28 de setembro de 2021
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Economia

Qual a diferença de pilotar um monoposto e um carro de turismo?

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Porsche 911 GT3 de corrida foi um dos modelos de turismo mais velozes que Bruno Baptista pilotou até agora
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Porsche 911 GT3 de corrida foi um dos modelos de turismo mais velozes que Bruno Baptista pilotou até agora

Amigo do iG Carros, estou eu aqui de novo esperando te agradar com mais um assunto que praticamente só um profissional de automobilismo pode te explicar sobre como é a diferença entre pilotar na pista um monoposto Fórmula, no momento em que ele passa a competir também com um carro de turismo, aquele que mais se assemelha ao seu de rua.

Coincidentemente, todos os pilotos brasileiros que mais fizeram sucesso no automobilismo mundial começaram ou, pelo menos, correram um bom tempo no kart. Indo pela ordem cronológica, destacaria o Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna , Gil de Ferran, Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Hélio Castro Neves, Tony Kanaan, Felipe Massa, o Nelsinho Piquet e o Lucas Di Grassi, entre outros.

É claro que, a minha atual carreira não se compara a desses nomes mais consagrados. Não tive a experiência de ter corrido nas principais categorias do automobilismo, como a Fórmula 1 , a Fórmula Indy e a Fórmula E. Mas também ainda sou jovem, chegando nos 24 anos. Aliás, não esquece, na próxima quarta-feira, dia 24, é meu aniversário. Meu presente pode ser você ler a próxima coluna, ok? Ou então passar a me seguir no meu Instagram @brubap.

Lembro que já enfrentei, até com algumas vitórias e bons resultados, pilotos desse elevado nível que irão correr neste Campeonato Brasileiro de Stock 2021. A disputa ia começar no final da semana que vem, na pista do Velopark (RS). Mas por causa da difícil fase de pandemia em Porto Alegre e praticamente em quase todo o país, a prova foi adiada para o próximo dia 25 de abril, em Londrina (PR).

Mas o que eu quero te dizer é que também comecei oficialmente no kart, com 15 anos. Depois de duas temporadas, uma em 2012, quando fui 3º colocado do campeonato paulista e outra no ano seguinte, com um 3º no Brasileiro, ingressei, em 2015, no automobilismo, onde, logo na 1ª temporada, fui campeão sul-americano de Fórmula 4 , nova categoria escola criada pela FIA (Federação Internacional do Automobilismo).

Mas depois de correr quase praticamente cinco anos entre kart, F-4 e F-Renault, em 2017, no ano em que meu tio Rodrigo Baptista foi campeão de Porsche GT3 Cup Challenge Brasil 4.0 da Sprint Series, fui convidado por ele para fazer, paralelamente, algumas provas do campeonato de Endurance daquela categoria de carros de turismo. A nossa dupla disputou a vitória da prova até ter um problema mecânico.

Você viu?

Naquela 1ª corrida com um Porsche 911 GT3 semelhante ao de rua, eu notei que, em termos de pilotagem, não havia muita diferença entre um Fórmula. Mas é notório que pela sua principal característica de construção ser totalmente voltada para utilização na pista, o monoposto tem nas suas asas aerodinâmicas o maior segredo de ficar muito mais grudado no chão, principalmente nas curvas que você pode fazer em velocidades superiores.

Basicamente, sempre existe uma adaptação para qualquer tipo de carro de corrida. Desde o kart . No momento que começa a ser competitivo, com disputas mais acirradas, você busca o limite de até onde pode ir. Muitas vezes as rodas acabam enganchando e isso pode ser perigoso. No Fórmula, então, nem se fala.

Não só pelo risco dos carros se baterem. Qualquer toque muitas vezes acaba desgovernando o carro e isso acaba comprometendo a sua corrida ou o seu treino.Então, a tocada do monoposto tem que ser muito mais limpa, não só falando pela segurança, em primeiro lugar, mas também por conta da performance e da confiabilidade do equipamento.

Bruno Baptista foi  campeão  sul-americano de Fórmula 4, em 2015, quando ganhou experiência com  monopostos
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Bruno Baptista foi campeão sul-americano de Fórmula 4, em 2015, quando ganhou experiência com monopostos

Nos carros de turismo isso muda um pouco, apesar de muitas vezes os toques prejudicarem o alinhamento. É muito comum numa encostada de roda, o volante ficar torto pelo desalinhamento e o carro perder rendimento. Mas, muitas vezes, um toque 100% lateral acaba não prejudicando em nada. Isso demora um pouquinho para o piloto se acostumar. É muito comum alguém que sai do monoposto e entra num Porsche, nas primeiras disputas, ficar um pouco receoso evitando demais os toques.

Na Stock, por exemplo, os carros de ruas que atualmente são representados na pista, não possuem a mesma potência dos motores usados nas corridas, como o do meu Toyota Corolla e o do próprio Chevrolet Cruze , o que causa um certo desconforto entre os seus proprietários. Ao contrário do que ocorre quanto à diferença de um Porsche 911 GT3 de pista e o modelo de rua. As diferenças são grandes, mas não tem nada a ver com motor e sim em relação à preparação da suspensão, dos freios, dos pneus e do peso, entre outros.

O Porsche de corrida é um carro superpreparado. Em termos de dirigibilidade, pela experiência que essa marca alemã adquiriu nas principais corridas de longa duração do calendário mundial, nenhum carro de rua de outra marca importante se compara a esse mesmo carro preparado para corrida. Eu mesmo, em 2017, venci uma 12 Horas de Miami , com um Porsche 911 GT3, correndo também em parceria com meu pai, Adalberto Baptista, no trio de pilotos.

Para quem não sabe, mesmo com toda essa crise mundial de Covid-19, a marca alemã é a fábrica de maior sucesso em crescimento de vendas no momento, até no Brasil. E pelo que já vi lá fora e o que li, o novo Porsche 911 GT3 da geração 992 já nasce como o esportivo aspirado de produção mais rápido de Nürburgring .A volta de 6 minutos, 59 segundos e 9 milésimos que cravou na pista alemã foi 17.5 segundos melhor do que a geração anterior.

Melhor parar por aqui para não ficar preocupado, já que este ano vou ter o Porsche GT3 de pista não jogando a meu favor, mas sim como adversário. Para quem não sabe, vou correr de Mercedes AMG GT3 no prestigiado campeonato Fanatec GT World Challenge Endurance Cup. Pior: sabe onde fica a equipe que me contratou, a Get Speed Performance? Não! Em Nürburgring! Tamo junto, certo?

Não vai querer, agora, depois de toda essa coincidência que abri na minha coluna, fugir da raia, saindo de mansinho e mudando de endereço entre as fábricas alemãs de Stuttgart. Cara, tamo junto e de Mercedes AMG GT3 .

Fonte: IG CARROS