22 de outubro de 2021
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Recuperação de crédito apresenta melhora no comércio da Capital

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O boletim produzido pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) para estudar a inadimplência na cidade atestou que, no mês de maio, o Índice de Negativação do Comércio (INC), que vinha caindo desde fevereiro, se manteve. O Índice de Recuperação do Crédito (IRC) apresentou alta em relação ao mês de abril, mas ainda permanece baixo se comparado ao mesmo período 2015, explicada pelo fato de as pessoas estarem consumindo e se endividando menos, requisitando assim menos crédito ao mercado.

Metodologia - Considerando que a sazonalidade é uma característica da atividade comercial, tanto o INC quanto o IRC foram desenvolvidos com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. Portanto, os valores acima de 100 pontos são os que ultrapassam a média obtida no ano de 2014, e os valores abaixo de 100 estão aquém da média.

INC - O Índice de Negativação do Comércio apurado pela ACICG (INC/ACICG) encerrou o mês maio em 30 pontos, exatamente o mesmo indicador do mês anterior, e com decréscimo de 76 pontos em relação a maio de 2015, que registrou 106 pontos. “A trajetória de redução desse indicador é persistente, sobretudo a partir de janeiro. Não há nenhuma dúvida em relação às causas desse movimento: com as incertezas derivadas do comportamento da economia, as famílias reduziram severamente o consumo e passaram a priorizar a regularização de seus compromissos, resultando em redução nas negativações registradas”, analisa o economista da ACICG, Normann Kallmus.

Ele diz que o indicador voltou a situar-se nos níveis históricos apresentados antes de 2014 quando, em função da política econômica de incentivo ao consumo, sobretudo no segundo semestre, mudou de patamar. “É fácil perceber que em 2015 os consumidores buscaram equilibrar seus orçamentos no decorrer do ano, diferentemente do que aconteceu no segundo semestre de 2014, início do período em que ficaram evidentes os sinais de queda do desempenho da economia brasileira”, acredita.

IRC – Em maio, o Índice de Recuperação de Crédito (IRC) foi de 100 pontos, contra 71 registrados em abril, e 190 em maio de 2015. A melhora no índice em relação ao mês anterior contou com ajuda da Semana de Conciliação, realizada pela ACICG, e que recuperou mais de R$ 1,3 milhão ao comércio. “Houve um total de 6.467 exclusões do cadastro de inadimplentes. Quando comparado a maio de 2015, o que pode à primeira vista parecer preocupante, visto tratar-se de uma queda significativa de 90 pontos, acaba sendo compensado pelo fato de que a atividade do comércio como um todo também apresentou queda, e a tendência de negativação está ainda mais reduzida. Trocando em miúdos, por estarem se endividando menos, as famílias estão buscando menos recuperação do crédito”, explica Kallmus.

Segundo o economista, embora o estoque da dívida seja decrescente, ainda é considerável em função do comportamento anômalo do final de 2014. “A inflexão ocorrida em janeiro aparentemente foi episódica e relacionada com o fim das festas de 2015. Com a queda do INC e o aumento do IRC, acentua-se a redução do estoque de inadimplentes, melhorando a liquidez do mercado e preparando de forma positiva para uma eventual retomada que, segundo estes indicadores, parece aproximar-se”, completa.

Pontos de atenção – O economista da ACICG alerta que empresário deve estar atento a alguns aspectos que podem se constituir em ameaças ou oportunidades aos negócios nas próximas semanas. “Na esfera federal, a condução da política econômica afasta, pelo menos por enquanto, as condições para discutir-se aumentos ou criação de novos tributos. A equipe econômica apresentada por Michel Temer, como esperado, se caracteriza por técnicos reconhecidos pelo mercado por uma atuação ortodoxa e que defende a redução das despesas da máquina do governo”, ressalta.

Seguindo a previsão do mês de maio, o nível reduzido do Movimento do Comércio Varejista (MCV/ACICG) de junho, deverá garantir um INC em níveis baixos em julho. “O recrudescimento da inflação reportada mais uma vez no IPCA-15 (IBGE) ainda atua como um elemento de risco, pressionando negativamente os orçamentos familiares e comprometendo sua capacidade de pagamento”, lembra Kallmus.

No nível estadual a insistência do governo em justificar o aumento da carga tributária para viabilizar investimentos, continuará trazendo enorme custo para a economia local, o que pode ser claramente verificado a partir da constatação da redução do MCV-PJ já demonstrado. O início do processo eleitoral poderá, no entanto, trazer um bom momento para discussão desse aspecto com as autoridades, sem o que haverá óbvia utilização desse argumento por parte da oposição.

No âmbito internacional, dois aspectos devem estar no radar do empresário: 1. A redução do ritmo do crescimento da China e a demonstração de uma óbvia falta de capacidade de controle do câmbio do Renminbi (Iuan); e 2. A decisão sobre a saída ou não do Reino Unido da União Europeia poderá alterar em muitos aspectos o afluxo de capitais internacionais, desde que o FED (Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos), mantenha as taxas de juros nos níveis atuais. “O mercado externo parece ser a única alternativa para uma mudança nas condições da economia brasileira de forma mais rápida, tanto como alternativa de mercado, via exportação, como através de FDI (Foreign Direct Investment – Investimento Estrangeiro Direto), que deverá ter o fluxo aumentado, entre outras razões, pela autorização de aquisição de terras por estrangeiros”, finaliza o economista da ACICG, Normann Kallmus.

Os boletins com o Índice de Recuperação e de Negativação do Comércio, bem como bem como a pesquisa sobre o Movimento do Comércio Varejista na íntegra podem ser consultados no site www.acicg.com.br.