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sexta, 05 de junho de 2020

"PIBINHO"

Deixou de piorar, diz Delfim Netto sobre o crescimento do PIB

Ex-ministro explica que, apesar de afastado o risco de recessão técnica, a reforma da Previdência não é suficiente para o país retomar um crescimento sólido

Por: Victor Irajá - VEJA29/08/2019 às 09:45
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Economista e ex-ministro da Fazenda, Delfim NettoEconomista e ex-ministro da Fazenda, Delfim NettoFoto: Germano Luders/Exame

 ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto classificou o resultado do crescimento do PIB no segundo trimestre como “um alívio” para os investidores e para o governo. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, 29, a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2019, em comparação com os três primeiros meses do ano. Para ele, uma queda agora, ainda pequena, levaria empresários e investidores a perder a confiança na possibilidade de uma retomada no horizonte. “Do ponto de vista, digamos, emocional, se tivéssemos registrado queda, teríamos uma abstração de economistas, que diriam que estamos em um processo recessivo”, afirmou.

Os resultados foram impulsionados pelos bons índices da indústria, que avançou 0,7%, e pelos serviços, que tiveram alta de 0,3% em relação ao primeiro trimestre, segundo o IBGE.

“Um crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano passado significa uma alta de entre 0,2% e 0,3% per capita, uma tragédia diante do desemprego amazônico que enfrentamos”, analisa Delfim. “Desde 2016 continua a mesma coisa: deixamos de piorar.”

O ex-ministro entende que as reformas tributária e da Previdência – qualificadas de importantíssimas por ele – não serão suficientes para a retomada dos investimentos. Delfim explica que os efeitos das alterações previdenciárias “são nulos nos próximos três anos” e que o investimento só virá quando o país gerar segurança jurídica para o investidor.

“Só vamos voltar a crescer com duas condicionais: investimento e exportações”, crava – o que, segundo ele, é prejudicado pelo embate de tarifas protagonizado por Estados Unidos e China, apesar de a retomada da economia brasileira depender, segundo ele, de fatores internos para colher bons resultados. “O dinheiro está disponível, está aqui dentro. Apesar desta absurda guerra entre os Estados Unidos e a China, existem bons projetos de infraestrutura, como investimentos em rodovias e as privatizações.”

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