26 de novembro de 2020
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Mais de dois terços dos filmes mudos feitos nos EUA se perderam, diz estudo

Mais de dois terços dos filmes mudos rodados nos Estados Unidos entre 1912 e 1929, incluindo alguns de Ernst Lubitsch e da atriz Clara Bow, se perderam - diz um informe publicado nesta quarta-feira (4) pela Biblioteca do Congresso norte-americano.

O informe, tutelado pela Associação Nacional de Preservação do Filme (NFPB), indica que de 11.000 filmes de ficção realizados durante o período do cinema mudo, "somente 14% - ou seja, 1.575 títulos - ainda existem em seu formato original, 35mm".

Quase 11% dos filmes só foram preservados em outros países, ou em formato diferente, de menor qualidade - em 28 ou 16 mm. O estudo intitulado "A sobrevivência dos filmes mudos norte-americanos: 1912-1929" teve a supervisão do historiador e arquivologista David Pierce.

Os filmes mudos, relegados rapidamente ao ostracismo com a chegada do cinema falado, foram vítimas de sua fragilidade, já que a película de nitrato se queima rapidamente. Também sofreram com sua "falta de valor comercial e com um grande período de desinteresse tanto por parte de seus donos quanto por parte do público", afirmou Pierce.

O estudo também chama a atenção para o desaparecimento de quatro filmes de Clara Bow, maior estrela do cinema mudo, cuja carreira foi arruinada com a chegada do som. O filme "O patriota" (1928), de Ernest Lubitsch, e uma versão de 1926 de "O Grande Gatsby" estão à beira do desaparecimento.

Entre os 3.311 filmes que restam, um em cada quatro foram encontrados em outros países e outros tantos foram repatriados. A maior coleção de filmes norte-americanos exportados está nos arquivos da República Checa, informou o estudo.

"Este informe é de um valor inestimável, posto que o cinema mudo é essencial para nossa cultura", disse em comunicado o diretor Martin Scorsese, que luta pela preservação dos filmes mudos. Com "A invenção de Hugo Cabret", Scorsese homenageou o diretor francês Georges Méliès, ícone do cinema mudo.

Para proteger os exemplares que restam, o estudo recomenda dar início a um programa de repatriação de títulos e promover colaborações entre colecionadores particulares e estúdios de cinema para identificar e conservar os filmes.

Portal Uol