18 de junho de 2021
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PREÇO | CONSUMIDOR

IPCA de abril sobe 0,46% na Capital e "despesas pessoais" foi única queda

Maior impacto e variação foram registrados no grupo de "alimentação e bebidas", que recupera-se de recuo do mês de março

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Responsável por medir a variação de preços de produtos e serviços para o consumidor final, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril em Campo Grande indicou uma variação mensal de 0,46%, valor que é 0,50 ponto percentual abaixo da taxa do mês anterior (0,96%).

Nacionalmente, pressionada pela alta nos preços dos produtos farmacêuticos, a inflação de abril ficou em 0,31%, abaixo da registrada em março (0,93%).

Desde 1979 o IPCA é produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e, segundo dados da Agência IBGE Notícias, no Brasil, o índice foi de 0,31% em abril e no ano, acumula uma alta de 2,37% e, em 12 meses, 6,76%. Já para Campo Grande esses números registram uma alta de 2,90% no ano e, em 12 meses de 9,22%, acima dos 8,24% registrados anteriormente.

De acordo com o Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), o maior impacto e variação foram registrados no grupo de "alimentação e bebidas", 1,22% e 0,26 ponto porcentual. Essa mesma categoria havia apresentado um recuo de -0,96% no mês de março.

Em seguida, a maior variação (0,81%) registrada foi para a "saúde e cuidados pessoais", acelerando em cima do 0,35% anotado no mês anterior.

"Habitação" passou de 0,66% em março para 0,13% em abril, enquanto "Despesas pessoais" foi o setor que registrou a única queda (-0,07%), depois de consecutivas altas de 0,29% e 0,34% em fevereiro e março. Demais grupos ficaram entre o 0,11% de Transportes e Comunicação e o 0,62% de Artigos de
residência.

Dentro de "alimentação e bebidas", a alta de 1,22% de um mês para outro (dos -0,96% registrados em março), é explicada pela alimentação no domicílio (1,52%), que havia recuado (-1,26%).

As carnes, que acumulam alta de 34,52% nos últimos 12 meses, foram as que mais contribuíram (0,03 p.p), com alta de 4,12%. É seguida pelo tomate (5,49%), sal e condimentos (4,03%), o frango em pedaços (3,63%) e a cebola (3,55%).

No lado das quedas, as frutas (-3,34%) foram o principal destaque, contribuindo com -0,03 p.p. no índice do mês

Pedro Kislanov é gerente da pesquisa e aponta que, diante da alta de 34,52% dos últimos 12 meses, as carnes tiveram preços aumentados, em parte pela inflação o de custos por causa da ração
animal.

“Estamos em um momento em que há uma grande alta no preço das commodities. Nesse caso, principalmente a soja e o milho estão impactando os custos do produtor e isso acaba influenciando o preço final do produto no mercado”, diz Pedro.

GASOLINA E TRANSPORTE

Depois da queda de maio de 2020, o grupo de transportes registrou seu 11º aumento seguido (0,11%). No subitens, a maior alta foi causada pelas passagens aéreas (10,67%), impactando o índice em 0,015p.p. Ainda assim, a maior influência para cima veio do "conserto de automóvel", que impactou o índice em 0,040p.p., tendo subido 1,7% no mês.

Gasolina tem um peso dentro da cesta de itens que o campo-grandense consome, e registrou queda (-0,73%) e impacto negativo no índice de -0,063p.p, sendo o subitem com impacto negativo mais significante.

Entretanto, segundo a pesquisa, é preciso considerar que a gasolina acumula aumento de 35,34% nos últimos 12 meses, tendo acumulado 20,62% somente esse ano.

Já a maior queda fica por conta do "transporte por aplicativo" (-12,2%), com impacto de -0,02373p.p e apresenta a maior queda dentro do grupo para o ano de 2021 (-33,91%), tendo acumulado -
18,77% nos últimos doze meses.

O que também apresentou recuo foi "habitação", 0,13% registrado em abril, sendo que no mês anterior apontou 0,66%, com valor acumulado no ano de 1,61%.

Nessa categoria, os maiores impactos vieram de "mudança" (4,08%), "amaciante e alvejante" (4,03%) e cimento (2,90%). A desaceleração no grupo está relacionada, principalmente, à alta menos intensa do gás de botijão (0,97%) frente a março (4,25%) e ao recuo nos preços da energia elétrica (-0,82%), que haviam subido 0,65% no mês anterior.

Variação negativa da energia elétrica em Campo Grande, acontece por conta da redução nas alíquotas de impostos. Os únicos subitens que apresentaram queda foram material hidráulico, com -2,17%, energia elétrica, como visto acima, com -0,82% e o condomínio, com -0,42%.

DESTAQUE

Saúde e cuidados pessoais se destacaram no índice nacional, como leve aumento na Capital e, de 0,35% para 0,81% em abril. Destaque para "produtos farmacêuticos" (1,18%), em seguida vieram a
higiene pessoal (0,97%) e o plano de saúde (0,74%).

"Artigos de residência" manteve  o crescimento de março (0,17%), apresentando alta de 0,62% para abril em Campo Grande, influenciando o índice em 0,027p.p. para cima.

Semelhante ao mês anterior, a maior alta foi registrada no subitem computador pessoal (3,72%), porém, a maior influência positiva no índice veio do subitem televisor (1,6%), que o influenciou em 0,015p.p. Nos últimos 12 meses, computador pessoal acumula
aumento de 19,91% e televisor, de 28,56%.

Despesas pessoais desaceleram em abril (-0,07%) em Campo Grande, após um ensaio de retomada em março (0,34%). A variação ao mês foi influenciada pelo recuo nos preços dos subitens "bicicleta" (-3,17%), "hospedagem" (-2,78%) e "pacote turístico" (-2,76%).

No lado das altas, os destaques foram alimento para animais (2,94%) e tratamento de animais em clínicas (2,32%).

"Vestuário" apresentou aumento de 0,3%, que causou impacto de 0,014p.p. no índice. "joia" foi o subitem que apresentou maior aumento do grupo (3,64%), bem como o maior impacto (0,015p.p.) no índice, acumulando aumento de 16,07% nos últimos 12 meses.

DESACELERAÇÃO

Após histórico de consecutivas altas - em  março (0,62%) e fevereiro (3,74%) - o grupo "Educação" registrou desaceleração esse mês. Os preços do subgrupo cursos, leitura e papelaria (0,26%) e do subitem autoescola (-0,30%) recuaram no mês de abril.

No lado das altas, os destaques foram para os subitens caderno (3,52%) e atividades
físicas (2,13%).

Já a Comunicação apresentou variação de 0,08%, a nível Brasil, e de 0,11% em Campo Grande. Aqui, esse número é fruto direto do resultado do "Aparelho telefônico", que passou de alta de 1,15% em março para queda de 0,61% em abril.