30 de outubro de 2020
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Indea confirma clinicamente caso de varíola bovina em Mato Grosso

Médicos veterinários do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT) confirmaram clinicamente a doença varíola bovina em um animal em São José dos Quatro Marcos, município da região Sudoeste do Estado. Também foi confirmado que um produtor foi contaminado pelo vírus. 12953062 Em cinco hectares, o produtor Ordalei Geraldi Benato possui 20 cabeças de vacas leiteiras, metade delas foram contaminadas pelo vírus da varíola bovina. Benato está se recuperando dos sintomas da doença. Ele conta que teve febre alta e precisou ser medicado. – A doença surgiu em uma das vacas que eu tiro leite. Lembro que eu tinha um machucado em uma das mãos e tirei leite no dia. Tive febre e muita dor de cabeça – relata o produtor. O foco da doença foi notificado ao Indea no começo de maio. Os veterinários do órgão confirmam a doença e afirmam que todas as medidas necessárias para evitar a propagação do vírus foram tomadas. – Clinicamente, quando a gente atendeu o foco, foi confirmada a varíola bovina, mas nós temos que fazer a coleta do material, para fazer um exame laboratorial e diferenciar da febre aftosa. O resultado ainda não saiu, mas clinicamente está confirmada varíola bovina. Fizemos a visita e olhamos os animais que apresentavam lesões. A propriedade foi interditada para trânsito de animais – explica a médica veterinária do Indea, Silvia Prestes dos Santos. Enquanto os resultados dos exames não ficam prontos, a propriedade é constantemente visitada pelos fiscais do Indea. O produtor ainda não sabe a origem da doença no seu rebanho. – Acredito que veio de fora, de outro gado. Como o Indea me informou, pode ter vindo do latão de leite de outra propriedade, que pode ter infectado o tambor de leite. Algum vizinho que tenha a doença na propriedade por coincidência passou para o meu gado. É a primeira vez que surge esse problema na minha propriedade – diz Benato. Varíola bovina A varíola bovina é uma zoonose e se manifesta através de feridas no úbere das vacas e na boca dos bezerros que estão em amamentação. Os animais contaminados não precisam ser abatidos. Produtores rurais que ordenham as vacas também podem se infectar com o vírus. Os médicos veterinários garantem que não existe risco de morte nem ao animal e nem ao ser humano. – Apesar de ser uma zoonose e produzir alguns sintomas como febre, as chamadas ínguas nos seres humanos e até eles desenvolverem as feridas nas mãos. É uma doença que a característica do contágio dela, é passando realmente de contato – explica o médico veterinário, Alceu Ferreira dos Santos. Santos trabalha no escritório regional de Araputanga, município vizinho a São José dos Quatro Marcos. Ele conta que vem acompanhando o caso de longe, mas já viveu esse problema na região em 2012. Naquele ano foram mais de 27 casos confirmados. Segundo Santos, deu muito trabalho para controlar a doença na época. Por ser uma doença que pode ser transmitida para os seres humanos e que afeta a produtividade do gado leiteiro, o clima de preocupação já toma conta de produtores rurais e laticínios da região. – É uma questão de saúde pública. As empresas precisam estar ligadas, porque os produtores dessas regiões trabalham a maioria com o leite. É uma doença muito preocupante para região. Os órgãos de defesa do Estado, em conjunto com as empresas produtoras de leite e sindicatos, devem fazer o combate dessa doença – diz o gerente de desenvolvimento rural da Cooper Nordeste, Márcio Muniz. O diretor de sanidade animal do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPN) minimizou a preocupação com este foco de varíola bovina. Segundo Sebastião Guedes, a doença é de fácil tratamento e não representa preocupação para a pecuária brasileira. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que esse assunto deve ser tratado pelo Estado e que não é motivo de preocupação. RuralBR