02 de agosto de 2021
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Safra de grãos deve ficar em 192,5 milhões de toneladas neste ano, diz IBGE

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A sexta estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 192,5 milhões de toneladas, superior 2,3% à obtida em 2013 (188,2 milhões de toneladas), maior 0,1% na comparação com o levantamento de maio de 2014. A estimativa da área a ser colhida em 2014, 56,3 milhões de hectares, apresentou acréscimo de 6,6% frente à área colhida em 2013 (52,9 milhões de hectares) e acréscimo de 0,2% em relação ao mês anterior (56,2 milhões de hectares). O arroz, o milho e a soja, que são os três principais produtos deste grupo, somados, representaram 91,0% da estimativa da produção e responderam por 85,1% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve acréscimos na área de 0,3% para o arroz, 8,6% para a soja e estabilidade na área a ser colhida com o milho. No que se refere à produção, os acréscimos foram de 4,3% para o arroz e de 6,0% para a soja. Para o milho, houve diminuição de 5,3% quando comparado a 2013. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na páginawww.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa.

Regionalmente, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 80,1 milhões de toneladas; Sul, 72,7 milhões de toneladas; Sudeste, 17,2 milhões de toneladas; Nordeste, 17,4 milhões de toneladas; e Norte, 5,1 milhões de toneladas. Comparativamente à safra passada, foi constatado incremento de 3,7% na região Norte, de 45,6% na Nordeste e de 2,1% na Centro-Oeste. As regiões Sul e Sudeste apresentaram, respectivamente, diminuição de 0,5% e 13,0%. Na avaliação para 2014, Mato Grosso liderou como maior produtor de grãos, com uma participação de 24,1%, seguido pelo Paraná (18,5%) e Rio Grande do Sul (16,0%), que, somados, representaram 58,6% do total.

Estimativa de junho de 2014 em relação à produção obtida em 2013

Dentre os 26 principais produtos, 18 apresentaram variação percentual positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: algodão herbáceo em caroço (26,5%), arroz em casca (4,3%), aveia em grão (6,8%), batata-inglesa 1ª safra (8,0%), batata-inglesa 2ª safra (0,9%), batata-inglesa 3ª safra (0,7%), cacau em amêndoa (4,3%), café em grão - canephora (16,9%), cana-de-açúcar (0,3%), cebola (14,0%), cevada em grão (2,7%), feijão em grão 1ª safra (48,7%), feijão em grão 2ª safra (10,6%), laranja (0,9%), mamona em baga (196,9%), mandioca (9,5%), soja em grão (6,0%) e trigo em grão (37,7%). Com variação negativa foram oito produtos: amendoim em casca 1ª safra (19,2%), amendoim em casca 2ª safra (15,9%), café em grão - arábica (12,9%), feijão em grão 3ª safra (10,3%), milho em grão 1ª safra (8,7%), milho em grão 2ª safra (2,9%), sorgo em grão (8,6%) e triticale em grão (3,2%).

Algodão herbáceo (em caroço) - A estimativa de produção é de 4,3 milhões de toneladas, crescimento de 26,5% em relação ao ano anterior. Os produtores aumentaram a área plantada com a cultura em 21,0% em decorrência do preço da arroba do algodão, que reagiu e aumentou depois de dois anos de baixa. O principal produtor é o Mato Grosso, que participa com 58,0% do total nacional (2,5 milhões de toneladas), 33,7% maior que a do ano anterior.

Arroz (em casca) - A produção estimada para 2014 alcança 12,3 milhões de toneladas, 4,3% maior que a de 2013. O Rio Grande do Sul é o principal produtor, devendo responder por 68,1% do total colhido. As áreas de cultivo não apresentam grande variação normalmente, já que são sistematizadas para esse fim, pois predomina a produção irrigada. Os produtores gaúchos nos últimos anos têm trabalhado para elevar o rendimento médio do arroz através da melhoria das técnicas de plantio e dos tratos culturais.

Café (em grão) - A estimativa de junho para a safra nacional de café é de 2.7 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 6,3% em relação à safra colhida de 2013. A previsão de produção para espécie decafé arábica foi mantida em 1.979.070 toneladas. A previsão para a espécie canephora é agora dimensionada em 757.430 toneladas, tendo apresentado acréscimo de 2,1% em relação a estimativa do mês de maio.

Cana-de-açúcar - A produção estimada em 2014 alcança 741,2 milhões de toneladas, 0,3% maior que a obtida em 2013. Embora as lavouras de cana estejam se expandindo para o Centro-Oeste, há de se registrar o clima seco e quente que predominou em janeiro e fevereiro, principalmente em São Paulo, maior produtor nacional e responsável por 54,6% do total, afetando o rendimento da cultura.

Feijão (em grão) - A estimativa de produção em 2014 é de 3,5 milhões de toneladas, aumento de 21,0% em relação ao ano anterior, mostrando recuperação. Essa produção deverá ser suficiente para suprir a demanda interna, que gira em torno de 3,5 milhões de toneladas. O aumento da produção se deve ao preço, que aumentou em decorrência da queda da produção em 2013 em função das baixas produções no Nordeste, com severas secas em 2012 e 2013.

Laranja - A estimativa de produção de laranja em 2014 alcança 16,4 milhões de toneladas ou 402,9 milhões de caixas, aumento de 0,9% em relação a 2013. São Paulo, principal produtor, responde por 72,0% da produção.

Mandioca (raízes) - A produção da mandioca está se recuperando em 2014, com crescimento de 9,5%. Estima-se que o país deva colher 23,2 milhões de toneladas, havendo um aumento de 10,8% na área plantada. A produção cresce 22,6% no Nordeste, em decorrência do clima chuvoso que nos dois anos anteriores, quando muitas regiões produtoras sofreram com a seca. No Centro-Oeste e no Norte, a produção está crescendo 8,6% e 6,2%, respectivamente.

Milho (em grão) total - A produção esperada é de 76,3 milhões de toneladas, queda de 5,3% em relação a 2013. A queda da produção do milho 1ª safra alcançou 8,7% em relação a 2013. A produção do milho 2ª safra apresenta queda de 2,9% em relação ao ano anterior. Essa base de comparação é elevada, já que, em 2013, a produção do milho 2ª foi recorde em decorrência do clima muito favorável e do preço, que subiu devido à quebra da safra americana.

Soja (em grão) - A produção estimada alcança 86,6 milhões de toneladas, aumento de 6,0% em relação a 2013. Os produtores investiram no plantio da leguminosa aproveitando-se do preço compensador praticado pelo mercado. Mato Grosso é o principal produtor, participando com 30,4% do total, seguido por Paraná (17,1%), Rio Grande do Sul (15,1%), Goiás (10,2%) e Mato Grosso do Sul (7,3%).

Sorgo (em grão) - A produção de sorgo deve alcançar 1,9 milhões de toneladas, queda de 8,6% em relação a 2013. Esse cereal é utilizado na fabricação de rações e, portanto, concorre com o milho, que apresenta normalmente preços melhores. Quando o clima é favorável no Centro-Oeste, região responsável por 63,7% da produção, os produtores priorizam o plantio do milho em detrimento do sorgo, que é preferido quando o clima está mais seco em função de sua rusticidade e maior tolerância à falta de água no solo.

Trigo (em grão) - A produção de trigo está crescendo 37,7% quando comparado com 2013, devendo alcançar 7,9 milhões de toneladas. O sucesso das lavouras é atribuído ao clima favorável no Paraná e no Rio Grande do Sul, principais produtores. A produção do Paraná está apresentando um crescimento de 113,8% em relação a 2013, quando o estado sofreu com o clima frio e a ocorrência de geadas. Contudo, as lavouras ainda estão no início do ciclo e sujeitas às intempéries climáticas, notadamente mais frequentes nas encostas descampadas e áreas mais elevadas e mais frias. As recentes chuvas nesses dois estados não repercutiram na produção, visto que as informações normalmente são coletadas na primeira quinzena do mês.

Destaques na estimativa de junho em relação a maio de 2014

Na comparação com maio de 2014, destacaram-se as variações nas seguintes estimativas de produção: sorgo (2,2%), café canephora (2,1%), feijão 3ª safra (1,4%), trigo (0,9%), milho 1ª safra (0,3%), mamona (-34,9%), feijão 1ª safra (-1,2%), algodão herbáceo (-0,9%), feijão 2ª safra (-0,6%), milho 2ª safra (-0,3%), arroz (-0,5%) e café arábica (-0,2%). O excesso de chuvas na região Sul não provocou revisões significativas nas estimativas de produção dos principais produtos da safra de inverno: milho 2ª safra, trigo, centeio e cevada. O excesso de chuvas teve consequência para a cultura do feijão, com reduções no rendimento médio previsto no Paraná e em Santa Catarina.

IBGE