10 de agosto de 2020
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ECONOMIA

Como cidades turísticas preparam a retomada das atividades? O que podemos aprender com isso?

O setor turístico emprega milhares de pessoas direta ou indiretamente

Não somente a saúde sofreu um grande impacto durante os primeiros meses de 2020. A Economia teve um grande prejuízo e as consequências devem seguir durante os próximos anos. E um dos setores que se saiu mais prejudicado foi aquele que experimentou um franco crescimento em 2019: o turismo.

O setor turístico emprega milhares de pessoas direta ou indiretamente. E com o fechamento de restaurantes, hotéis, museus, casas de espetáculos e outros serviços que podem nem mesmo voltar, acredita-se que será difícil para o setor se recuperar. Mas aí fica uma grande questão. Como ficam cidades em que a economia gira basicamente em torno do turismo?

No caso da Itália, essa fatia é grande, com cerca de 13% do PIB. Roma, principal cidade do país, tem um alto fluxo de turistas que circulando diariamente. Incialmente o país tinha assumido uma estratégia de manter o turismo para não perder dinheiro, mas isso acabou rendendo milhares de mortes em sua maior onda. Com um cenário melhor, as fronteiras para visitantes vindos de outros continentes continuam fechadas, mas foram abertas para pessoas vindas de países que compõem a União Europeia desde o dia 3 de junho e, mais recentemente, para aqueles países onde o vírus está sob controle. Com isso, alguns locais turísticos recomeçam a ser visitados.

É o caso do Coliseu, que reabriu dia 3 de junho. O mais famoso anfiteatro do mundo diminuiu o número de visitantes drasticamente para 300 no início do mês. É pouco diante das mais de 20 mil pessoas por dia, verificada nos anos anteriores. Mas tal ação é necessária para impedir que o vírus se espalhe e conter uma onda ainda mais forte. Essa foi uma oportunidade que os moradores locais tiveram para passear pelo local sem grandes aglomerações, já que 70% dos visitantes são turistas vindos de outros países. Mas o Governo reconhece que, caso seja necessário, as portas voltarão a ser fechadas como foi feito anteriormente.

Roma quis seguir com o turismo e o resultado foi o aumento no número de contaminados. Imagem: Reprodução

Um pouco mais ao nordeste da Itália, Veneto é um destino bem procurado durante o verão. Para permitir o uso de suas praias, o Governo ampliou a fiscalização e exigiu que fossem implementadas regras de distanciamento entre os guarda-sóis e outros serviços, além da distribuição de álcool em gel. Funcionar, nem que seja de uma forma tímida, é a única forma de sobrevivência para o local, que movimenta cerca de € 18 bilhões com o turismo. Outros lugares como Pisa, estão adotando o uso de dispositivos eletrônicos com avisos sonoros caso as distâncias mínimas não sejam obedecidas.

Paris, a cidade mais visitada do mundo, assumiu um plano de reabertura gradual. Seus cafés e bares já estavam autorizados a funcionar desde o início de junho, desde que seus clientes permanecessem nas varandas e terraços abertos e com um distanciamento mínimo de 1 metro. Mas no último 15 de junho a clientela também pode adentrar aos locais. Tal fato foi recebido com satisfação, já que faz parte da cultura local frequentar os locais para encontrar os amigos desde o café da manhã. O movimento mais que dobrou desde então.

Já o maior símbolo parisiense, a Torre Eiffel, somente voltou a abrir dia 25 de junho. Dentre as medidas de segurança estão o uso de máscaras, desinfecção das mãos com álcool e quantidade máxima de visitantes ao dia. O controle é feito online, com apenas um número de visitantes sendo autorizados previamente e com hora marcada. Já o Museu do Louvre deve voltar dia 6 de julho, mas apenas com 70% de suas galerias funcionando. Ele também vai seguir o mesmo esquema de vendas antecipadas de ingresso e controle.

Paris retoma aos poucos suas atividades. Imagem: Reprodução

Se a Europa segue passos lentos em sua recuperação, os Estados Unidos parecem querer voltar à normalidade, mesmo sem a epidemia ter sido controlada. Em Las Vegas, capital conhecida por seus cassinos hotéis, há rígidos protocolos a serem seguidos desde a autorização de abertura de vários estabelecimentos. Desde então, as melhores casas da região vêm tentando implementar regras para que os visitantes entrem em segurança. Mas, apesar da vigilância, autoridades seguem preocupados com a propagação entre funcionários e visitantes.

Na outra parte do país, a quarentena fez parar a cidade mais movimentada do mundo. Nova York parece viver uma realidade quase paralela: suas ruas sempre repletas de pessoas passaram a ficar desertas quando a cidade se tornou o epicentro coronavírus do mundo. Atualmente, a cidade segue com várias restrições de acesso a restaurantes. Anteriormente havia uma previsão para que os clientes pudessem se servir dentro dos bares e restaurantes a partir do dia 6 de julho, mas depois dos últimos acontecimentos, o prefeito Bill de Blasio anunciou que não era o momento.

O prefeito estava acompanhando de perto a situação de outros Estados e regiões que retomaram as atividades de maneira prematura e vêm registrando um aumento no número de casos nos últimos dias. A Broadway já anunciou, por exemplo, que só deve retornar as apresentações em 2021, enquanto que as famosas escadarias da Times Square permanecem sem visitantes.

Diante disso, qual a situação do Brasil? Com os primeiros casos oficiais divulgados após o carnaval, o vírus se espalhou pelo nosso país quando o mundo já conhecia alguns de seus efeitos. Medidas sazonais foram tomadas, e alguns Estados adotaram o sistema de isolamento parcial ou total. Atualmente, houve um afrouxamento das regras de segurança, embora os números continuem altos em grandes capitais. O que faz o Brasil querer atropelar o tempo necessário é a grande pressão para a abertura de setores como o comércio, vital para a economia.

Porém, neste momento, o turismo não é um serviço prioritário, embora empregue milhares de pessoas. Alguns Estados, no entanto, tentam reaver isso e abrir alguns locais. O Hopi Hari, localizado em São Paulo, seria reaberto ao público dia 4 de julho. Seus representantes informavam que iriam cumprir com todas as exigências sanitárias na ocasião. Porém, o vírus avançou em direção ao interior, e cidades como Campinas passaram a ser mais atingidas. Com isso, o parque teve que voltar atrás em sua decisão.

Tiradentes permanece vazio. Imagem: Reprodução

Tal adiantamento também havia sido observado em Minas Gerais, Estado com grande potencial turístico do país. Cidades como Capitólio, já estavam autorizando que passeios fossem realizados nos finais de semana, mesmo com hotéis e acessos a cachoeiras fechados. Em Santana dos Montes hotéis e atrações autorizadas a funcionar com 50% de sua capacidade. Cidades mais históricas como Tiradentes e Mariana, porém, optaram por permanecer totalmente fechadas visitações e a turismo.

O vírus só será de fato controlado quando existirem vacinas e a imunidade tiver sido ampliada para boa parte da população. Sabemos que todos terão que lidar com o novo normal que inclui medidas mais rígidas de controle e diminuição de visitantes. O turismo com certeza terá que se adaptar, assim como a força de trabalho destinado a ele. O que podemos no momento entender é no Brasil ainda não é o momento para afrouxar leis que incluam o distanciamento.

A abertura gradual, tal como vem sendo feita na Europa, é por enquanto o único modelo a ser observado. A postura tanto de governantes quanto do público em geral deve ser de atenção e observação nos próximos meses, para compreender o momento certo de implementá-la no setor.