04 de dezembro de 2020
Campo Grande 33º 24º

Análise: Símbolos da Olimpíada do Rio não personalizam cultura do país

Muitas vezes ver pode ser mais prático do que ler, e por isso os pictogramas são importantes no nosso dia a dia. Eles representam informações de forma clara e direta. Usam linguagem visual e gráfica, que pode ser compreendida sem texto e independentemente do idioma. Nos Jogos Olímpicos, os pictogramas ajudam na organização e na sinalização dos locais que abrigam as competições, dada a multiplicidade de eventos que simultaneamente se espalham pela cidade e pelas instalações. Missão cumprida para as representações pictóricas das modalidades esportivas da Olimpíada de 2016, apresentadas ontem em evento no estádio de remo da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.Pela primeira vez na história dos Jogos, foram criados símbolos específicos para as modalidades paraolímpicas --até então, alguns símbolos eram repetidos ou adaptados. Os desenhos do Rio são simples na representação, de rápida visualização e compreensão da mensagem. Porém, embora conceitualmente elaborados com os princípios da universalidade, deixam escapulir a oportunidade de personalizar o design e criar uma associação ainda mais direta entre o evento e as características brasileiras. Não é de hoje que o homem usa imagens para se comunicar. Inúmeras pinturas rupestres que resistiram ao tempo nos lembram que aprendemos a desenhar antes mesmo de escrever. Mas os primeiros pictogramas como os vistos hoje em shoppings ou aeroportos, que facilmente nos indicam uma escada rolante ou a retirada de bagagens, foram criados nos anos 1920, por Otto Neurath e Gerd Arntz. Nos Jogos Olímpicos, a primeira tentativa foi em Berlim-1936, mas só em Londres-1948 houve avanço. Em Tóquio-1964, primeira edição a usar criptogramas oficialmente, os japoneses desenvolveram o traço e a paleta de cores. No México-1968, a cultura local serviu de base para a construção gráfica. Em Munique-1972, houve o ineditismo da construção inclinada, a simular movimento. A partir de então, as sedes buscaram alternativas no design para personificar os ícones olímpicos, embutindo influências e culturas nativas. A Olimpíada de Barcelona, em 1992, lembrou nos ícones as pinceladas e cores do pintor catalão Miró. Mais recentemente, Sydney-2000 usou curvas do bumerangue para construir os ícones, Atenas, em 2004, lembrou sua cultura milenar e Londres, em 2012, se inspirou nas cores da bandeira inglesa e no design do traçado de seu metrô. Os pictogramas das Olimpíadas do Rio-2016 não trazem nenhuma novidade gráfica. Claro que são funcionais e estão dentro das regras da universalização, mas certamente desperdiçam a oportunidade de também personalizar, e deixar registrados nos ícones esportivos, algo da cultura brasileira. (Agência UOL)