25 de novembro de 2020
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Calendário não é bom para futebol brasileiro, jogadores e nem clubes, diz ministro

Distante da CBF, o governo federal apoia o Bom Senso F.C. na briga por mudanças no calendário do futebol nacional.

Em entrevista à Folha, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou que o formato atual não é bom e precisa ser alterado.

Veja a entrevista completa abaixo.*

Folha - Os estádios serão entregues todos em janeiro por causa da agenda da presidente Dilma Rousseff?

Aldo Rebelo - Falei com os governadores. Há seis meses ou quase isso, o governador do Amazonas disse que o estádio seria entregue no dia 20 de dezembro. E eu fiquei com esta data. Quando eu fui acertar a ida da presidente para a entrega do estádio no dia 20 de dezembro, tinha na agenda um encontro em São Paulo com moradores de rua. Sugeri a ela para que nós deixássemos para janeiro. Aí o governador disse: "Ah, mas a Fifa vai achar ruim". Eu digo: "Com a Fifa eu converso para deixar para janeiro". Aí o Rio Grande do Norte disse: "Vou fazer dia 19 [de dezembro] ou 20 ou 21 ou 5 de janeiro. Falei que estava muito em cima.

O senhor consultou a Fifa se não haveria problemas?

Eu informei [à Fifa] esta posição. Falei do problema na agenda e que achei melhor deixar para janeiro. Não disseram nada, não. A presidente foi na inauguração dos seis estádios da Copa das Confederações. Ela queria ir nesses também. Mas no fim de dezembro ficava com problema de agenda.

É uma estratégia eleitoral?

Não creio q seja isso. É uma festa no país, uma Copa do Mundo no Brasil. Quando é que vamos ter outra? Acho que ela quer ter uma participação maior.

O que acha do Bom Senso F.C.?

Antes mesmo do Bom Senso, sempre apontei que há dois graves problemas no calendário do futebol brasileiro. E um dirigente de clube disse que eu não entendia disso. Primeiro tem uma superexposição de clubes e jogadores num calendário que é extenuante. O outro problema é a ausência de calendário para a imensa maioria. Clubes que jogam uma competição de dois, três meses e depois jogadores ficam desempregados. As entidades que organizam as competições e o governo têm que ter uma preocupação com isso. Nesse ponto, eles [jogadores] têm razão. O calendário não é bom para o futebol brasileiro, para os jogadores nem para os clubes. Tem que encontrar um caminho.

Como o governo pode interferir nessas questões?

Nós temos que apresentar sugestões. Sabemos que há medidas que podem ser adotadas. Por exemplo: o Campeonato Paulista adotou a seguinte resolução: atraso de salário tem punição técnica. É preciso ter solução criativa. Uma ideia boa é aumentar o número de séries. O problema dos grandes clubes é mais fácil: limita. Só podem fazer entre 60 e 70 jogos por ano. Quer jogar mais? Tem que ter mais elenco. Jogador não pode jogar mais do que isso. Então aumenta o elenco e tudo bem. O problema dos menores é de mais difícil solução.

Clubes alegam que vão perder dinheiro se reduzirem o calendário.

Os grandes de São Paulo vão ganhar com o Campeonato Paulista R$ 13 milhões, R$ 14 milhões. É muito dinheiro. É quase metade do patrocínio master [na camisa]. A televisão só paga se esse grande clube jogar com todos os titulares. Então eu não vislumbro uma solução fácil para essa questão.

Agência UOL