25 de setembro de 2020
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Pato terá que desafiar impaciência recente da diretoria do São Paulo

Novo e badalado reforço do São Paulo, o atacante Alexandre Pato vai desafiar a impaciência demonstrada pela diretoria do clube do Morumbi nos últimos anos. Foram diversos os casos de atletas que foram descartados pelo São Paulo logo após entrarem em fases negativas, sem ter tempo para recuperação. Emprestado pelo Corinthians em troca do meia Jadson até o fim de 2015, Pato terá de fazer a diretoria são-paulina mudar de comportamento caso não tenha bom início na nova casa.

O exemplo mais fresco foi visto nessa semana, na última quarta-feira, quando um jogador descartado pelo São Paulo teve atuação de gala no Maracanã lotado e levou seu clube para a Libertadores: Wallyson marcou três vezes para o Botafogo contra o Deportivo Quito (EQU) e fez com que o time avançasse para a fase de grupos. Há um ano ele era contratado pelo São Paulo, em passagem que duraria cerca de quatro meses e pouquíssimos jogos. Foi afastado após a equipe de Ney Franco ser eliminada pelo Atlético-MG na Libertadores. Hoje, vira novamente protagonista.

Na própria troca por Pato o outro afetado sofreu da impaciência. Seis meses após fazer parte da seleção brasileira que venceu a Copa das Confederações, Jadson teve queda intensa de desempenho e parou de jogar bem. Voltou fora de forma para a pré-temporada em 2014 e foi vetado por Muricy Ramalho. Antes disso, o presidente Juvenal Juvêncio já falava em negociá-lo.

Recentemente, estes também foram os casos de jogadores como o zagueiro Rhodolfo, os laterais Cortez e Juan, dos volantes Casemiro e Fabrício – este foi afastado e só não saiu porque não teve proposta – e do meia Roni. Todos eles foram dados como desnecessários em algum momento, e não tiveram tempo para mostrar ecuperação. Acabaram longe do Morumbi. Alguns, como Rhodolfo e Casemiro, conseguiram sucesso. Outros, como Cortez, de fato não vingaram.

Exemplos mais distantes, mas ainda recentes, são os volantes Jean e Arouca, e o lateral esquerdo Junior Cesar. O primeiro, fundamental na conquista do Brasileirão de 2008, saiu pela porta dos fundos para o Fluminense. No Rio de Janeiro, virou jogador de seleção brasileira. Arouca, trocado por Rodrigo Souto com o Santos, tornou-se um dos grandes jogadores do país em troca extremamente mal sucedida para o São Paulo. Junior Cesar, depois de conquistar títulos importantes no clube, acabou afastado e negociado. Foi importante para o Atlético-MG na reconstrução até a conquista da Copa Libertadores.

 É essa diretoria que Alexandre Pato irá enfrentar. Com algumas mudanças: o diretor de futebol que desde 2011 chefiou o departamento, Adalberto Baptista, deixou o cargo. Hoje a diretoria fala em estudar mais o perfil dos contratados e manter-se mais próxima do elenco e da comissão técnica, para evitar erros do passado. O presidente Juvenal Juvêncio, no entanto, permanece.

No Corinthians, a tolerância por Pato durou um ano. Os R$ 40 milhões investidos para tirá-lo do Milan (ITA) não surtiram efeito. O jogador demonstrou iregularidade, incompatibilidade tática e agora sai para um clube rival. A relação com a torcida também se tornou irreparável: Pato era um dos principais alvos dos últimos protestos em meio à crise corintiana após o retorno de Mano Menezes.

No São Paulo, a primeira reação da torcida é dividida. Na vitória sobre o Paulista, nesta quarta, houve protesto da principal organizada:"Diretoria, vai se ferrar, trazer o Pato é dar dinheiro pros gambás", gritou a organizada, na sequência de "Pato é o c...", repetidas vezes. Os mesmos torcedores, após os protestos, gritaram o nome de Luis Fabiano, que não necessariamente brigará por uma vaga no ataque com Alexandre Pato. Houve também gritos contra o Corinthians.

O Corinthians terá a possibilidade de vender Alexandre Pato para qualquer outro clube durante o empréstimo do atacante ao São Paulo, porém o clube rival só será obrigado a liberar o jogador caso exista uma oferta de pelo menos 15 milhões de euros (R$ 49 milhões). Este foi o montante pago ao Milan pela contratação, há pouco mais de um ano. Caso o Corinthians receba, até o fim de 2015, propostas de valor inferior, caberá aos dois clubes analisarem se a venda vale a pena, sem obrigação do São Paulo de romper o empréstimo. O clube do Morumbi ainda pode ganhar dinheiro no negócio. Em janeiro de 2015, a cláusula cai para 10 milhões de euros.

nesta terça-feira.

Pato chega ao São Paulo em negócio surpreendente e na base da troca pelo meia Jadson, que teve 50% dos direitos econômicos cedidos pelo clube do Morumbi. O atacante, no entanto, está impedido de disputar o Paulistão porque já participou de cinco jogos pela equipe alvinegra e ultrapassou o limite permitido na competição, de três partidas. O acordo foi assinado pelos presidentes Mario Gobbi e Juvenal Juvêncio na noite de quarta-feira, enquanto o Corinthians era derrotado por 2 a 0 pelo Bragantino, no Pacaembu.

Emprestado ao São Paulo até o fim de 2015, Pato terá parte dos salários pagos pelo Corinthians. Jadson tinha apenas mais um ano de contrato com o clube do Morumbi, poderia assinar pré-contrato com qualquer outro clube a partir de 1º de julho e sairia de graça, sem indenização ao clube, no fim do ano.

O Corinthians tentou não deixar Alexandre Pato jogar em um rival, mas não conseguiu. Antes de negociar o atacante com o São Paulo, o clube do Parque São Jorge tentou empurrá-lo para pelo menos outros três clubes, sem sucesso. Grêmio e Cruzeiro reclamaram do valor elevado do atleta, que recebe R$ 800 mil, entre salários e direitos de imagem. O Flamengo topou uma troca com Carlos Eduardo, mas aí foi o Corinthians quem não se interessou.

A última opção teria sido o empréstimo de graça, por quatro meses, para a Juventus, da Itália, mas aí o Corinthians entendia que estaria apenas adiando a solução do problema. Por isso, o clube teve de ceder o jogador ao São Paulo, na transação envolvendo Jadson.

A primeira reação do meia Jadson foi temer a troca do São Paulo pelo Corinthians, quando proposta. Com a evolução das conversas e o interesse do atacante Alexandre Pato em jogar no Morumbi, Jadson repensou. Os motivos que levaram o agora ex-camisa 10 são-paulino a aceitar a mudança foram a possibilidade de reerguer o Corinthians a partir de uma crise e também a oportunidade de trabalhar com Mano Menezes, primeiro a leva-lo para a seleção brasileira.

Agência UOL