10 de agosto de 2020
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Ano do centenário pode ampliar reviravolta do Santa Cruz

Agência Terra

Em um Arruda lotado, mais de 60 mil pagantes foram assistir à volta do Santa Cruz à Série B. E o Santa Cruz não decepcionou. Após um enredo de 90 minutos de luta e dor, os torcedores foram premiados com o acesso depois de dois gols marcados pelos atacantes André Dias e Flávio Caça-Rato e defesas salvadoras do goleiro Tiago Cardoso. Mas nas arquibancadas as faixas da maior torcida organizada continuavam de cabeça para baixo: Inferno Coral?

Em 2005, o Santa Cruz venceu a Portuguesa por 2 a 1, no Arruda, e retornou à Série A do futebol brasileiro. Mas o ano seguinte seria marcado por uma campanha desastrosa na Série A. Com apenas 28 pontos em 38 jogos, o time tricolor caiu para a Série B com uma das piores campanhas da história na elite do futebol brasileiro. A partir daquele momento começaria a mais sofrida página da sua história.

Foto Divulgação

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Nos dois anos seguintes, o Santa Cruz foi rebaixado da Série B e na terceira divisão não conseguiu nem mesmo ficar entre os 20 primeiros colocados, passando então para o grupo das equipes que inaugurariam em 2009 a Série D do futebol brasileiro. E teve seu pior momento quando foi eliminado na primeira fase da quarta divisão do futebol nacional. Em 2010, os tricolores tiveram de disputar a vaga para o Brasileiro no Pernambucano. Ali começou o trabalho de retorno à elite.

Em 2011, ao empatar por 0 a 0 com o Treze no Arruda - depois de um 3 a 3 em Campina Grande/PB – o time voltou à Série C. A campanha teve como treinador o ex-lateral-direito do São Paulo, Zé Teodoro. Bicampeão Pernambucano em 2011 e 2012, ele e seu então auxiliar Sandro Barbosa foram os principais responsáveis pela formação de um elenco que permaneceu para o tricampeonato conquistado com o técnico Marcelo Martelotte no início deste ano.

Torcedor do Santa Cruz, Sandro Barbosa começou a Série C deste ano no comando da equipe e é considerado por muitos também o responsável pelo início da recuperação do Santa Cruz. Mas foi preciso que viesse um comandante de fora para que o time se acertasse, ajustasse o rumo e esse técnico foi justamente um profissional que havia tido uma triste desclassificação em 2012 por outro time de massa: Vica perdeu a vaga na Série B quando comandava o Fortaleza.

Mas ele soube aproveitar tudo que tinha aprendido na derrota para fazer que seu time jogasse a decisão da Série C como se fosse o jogo da vida de cada um dos tricolores. Ninguém sabe se Vica permanecerá até a Série B do ano que vem. Mas ele já deu o recado. A partir de amanhã a nova tarefa será a disputa da semifinal diante da Luverdense. No próximo semestre, o Santa Cruz buscará um incrível tetracampeonato Estadual, mas para premiar o ano do centenário a maior conquista seria a conquista de uma das vagas para a Série A em 2014.

A maior torcida organizada do tricampeão pernambucano é a Inferno Coral. Talvez os torcedores voltem a colocar as faixas no lado certo depois de mais essa vitória. Mas o importante é que a lição de Vica, Zé Teodoro, Sandro Barbosa e Marcelo Martelotte ficará para sempre como parte da história do Santa Cruz. Uma história que já faz parte das grandes páginas do futebol brasileiro. E que terá um desfecho bem mais grandioso se acabar em um sucesso no Brasileiro 2014, justamente o ano do centenário do time tricolor.

A partir de agora, como disse o técnico Vica após a conquista da vaga para a Série B, o que importa para o Santa Cruz é o futuro. Novamente como time grande, de massas e contando sempre com sua apaixonada torcida. E agora com um elenco já vitorioso e um orçamento compatível pelo menos com o dos seus dois principais adversários em Pernambuco, já se torna o time a ser batido no Estadual 2014 e um dos favoritos ao acesso na Série B. Mas que venham primeiro as semifinais da Série C.