões, US$ 61 milhões e US$ 20 milhões, respectivamente.

Segundo o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, janeiro de 2015 registrou o melhor resultado já alcançado para o mês em toda a série histórica da exportação de produtos industriais de Mato Grosso do Sul.

“Quando comparado com os resultados de igual mês, ao longo da série, vale ressaltar que de janeiro de 2010 até agora foram registradas 50 quebras de recorde nas receitas de exportação. O que equivale a dizer que o recorde para o mês, ao longo desse período, foi quebrado em 82% das vezes”, analisou.

Grupos

As exportações do grupo “Papel e Celulose” têm como principal produto a pasta química de madeira semibranqueada (celulose), que em janeiro 2015 registrou receita de exportação equivalente a US$ 97,1 milhões ou 94,5% da receita total do grupo, indicando crescimento de 7,4% em relação ao mesmo mês de 2014, quando o valor foi de US$ 90,4 milhões, tendo como principais compradores a China, a Holanda, a Itália, os Estados Unidos e Coreia do Sul.

No grupo “Açúcar e Etanol” a receita de exportação em janeiro de 2015 alcançou o equivalente a US$ 61 milhões, crescimento de 153,2% sobre igual mês do ano passado, resultante em sua totalidade das vendas de outros açúcares de cana.

Em janeiro, os principais compradores do grupo “Açúcar e Etanol” foram Argélia, Bangladesh, Rússia, Iêmen, Indonésia, Malásia e China. Quanto ao grupo “Extrativo Mineral” a receita de exportação no primeiro mês de 2015 alcançou o equivalente a US$ 20,6 milhões, resultante basicamente das vendas de minérios de ferro não aglomerados e seus concentrados e outros minérios de manganês, que, somados, representaram 96,8% da receita total do grupo. Por fim, os minérios exportados por Mato Grosso do Sul tiveram a Argentina como principal destino com 98,1% das compras. Fonte: Agrodebate

Justiça determina que frigorífico suspenda horas extras em 2 setores

 

Liminar da justiça estadual do dia 2 de fevereiro determinou que a unidade do frigorífico JBS, em São José dos Quatro Marcos, suspenda a realização de horas extras em ambientes considerados insalubres, como é o caso dos setores de desossa e de corte. A decisão foi emitida pelo juiz André Araújo Molina, da Vara do Trabalho de Mirassol D'Oeste, ao Ministério Público do Trabalho emMato Grosso (MPT-MT).

O frigorífico, que emprega 1.078 trabalhadores, tem 10 dias para cumprir a determinação, sob pena de multa de R$ 500 mil por dia, independentemente do número de empregados encontrados em situação irregular. Segundo Molina, o prazo leva em consideração a necessidade da empresa de reorganizar sua linha de produção, de modo que nenhum funcionário extrapole a jornada normal de trabalho depois desse período.

A ação civil pública ajuizada pelo MPT tem caráter preventivo e se baseia em outra decisão judicial que reconheceu, em outubro do ano passado, após perícias judiciais, a condição insalubre nos setores de abate e de desossa dos frigoríficos da JBS em Araputanga, São José dos Quatro Marcos e Pontes e Lacerda, que, juntos, somam mais de 2,8 mil funcionários. Com a sentença, proferida em uma ação coletiva, as empresas foram obrigadas a pagar o adicional de insalubridade em grau máximo aos empregados que trabalham ou trabalharam nesses locais a partir 2012.

Alegou o MPT que, uma vez reconhecida a presença do agente insalubre, não se poderia mais exigir dos trabalhadores a realização de horas extras, já que, nessa condição, elas seriam consideradas inconstitucionais e ilegais, em razão dos enormes prejuízos sociais e à saúde.

O procurador Leomar Daroncho, que conduz a ação, conta que o fundamento biológico para tal proibição está no fato do trabalho insalubre provocar reações mais intensas do organismo para este manter-se equilibrado, o que, naturalmente, acarreta maior desgaste e propensão à fadiga, exigindo um período mais extenso para descanso e recuperação. Todavia, quando o processo prolongado de fadiga chega à fase crônica, não há repouso que consiga reverter o quadro.

“Esse quadro de fadiga patológica compromete o sistema imunológico, deixando o trabalhador muito mais vulnerável a doenças, além de produzir insatisfação com o serviço, absenteísmo, baixa produtividade e maior número de acidentes do trabalho. Além disso, ao empregado que passa todo o dia trabalhando resta pouco espaço para descanso, nenhuma possibilidade de lazer e prejuízo para o convívio familiar e a possibilidade de estabelecer relações sociais harmoniosas. A continuidade desse quadro leva à insatisfação recorrente, perda da autoestima, apatia, depressão e ao aparecimento de doenças”, explica Daroncho.

Incontáveis horas

A maioria dos trabalhadores que realizam atividades repetitivas de corte executam, em média, 40 a 60 movimentos por minuto, ou seja, uma tarefa extremamente extenuante. No caso da JBS, o procurador Leomar Daroncho relata casos assustadores de trabalhadores submetidos à exposição prolongada dos agentes insalubres devido às horas extras rotineiras. Um dos funcionários ouvidos durante a investigação, por exemplo, revelou que fez, em fevereiro de 2014, mais de 108 horas extras. Isso significa dizer que ele trabalhou, durante um mês, quatro horas a mais por dia do que o tempo legalmente permitido em ambientes com essa condição.

Danos morais

Em razão da gravidade da situação encontrada no frigorífico de São José dos Quatro Marcos, a 328 km de Cuiabá, o MPT pleiteia uma indenização por danos morais coletivos de R$ 10 milhões. De acordo com o procurador do Trabalho, o valor equivale a menos do que 0,001% da receita líquida anual consolidada do grupo JBS em 2011. Houve, ainda, a notícias das doações milionárias feitas pela JBS à campanha eleitoral de 2014. A empresa teria distribuído mais de R$ 366 milhões a partidos e candidatos.

Segundo Daroncho, é necessário que a indenização tenha caráter punitivo e exemplar, do contrário não terá peso suficiente para desestimular o verdadeiro enriquecimento sem causa, que é aquele obtido mediante economias feitas às custas da vida humana.