21 de outubro de 2021
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INADIMPLÊNCIA

Pesquisa Datafolha mostra que 45% dos brasileiros têm contas em atraso

Região Centro-Oeste está, ao lado da Norte, entre as taxas mais altas de inadimplência, cerca de 53% da população

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Entre os dias 13 e 15 de setembro foi realizada mais uma rodada da Pesquisa Datafolha, com o resultado de que 45% dos brasileiros atualmente têm alguma conta em seu nome, sendo as dívidas com cartão de crédito as maiores responsáveis, cerca de 25% do total. 

Ainda, as contas de luz em atraso aparecem em segundo lugar, citada por 22% dos entrevistados, seguida pela de água, por 16%. 

No quesito inadimplência por região, a taxa mais alta está no Norte/Centro-Oeste (53%), seguido por Nordeste (48%), Sudeste (42%) e Sul (36%).

O cartão é historicamente a modalidade de crédito bancário com maior nível de inadimplência. Já a conta de energia elétrica subiu 21% nos 12 meses encerrados em agosto, mais que o dobro do índice de inflação ao consumidor (IPCA), em quase 10%. Em grande parte, por conta do acionamento de usinas termelétricas, que são mais caras, para compensar a falta de geração hidrelétrica provocada pelo baixo nível dos reservatórios do país.

Outras despesas incluídas no questionário aparecem com os seguintes percentuais: aluguel ou prestação de imóvel, 11%; gás, 8%; mensalidade de escola ou faculdade, 6%; prestação de automóvel ou motocicleta, também 6%; plano de saúde, 5%.

Segundo a pesquisa, as mulheres (49%) estão mais endividadas que os homens (40%), e pessoas negras (53%) mais que brancos (35%).

Também se destaca o percentual de inadimplentes entre desempregados à procura de emprego (62%), assalariados sem registro (50%), pessoas de 25 a 44 anos (53%) e aquelas com renda de até dois salários mínimos (54%).

De acordo com a Serasa, a inadimplência em contas básicas, como energia, água e gás, representa 22% do total de débitos em maio.

Além da alta de energia, o brasileiro também enfrenta aumento dos juros bancários, encarecimento de outras contas de consumo, alta de gás e combustíveis e reajustes de planos de saúde e de aluguéis.

Isso tem contribuído para aumentar o custo de vida, o que afeta a popularidade do governo federal e gera reações por parte do Congresso, como mostra proposta para mudar a correção dos aluguéis e para subsidiar a compra de botijão de gás para famílias de baixa renda.

No caso do aluguel, o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), referência para o reajuste de contratos de locação, acumulou avanço de 31,12% em 12 meses até agosto.