01 de julho de 2022
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PRIVATIZAÇÃO

Realizando sonho de Guedes, novo ministro de Bolsonaro 'pede privatização' total da Petrobras

Sachsida não falou sobre o preço dos combustíveis

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 Adolfo Sachsida, ex-chefe da Assessoria Especial do ministro da Economia, de Paulo Guedes, e ex-secretário de Política Econômica, assumiu como ministro de Minas e Energia, nesta terça-feira (11.mai.22) e como primeiro ato disse que vai buscar as alternativas para desestatizar e privatizar a Petrobrás - isso é, jogar nas mãos do empresariado para livrar Jair Bolsonaro (PL) de resolver a má gestão econômica de Guedes. E é o ministro da Economia quem ganha, pois, cheio de investimentos no exterior, a muitos anos Guedes sonha na privatização a Petrobrás para inflar seus ativos em paraísos fiscais. 

O QUE É ISSO? Privatização é a prática na qual uma empresa ou instituição pública é vendida ao setor privado. Nesse caso, o Estado deixa de gerir uma determinada entidade, passando-a para uma empresa privada.

Apesar de uma fala 'autorizada' por Bolsonaro, Sachsida não falou sobre o preço dos combustíveis que está nas alturas. Ele saiu sem responder os jornalistas após sua fala à imprensa.  

 

A privatização da Petrobras encontrava-se oposição no Ministério,  quando era chefiado por Bento Albuquerque, que acabou exonerado nesta terça.  

"Meu primeiro ato como ministro será solicitar ao ministro Paulo Guedes, presidente do Conselho do PPI [Programa de Parcerias de Investimentos], que leve ao conselho a inclusão da PPSA no PND [Programa Nacional de Desestatização] para avaliar as alternativas para sua desestatização", disse Sachsida.

"Ainda como parte do meu primeiro ato, solicito também o início dos estudos tendentes à proposição das alterações legislativas necessárias à desestatização da Petrobras", completou.

As privatizações no Brasil iniciaram-se na década de 1980 a partir da Comissão Especial de Privatização.

PORQUE PRIVATIZAR? 

Os efensores da prática justificam as privatizações como uma alternativa ao Estado de quitar suas dívidas e melhorar diversos setores, que, em tese, seriam mais bem administrados, podendo então voltar seus esforços para setores de maior carência na gestão pública. Basicamente, quem vê a privatização como algo positivo acredita que o governo não é capaz de atender a todos os setores e geri-los de maneira eficaz.

Muitos acreditam que setores que já foram privatizados, como o das telecomunicações, melhoraram significativamente em relação à oferta dos seus serviços.

Outro argumento é que, ao privatizar, evitam-se negociações que favoreçam determinados grupos políticos e, portanto, combate-se a corrupção. Apesar disso a JBS é uma empresa privada, a Energisa e muitas outras... 

As privatizações estão associadas a instituições como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial, sendo, portanto, práticas impostas por países como os Estados Unidos, que veem nas privatizações boas oportunidades de aumentarem sua dominação perante outras nações, como salienta o bacharel em Relações Internacionais da UFSC Bruno Blume. 

COMO É HOJE? 

A Petrobras é uma estatal de economia mista, ou seja, é uma empresa que possui capital aberto (empresas em que o capital social é formado por ações que são negociadas de forma livre no mercado), mas seu maior acionista é o Governo Federal, como mostramos aqui no MS Notícias, com o aumento do combustível o governo Bolsonaro lucra 23 milhões/h com os ganhos da Petrobras. Foi considerada a empresa de capital aberto que mais lucrou na América Latina. 

E SE PRIVATIZAR?

Aí sai da responsabilidade do governo e passa a ser como uma operadora de telefonia. O povo não poderá mais reclamar ao presidente para abaixar o preço do combustível, aliás, deverá procurar o Órgão de Defesa do Consumidor, pois, após a privatização, somente este será o canal de pressão aos altos preços.  

Caso se acate a privatização, os empresários vão apoiar, pois encheram os bolsos. No mesmo momento, haverá o lado negativo: a passagem de um bem público a uma empresa privada pode significar perda de um patrimônio à população e representar apenas lucro para a empresa. Isso é, nunca mais o Brasil conseguiu ter renda por meio do combustível, apenas empresários, a maioria estrangeiros que vão lucrar, aí está a aposentadoria vitalícia de Paulo Guedes e toda a sua geração.