14 de junho de 2021
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Pecuária sustentável do Pantanal reúne representantes dos setores produtivos da carne

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Um grupo de representantes de diversos segmentos especializado em produção e comercialização de alimentos orgânicos sustentáveis se interessou pela produção pecuária desenvolvida na região da Planície Pantaneira, que alia o desenvolvimento econômico com a preservação da cultura local, da biodiversidade e dos recursos naturais durante o “Dia de Campo pecuária Sustentável do Pantanal na Prática”, promovido pela Embrapa Pantanal e parceiros.

O evento foi realizado no dia 30 de outubro, na fazenda São José  próximo de Aquidauana e reuniu um grupo de produtores rurais da região pantaneira, pesquisadores, membros de ONGS ambientais com representantes de instituições financeiras e empresas do setor alimentício que tiveram a oportunidade de conhecer, na prática, o funcionamento da cria e recria de bovinos em uma fazenda certificada para produção de carne sustentável e orgânica.

FPS

Durante o evento, a Embrapa Pantanal apresentou a tecnologia FPS (Fazenda Pantaneira Sustentável), ferramenta para avaliação e monitoramento da sustentabilidade das fazendas pantaneiras desenvolvida por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Embrapa Pantanal e Informação tecnológica. A pesquisadora responsável pelo projeto, Sandra Aparecida Santos explicou aos presentes como o software foi desenvolvido e suas inúmeras aplicações.

 “Após 10 anos de estudos definimos os principais aspectos a serem considerados na avaliação da sustentabilidade de uma fazenda pantaneira dentro das dimensões ambientais, econômicos e sociais. Para cada aspecto foram definidos indicadores práticos e holísticos que são obtidos no campo e imagens de satélite. Os dados obtidos são processados em planilhas e serão inseridos no software FPS, que por meio da tecnologia fuzzy apresenta resultados numa escala de 1 a 10 ou classes pré-definidas como Bom, Regular e Ruim na forma de gráficos em radar. Nestes é possível avaliar os pontos da propriedade que precisam ser melhorados ou adequados para atender aos padrões exigidos pelo mercado para que uma fazenda seja considerada sustentável”.   Além da avaliação da sustentabilidade dentro da fazenda, a ferramenta também avalia indicadores relacionados com políticas públicas como vias de acesso, comunicação, educação, saúde, entre outros.

Segundo a pesquisadora, com o software o produtor também possui a possibilidade de obter uma certificação. “A ideia é que a carne originária do Pantanal seja valorizada pelo mercado, já que ela tem um grande diferencial: é produzida em um sistema próximo do natural, com base em pastagens nativas que contribui para a conservação do meio ambiente”.

Mercado

A outra palestra apresentadas durante o evento foi a de Reginaldo Morikawa, diretor Superintendente da Korin, empresa que produz e distribui produtos naturais e orgânicos, e que já está revendendo carne sustentável produzida no Pantanal. Durante sua fala, Reginaldo apresentou as diretrizes e fundamentos da empresa e sobre o mercado de carne sustentável e orgânica, que de acordo com os dados obtidos pela empresa, cresce a cada dia.

“Temos notado que a resposta do consumidor em relação a carne sustentável e orgânica é muito boa e percebemos uma carência no mercado para este público exigente. A carne produzida nas fazendas da região do Pantanal vem suprir uma lacuna existente atualmente:  um produto saudável e de qualidade, com apelo ecológico e social.  A nossa empresa veio nste dia de campo em busca de potenciais fornecedores desta carne: o pecuarista pantaneiro”, revelou Morikawa.

A Korin já é empresa parceira da ABPO (Associação Brasileira de Produtores Orgânicos e do GTPS (Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável).

Dany Nascimento