18 de junho de 2021
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AVANÇO | PRESERVAÇÃO

Corredores logístico e ecológico desenvolvem MS e sua economia com consciência ambiental

Projetos público e privado visam movimentar investimentos, o turismo e a renda que Mato Grosso do Sul gera com suas riquezas naturais

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Mato Grosso do Sul tem recebido investimentos das mais diversas fontes, que a população pode fiscalizar e notar se estão sendo revertidos em obras. Formando diversas frentes de crescimento, o governo estimula o investimento em corredores logísticos, pela pavimentação de rodovias, enquanto empresários e ambientalistas buscam criar um corredor ecológico no Estado.

Segundo informações do Governo do Estado de MS,  por demanda dos setores do agronegócio; turismo e moradores da região, a pavimentação de rodovias já têm projeto executivo e estão prontas para serem licitadas.

Nas próximas semanas a responsável, Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), lançará licitações para pavimentação das rodovias que ligam Bonito a Anastácio (MS-345/Estrada do 21), Camapuã a Ribas do Rio Pardo (MS-338), Maracaju a Placa do Abadio (MS-162), Itaquiraí a Porto Santo Antônio (MS-488) e Eldorado a Porto Morumbi (MS-295).

Esses investimentos foram anunciados ainda na 3ª feira (04.mai.2021), durante uma reunião entre Reinaldo Azambuja e o prefeito de Ponta Porã, Hélio Peluffo, onde foram assinados contratos de obras para a cidade de fronteira, com a participação do secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel. 

CORREDOR ECOLÓGICO

Também a compra da fazenda Santa Sofia foi um importante passo, dado por empresários e ambientalistas, na intenção de atrair produtores rurais vizinhos para formar um corredor biológico privado, destinado à conservação e exploração sustentável do bioma, ou seja, pecuária e ecoturismo vão coexistir de modo sustentável.

Localizada em Aquidauana, cerca de 200 km de Corumbá, a Fazenda Santa Sofia é limitada pelos rios Aquidauana e Negro, com 83 quilômetros de margem de rio e corria o risco de ser desmatada por pecuaristas, segundo informou a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) em 15 de outubro de 2020.

Informações da SNA apontam que Santa Sofia foi comprada por oito cotistas. Mário Haberfeld, presidente da Onçafari, é um dos idealizadores do projeto e não revela o valor da compra. Os planos nasceram em agosto de 2020 e a fazenda foi comprada dois meses depois.

Haberfeld conta que o conselho do grupo ainda precisa ser oficializado e será denominado 4P (Pantanal, Preservação, Pecuária e Produtividade), segundo apuração da Agência Folhapress.

O corredor será formado por três fazendas, sendo a Santa Sofia o coração da área de conservação. Ao redor dela estão mais 53 mil hectares do Refúgio Caiman, em Miranda (MS), de Roberto Klabin, e 33 mil hectares da Fazendinha, de Teresa Bracher, em Aquidauana. Nesse espaço encontram-se 263 espécies de peixes, 463 de aves, 123 de mamíferos, 85 de répteis, 35 de anfíbios e mais de 1.000 espécies de árvores e plantas.

Se for considerada a soma com a área do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, com 78,3 mil hectares, o corredor biológico, entre iniciativa pública e privada, já chegaria a 405,3 mil hectares.

Corredor Ecológico
Graças a essa iniciativa, o espaço de 34 mil hectares da Santa Sofia, dos quais 32 mil ainda têm vegetação nativa, foi salvo de perder metade de sua cobertura vegetal, diante de uma mudança na legislação de Mato Grosso do Sul e o desejo de quem a comprasse.

Vale ressaltar que, em 2019, pelo menos metade da área da Santa Sofia foi atingida pelos incêndios, sendo necessário reparos em pontes afetadas pelo fogo. Como parte da mudança, quem trabalha na fazenda passará por treinamento para integrar a  brigada rural de combate a incêndios florestais, que é desenvolvido pelo Instituto SOS Pantanal e demais parceiros.

PONTOS DE PROSPERIDADE

Mário Haberfeld revelou que o "Boston Consulting Group (BCG) ofereceu consultoria gratuita, além de elaborar relatório em que trata de como a fazenda de produtores vizinhos integrantes do corredor ecológico pode gerar receita.

Iniciativas como turismo, fomento à pesquisa, aluguel de pastagens nativas para pecuária extensiva e venda de créditos de carbono, diversificando culturas além das tradicionais, como criação de gado e produção agrícola são alternativas para esses produtores.

Essa compra está com as discussões adiantadas com outros 15 produtores rurais, o que soma 327 mil hectares. Mesmo que todos esses não estejam interligados entre si, a intenção é fechar o corredor, formando a unidade de conservação, sendo que o desafio é atingir a meta de 600 mil hectares ainda esse ano.

Roberto Klabin, empresário proprietário do Refúgio Caiman, é um dos fundadores da SOS Pantanal e diz que existem grande possibilidades de diversificar a economia e ainda fortalecer a preservação através dessa iniciativa.

"Na minha visão, tem que dar segundo passo, olhar o Pantanal e a vocação dele de turismo de fauna selvagem; é preciso repensar maneiras de conservar o Pantanal, mostrar que essas propriedades podem desenvolver projetos multifunção", argumentou.

ENTRAVES

No caminho da construção deste corredor, as burocracias do sistema público freiam a continuidade das ações. No último mês de 2020, o governo de MS assinou com o BNDES para finalmente iniciar estudos de viabilidade da concessão de cinco unidades de conservação, entre elas o Monumento Gruta do Lago Azul, em Bonito.

Via Ministério do Turismo também segue o estudo para concessão do Parque Estadual do Pantanal Rio Negro, conectado ao corredor privado de conservação.

Segundo apurado pela Folhapress, o estudo está sendo feito em parceria com Ministério do Meio Ambiente e ICMBio e o próximo passo, antes da contratação dos estudos de viabilidade, é a qualificação do ativo no PPI, afirma o Governo Federal.

Hoje, apenas 14% dos 78,3 mil hectares da área estão em situação regular, ou seja, aquela que já pertence oficialmente ao parque, após a desapropriação e indenização dos produtores rurais.

Ricardo Senna, que é secretário-adjunto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de MS (Semagro), confessa que o processo é demorado, já que a área pode tanto ser parte de inventário como também ter diversos donos.

Na fala do secretário-adjunto, isso não impede porém que avancem o estudo e concretização da concessão, no espaço permitido. "A empresa só vai poder fazer os atrativos –trilhas, observação de pássaros, o que seja– dentro da área regularizada, à medida que vai regularizando, vai avançando", explica Ricardo.

Ele defende que essa situação acontece em outros parques pelo país, mas que a ação do grupo pode contribuir com a iniciativa do poder público. "Aumentar esse corredor é importante para a conservação e manutenção da biodiversidade", finalizou. 

** (Com informações SNA; Governo do Estado de MS e Folhapress)