22 de janeiro de 2021
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Disputa por terras é principal entrave para crescimento do agronegócio

O plano agrícola e pecuário para a safra de 2014/2015 irá contar com R$ 156,1 bilhão para o financiamento da produção. O pacote de recursos foi anunciado hoje pela presidente Dilma Rousseff (PT). Embora, o aumento em relação á safra anterior seja de 15% em relação ao capital disponível para investimentos, os produtores rurais ainda  buscam melhores condições para fomentar a produção no campo e afirmam que só aumentar o valor de recursos federais não resolve o problema da produção agropecuária brasileira.

Para o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia, os juros propostos hoje, que variam entre 4% e 6,5%, poderiam ser melhores, mas no momento é o que a União pode liberar.

Para o presidente, é muito diferente comparar os juros de comércio, que um cidadão comum pega na rede bancária com os juros do agronegócio, pois o plano safra é subsidiado e quando trata-se de um segmento estratégico, no caso, o agro, o juro deve ser convidativo, pois a produção é um setor de risco.

Em relação ao aumento de créditos, Chico Maia ressalta que embora seja um valor considerável, os produtores usam da melhor tecnologia para produzir ao máximo, independente dos valores dos juros. Ele lembra que, hoje, o maior investimento é em relação à adubação e aos defensivos agrícolas. “Esse é um problema sério, pagamos muito caro por esses defensivos e adubos  e isso aumenta o custo da produção”, afirmou.

Chico Maia fez uma análise do crescimento do setor durante os últimos dez anos. Para ele, a diminuição dos juros, que antes variavam de 8,75% a 10,75% ao ano, e hoje giram em torno de 4% e 6,5%, assim como o aumento no valor geral de créditos liberados foi um dos fatores responsáveis pelo crescimento do agronegócio, que se firmou no país como a grande força economia brasileira. O presidente da Acrissul também ressalta que, dez anos atrás, o produtor enfrentava difíceis situações, mas hoje, com os incentivos de crédito e com o crescimento do mundo e da população e a facilidade de acesso às tecnologias voltadas para o mercado do agronegócio, houve um crescimento na produção.

Mesmo diante de avanços no que se refere à tecnologia e investimentos econômicos, o agronegócio ainda enfrente um grande problema, que, aparentemente está longe de se resolvido. Chico Maia relembra que a instabilidade no campo devido aos conflitos entre índios e produtores rurais pela posse de terras é o principal entrave pra o desenvolvimento do setor agropecuário do Brasil. “No sentido de crédito, liberação de recursos e abertura de mercados não tivemos problemas, o grande problema  é a questão ideológica no direito de propriedade, isso gera intranquilidade”.

Essa intranquilidade refere-se às questões que envolvem índios e quilombolas. Segundo o presidente da Acrissul, a iminência de conflitos por posse de terras gera uma instabilidade jurídica no campo, pois não há garantias para o produtor rural. “O fator dos juros não é o que limita os produtores, a grande questão é a falta de garantias e a instabilidade jurídica referente aos índios, quilombolas, fora isso, o governo tem investido positivamente no agro ”, garante. Embora o problema ainda não tenha sido solucionado, Maia se mostra otimista e confiante nos encaminhamentos promovidos pelo governo federal. Ele afirma que todos os produtores rurais estão esperançosos, pois houve um grande avanço nos encaminhamentos do governo quando refere-se a esse assunto. “O governo resolveu que vai comprar a Buriti pelo valor de mercado e não só pelo valor das benfeitorias, isso já está decidido. Acredito que esse assunto seja solucionado antes das eleições, já que os estudos estão sendo concluídos”. Comentou o presidente, referindo-se a região do Buriti, onde há mais de 30 propriedades ocupadas por índios. Maia frisou que o produtor rural nunca foi contra a demarcação de terras indígenas. “ A nossa luta sempre foi em relação ao pagamento, que se pague um valor justo para que o produtor organize sua vida em outra direção”, finaliza.  

Tayná Biazus