01 de dezembro de 2021
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ECONOMIA

Petrobras 'naufraga' e perde R$ 70 bilhões em valor de mercado

Em 2000, Hugo Chávez trocou o executivo Hector Civaldini pelo general Guaicaipuro Lameda Montero na presidência da estatal PDVSA, semelhante a como Bolsonaro conduz a política no Brasil, disse o ex-presidente do BC Gustavo Franco

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As ações da Petrobras operam em queda nesta segunda-feira (22.fev), com os investidores vendendo os papéis da petroleira por medo de ingerência política na condução dos negócios. Às 12h15, as ações preferenciais (PETR4) recuavam 19,5% para R$ 22 e as ordinárias (PETR3) caíam 19,96% para R$ 21,62, depois de abrirem em leilão. Com isso, a empresa perdeu quase R$ 70 bilhões em valor de mercado somente nas primeiras horas desta segunda-feira (22).

O efeito ocorre após uma série de falas de Jair Bolsonaro (sem partido) no preço dos combustíveis. O quadro se agravou mais após Bolsonaro indicar do general Joaquim Silva e Luna para o comando da companhia na sexta-feira, 19 de fevereiro. 

O atual diretor da companhia, Roberto Castello Branco, foi demitido na sexta-feira e o presidente do Brasil fez um post em redes sociais, para comunicar que o novo chefe da estatal é Joaquim Silva e Luna, diretor-geral da Itaipu Binacional e ex-ministro da Defesa no governo Temer (MDB). 

Minutos após o anúncio da troca, o ex-presidente do BC Gustavo Franco tuitou: “Boa tarde, Venezuela.” A comparação faz sentido. Em 2000, Hugo Chávez trocou o executivo Hector Civaldini pelo general Guaicaipuro Lameda Montero na presidência da estatal PDVSA.

O mandato de Castello Branco se encerraria em março. O conselho de administração deve se reunir na terça-feira para discutir a troca. 

A Petrobras, por meio de fato relevante, afirmou que recebeu o ofício para a substituição do governo, mas não foi além.

"A Petrobras esclarece que o presidente Roberto Castello Branco e demais Diretores Executivos da
empresa tem mandato vigente até o dia 20 de março de 2021. A Petrobras informa que novos fatos relevantes serão oportunamente divulgados ao mercado", diz a nota.

 “A Petrobras está sob intervenção de militares. O golpe foi executado em detalhes. Ao anunciar que indicava Silva Luna também para ser um dos membros do Conselho de Administração, o governo convocou uma Assembleia Geral Extraordinária. A Lei das S/A de 2001, artigo 141, parágrafo terceiro, diz que sempre que houver a destituição de um membro do conselho todos os outros estão destituídos. Assim, o governo preparou o bote. Se houvesse resistência ao nome do general Luna, entre os seus representantes no Conselho de Administração, todos os nomes restantes seriam trocados. À noite, o governo informou que os reconduzia. Contudo, ficou sobre eles a espada. Bolsonaro é inimigo do liberalismo econômico e derrubou o valor da ação da Petrobras. Mas isso se recupera no futuro. O bem mais caro que Bolsonaro ameaça é a democracia. O país sabe o alto preço que pagou por ela.”, disse a jornalista Míriam Leitão, do O Globo.  

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estuda abrir um processo para avaliar se a troca feriu as regras do mercado. Embora tenha sido anunciada somente a após o fechamento do pregão de sexta, a mudança havia sido ventilada na véspera por Bolsonaro, fazendo com o valor de mercado da companhia encolhesse em R$ 28 bilhões no último dia da semana.

OUTRAS MEDIDAS 

O intervencionismo de Bolsonaro não deve parar por aí. Ele prometeu “botar o dedo o setor elétrico” e forçar a redução nas contas de luz usando R$ 70 bilhões de um fundo setorial e tributos federais. O objetivo é turbinar sua popularidade com vias à reeleição.

Apesar de a intervenção na Petrobras ser uma afronta direta ao ideário liberal que defende, Paulo Guedes não deve deixar o governo. Pelo menos não agora. Pessoas ligadas ao ministro da Economia dizem que ele prefere aguardar a votação de medidas de ajuste fiscal. Deixar um legado de controle nos gastos públicos seria uma saída honrosa para Guedes, afirmam auxiliares.

*Com Meio.