23 de outubro de 2021
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Pesquisa revela: Inadimplência em Campo Grande aumenta em janeiro

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Os campo-grandenses estão mais inadimplentes em 2016 em relação ao ano passado. Segundo o boletim produzido pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) para estudar os índices de inadimplência na Capital em janeiro, houve mudanças significativas de tendência em comparação com o mês de dezembro. O Índice de Negativação do Comércio (INC) apresentou aumento no número de negativações, enquanto o Índice de Recuperação do Crédito (IRC) apontou queda na quitação de dívidas.

O Índice de Negativação do Comércio encerrou o mês de janeiro em 307 pontos, representando mais que o dobro do índice registrado no mesmo período de 2015, que foi de 154 pontos. O dado superou também o mês de dezembro, que registrou 219 pontos. “Nos primeiros 16 dias de janeiro, o comportamento do indicador foi bastante semelhante a 2015, entretanto, nas duas últimas semanas o crescimento foi explosivo. Podemos analisar que uma das causas desse movimento é o término dos recursos adicionais provenientes do 13º, e a partir daí as famílias não tiveram condições de honrar seus compromissos, resultando em um aumento nas negativações registradas”, analisa o economista da ACICG, Normann Kallmus.

Ao contrário do INC, o Índice de Recuperação de Crédito do mês de janeiro alcançou 390 pontos, contra os 121 registrados no mesmo período de 2015, e 103 os em 2014, demonstrando o crescimento significativo, ano a ano, da tendência de consumidores que estão saldando suas dívidas. “O fator preocupante, no entanto, reside na queda em relação a dezembro de 2015, quando o mesmo indicador atingiu 435 pontos. Isso o levou para o mesmo patamar de agosto de 2015, momento no qual as famílias contavam com a perspectiva de receitas adicionais pelo 13º salário”, compara o economista.

Considerando o padrão sazonal dos períodos anteriores, fevereiro costuma apresentar um aumento tanto na recuperação de crédito (IRC) quanto nas negativações (INC). “Com a ocorrência do Carnaval, o aprofundamento da recessão e, em consequência, do desemprego, além da escassez e alto custo do crédito, não deverá apresentar inflexão positiva. A queda sensível do Movimento do Comércio Varejista (MCV/ACICG) do mês de janeiro deverá contribuir para um represamento das negativações (INC), o que não deverá ser considerado como um sinal de melhora nos indicadores. A manutenção do crescimento da inflação reportada no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá, no entanto, atuar pressionando negativamente os orçamentos familiares e, portanto, comprometendo a capacidade de pagamento”, avalia Normann Kallmus.

Recomendações – Conforme o economista da ACICG, recomenda-se fortemente ao empresário “redobrar os cuidados em relação à concessão de crédito, visto que a tendência é de aumento do risco de inadimplência; especial atenção à administração financeira, buscando reduzir a dependência de capital de terceiros; atenção à exposição em moeda estrangeira, visto que a iminente perda do grau de investimento, aliada à tendência de atuação condescendente do Banco Central em relação à inflação, deverá acarretar também uma pressão cambial”.