18 de setembro de 2021
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Economia

Copom vai definir nova taxa Selic hoje; veja o que esperar

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Se a previsão se concretizar, será o primeiro aumento da taxa desde 2015
Lorena Amaro
Se a previsão se concretizar, será o primeiro aumento da taxa desde 2015

O Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao Banco Central (BC), anuncia nesta quarta-feira (17) a nova taxa básica de juros, a Selic . A previsão do mercado é que o comitê aumente a taxa em 0,5 ponto percentual. Hoje, ela está na mínima histórica de 2% ao ano .

Será a primeira alta desde 2015 e o início de um maior aperto monetário em 2021. As projeções da última edição do Boletim Focus, relatório semanal com expectativas de analistas de mercado, apontam para uma Selic de 4,50% ao fim do ano.

Além do Brasil, haverá reuniões de outros BCs nesta semana, como EUA, Inglaterra e Japão.

Os reflexos do provável aumento dos juros no Brasil, após uma sequência de quedas podem ser percebidos em várias áreas: do financiamento da casa própria à dívida do governo, passando pelo desempenho dos investimentos.

Os juros mais altos aumentam o custo do crédito no mercado. Então isso pode impactar negativamente a tomada de um financiamento ou aumentar o endividamento de alguém que já tenha algo atrelado à Selic. Em primeiro momento, a decisão do Copom será uma sinalização do BC. Ao longo do ano, vamos conseguir ver como ficará a situação dos juros, levando em conta a tendência de altas explica Adriel Monçani, assessor de investimentos da Ável.

Alguns efeitos já poderão ser sentidos no curto prazo e outros ao longo do ano, à medida que a Selic continue a aumentar. Entenda em cinco pontos o impacto da alta da Selic na economia brasileira:

1 - Financiamento Imobiliário

Linha de crédito imobiliário é afetado diretamente pela Selic
iG São Paulo
Linha de crédito imobiliário é afetado diretamente pela Selic



Os empréstimos imobiliários são uma das linhas de crédito mais rapidamente afetadas pela alta da Selic. Apesar da pandemia, o setor teve crescimento no ano passado, motivado justamente pelos juros baixos e pelo maior incentivo para a aquisição de imóveis para moradia ou investimentos.

Os financiamentos imobiliários com recursos das cardenetas de poupança atingiram R$ 17,47 bilhões em dezembro de 2020, maior volume desde julho de 1994, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Acebip).

Ainda de acordo com a Acebip, o montante total financiado no ano passado atingiu R$ 123,97 bilhões, alta de 57,5% em relação a 2019.

A alta dos juros dificultaria o acesso a esse crédito, aumentando também o endividamento de alguém que já tomou empréstimo. Como o setor está aquecido no momento, o impacto maior será sentido ao longo do ano, com as projeções dos novos aumentos da Selic.

2 - Rentabilidade dos Investimentos

A elevação da Selic torna os investimentos em renda fixa mais atrativos, ainda que minimamente
Guia do Investidor
A elevação da Selic torna os investimentos em renda fixa mais atrativos, ainda que minimamente

Com a queda dos juros, muitos poupadores brasileiros migraram para a renda variável ou ao menos diversificaram sua carteira, em busca de maior rentabilidade. No ano passado, a B3 registrou aumento do seu número de clientes, superando a marca das 2,5 milhões de pessoas.

Com o aumento da Selic, os títulos da dívida pública, que são mais seguros, devem apresentar uma rentabilidade maior que a atual. O mesmo ocorre com os rendimentos da categoria renda fixa e pós-fixadas, que acompanham as taxas de juros.

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Mas especialistas afirmam que a Selic não deve ser o único fator a se levar em conta na hora de investir. Isso porque em 2021, a inflação deve continuar superior aos juros, que na prática, serão negativos.

Por isso, na hora de investir em renda fixa ou em títulos pós-fixados, o investidor deve considerar o longo prazo, além do seu perfil, mais conservador ou arrojado. 

3 - Custo para o governo

Dívida pública é indexada à taxa de juros Selic
Lorena Amaro
Dívida pública é indexada à taxa de juros Selic

A combinação de inflação em alta e maiores taxas de juro também pressiona os custos para o governo se financiar no mercado. Boa parte da dívida pública é indexada à Selic. Portanto, com a alta da taxa, a dívida fica mais cara.

A dívida é emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo, ou seja, para pagar despesas que ficam acima da arrecadação com impostos e tributos.

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A dívida teve aumento de 17,9% em 2020, ultrapassando os R$ 5 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. O crescimento de R$ 761 bilhões foi o maior da série histórica, que começou em 2004.

Em janeiro, a dívida subiu para 89,7% do PIB, um crescimento de 0,5 ponto percentual na comparação com o mês anterior, de acordo com as estatísticas divulgadas pelo BC. Esse é o maior patamar da série histórica iniciada em dezembro de 2006.

4 - Crédito para empresas

Crédito para empresas também encarece com a Selic mais alta
Luciano Rocha
Crédito para empresas também encarece com a Selic mais alta

O aumento dos custos de financiamento também prejudica as empresas. Com os juros mais altos, o crédito fica mais caro.

A provável alta desta semana ainda não vai deixar a tomada de empréstimo tão cara, se comparada com os patamares de 2016 e 2017.

Mas ao longo do ano, com a tendencia de os juros aumentarem, esse cenário deve piorar. Isso em um contexto onde as empresas já enfrentam dificuldades, que foram ampliadas pelas novas restrições impostas devido ao recrudescimento da pandemia.

5 - Impacto no consumo

Com o crédito mais caro, o consumo tende a diminuir
Divulgação/Procon-AM
Com o crédito mais caro, o consumo tende a diminuir

O aumento dos juros com o objetivo de conter a inflação acaba tendo efeito no consumo. Com o crédito mais caro, os consumidores tendem a comprar menos e as empresas tendem a reduzir seu investimento.

O consumo já anda em baixa. Com o recrudescimento da pandemia, o fim do auxílio emergencial e a alta do preços nos alimentos, as vendas no varejo, por exemplo, registraram queda de 0,2% em janeiro, na comparação com dezembro, segundo pesquisa do IBGE.

Segundo economistas, a nova rodada do auxílio, que deve começar a ser paga somente em abril e com valor menor servirá apenas para mitigar alguns efeitos, mas sem induzir o crescimento.