05 de dezembro de 2021
Campo Grande 33º 23º

ENSINO DESIGUAL

Alunos negros e pobres prejudicados com escolas que ainda não reabriram

Região sul tem maior percentual de volta às aulas e estudantes brancos são maioria desigual

A- A+

Em ritmo desigual no país, a reabertura das escolas tem deixado estudantes negros e pobres mais tempo fora das salas de aula, segundo mostra uma nova pesquisa do Datafolha.

Conforme aponta a repórter Isabela Palhares, em setembro, 65% dos alunos do país tiveram suas escolas reabertas, ainda que parcialmente. Entre os estudantes brancos, o índice chegou a 72%, mas ficou em 61% para os negros.

Entre as três faixas de maior nível socioeconômico, a retomada das aulas presenciais alcançou 73% dos alunos. Mas era de apenas 41% para aqueles que estão nas três menores faixas de renda.

Com entrevistas feitas entre os dias 13 de agosto e 16 de setembro, com 1.301 responsáveis por 1.846 estudantes, com idades entre 6 e 18 anos, da rede pública de todas as regiões do país, essa pesquisa do Datafolha foi um pedido do Itaú Social, da Fundação Lemann e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)

Pela falta de coordenação nacional, o retorno das aulas presenciais tem ocorrido de forma desigual desde o início do ano. Enquanto na região Sul, 90% dos estudantes já puderam voltar a frequentar a escola, no Nordeste só 40% tiveram essa opção.

"É muito preocupante essa disparidade no retorno. A desigualdade ocorre não apenas regionalmente, mas também socialmente. Os alunos que tiveram menos condições de acessar o ensino remoto são aqueles que estão com as escolas fechadas por mais tempo", diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann.

Ainda, a pesquisa revela que a maior demora na reabertura das escolas tem ocorrido em municípios menores, uma vez quen, nas cidades com mais de 500.000 habitantes, 72% dos alunos já tiveram o retorno das aulas presenciais. Naquelas com menos de 50.000 habitantes, só 55% estão com as unidades abertas.

Criticado pela ausência de ações para apoiar estados e municípios, conforme aponta a repórter da agência Folhapress, a única ação efetiva do ministério foi o incremento de cerca de R$ 600 milhões no PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola). Ainda assim, os gastos totais com o programa foram os menores desde 2015, com exceção apenas a 2019, primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).

"Temos problemas de coordenação no país e isso se reflete no ritmo de reabertura das escolas. É incompreensível essa demora já que as redes tiveram muito tempo para organizar a volta dos alunos", diz Bonis.