09 de agosto de 2020
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INOVAÇÃO

Casas Bahia muda marca, mira alta renda e planeja lojas no ‘estilo Apple’

Os últimos 12 meses foram uma corrida de obstáculos para a Via Varejo, dona da rede líder em eletrodomésticos no País, a Casas Bahia. Depois de passar três anos à venda pelo grupo francês Casino, a empresa ficou defasada e viu a concorrente Magazine Luiza ganhar espaço e se tornar referência em tecnologia e atendimento ao cliente.

O último ano foi uma maratona para recuperar o terreno perdido. Depois das mudanças internas, a atual direção lançou ontem o novo desenho da marca da Casas Bahia para ir atrás de um público novo: a alta renda.

A nova marca, conforme explica a diretora de marketing da Via Varejo, Ilca Sierra, mostra o aspecto “democrático” da Casas Bahia – ou seja, sua capacidade de atender a diversos públicos. Com o redesenho de sua imagem, a varejista pretende provar que também pode ser boa opção para o público de alta renda, e não apenas para quem compra eletrodomésticos em prestações a perder de vista.

As mudanças que agora vão ficar mais transparentes para o consumidor são resultado de um ano de trabalho da nova equipe de executivos da Via Varejo. Depois que o empresário Michel Klein, membro da família fundadora da rede, voltou a ser o principal acionista da companhia, a rede vem fazendo uma caminhada ladeira acima.

Liderada pelo executivo Roberto Fulcherberguer, uma dezena de novos executivos foi contratada em 2019 – incluindo Ilca, do marketing, que veio justamente do Magazine Luiza.

O desempenho da rede melhorou, o que se refletiu nas ações da companhia: em 12 meses, os papéis mais negociados da Via Varejo subiram 166% e fecharam a sexta-feira negociados a R$ 19,54. As vendas pela internet, que patinavam em pífios 18% há um ano, atingiram 27% da receita total no primeiro trimestre.

Os desempenhos ainda estão aquém dos apresentados pelo Magazine Luiza – que tem metade do seu negócio baseado em e-commerce e papel valendo quase R$ 80 na B3 -, mas a varejista garante que vai continuar a inovar.

A empresa cresceu mais as vendas pela web durante a pandemia. Em fato relevante divulgado na semana passada, a empresa informou forte expansão de vendas online em algumas categorias em maio e junho, na comparação com igual período de 2019: o avanço foi de 859% em câmeras e games, de 475% em informática e de 382% em televisores.

Parte desse resultado se deu pelo lançamento do programa Me Chama no Zap, que recrutou vendedores das lojas para ajudar o cliente a comprar pela internet.

Mas a “virada” da Casas Bahia está longe de estar completa. As lojas físicas ainda vão precisar passar por uma revisão – o processo de troca de marca deve levar dois anos. Mas Ilca diz que existem planos para dar um “banho de loja” na experiência física, com a criação de lojas no “estilo Apple”.

“O cliente vai poder fazer toda a operação sem ir ao caixa. O vendedor vai fazer o atendimento e também cuidar do pagamento”, explica.

Para o consultor Marcos Gouvêa de Souza, da Gouvêa, a Via Varejo tem feito um bom trabalho em recuperar o tempo perdido. O caminho, no entanto, será difícil, visto que o Magazine Luiza navegou sozinho no setor por anos.

“O trabalho do último ano abriu caminhos. E eles fizeram uma boa aposta na compra do banco digital (o BanQi)”, diz Gouvêa de Souza.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.