20 de junho de 2021
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FOCO NO FOGO

Ação que busca previnir incêndios no Pantanal capacita moradores locais

População de área degrada pelo fogo recebe educação ambiental e trabalho de recuperação de áreas degradadas

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Mesmo que possam acontecer o ano todo no Brasil, quando é chegada a metade do ano - de junho a setembro, que são recordistas de queimadas - a preocupação volta-se para o fogo e o Pantanal. Com olhos voltados para essa causa, o projeto ‘Recuperação de Florestas Ribeirinhas Pantaneiras: beneficiando água solo, peixes e populações do entorno da RPPN Sesc Pantanal – Mupan RPPN Sesc’ já tem nove meses de execução e gera bons frutos. 

Tendo em vista as ações anunciadas pelo estado para que a situação do ano passado não se repitada em 2021, cada apoio é bem-vindo para evitar que a flora e fauna do Pantanal queime novamente. A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal foi um dos espaços atingidos pelas chamas em 2020 e foi isso que motivou essa ação. 

“Os incêndios que devastaram a região, foi o que nos mobilizou a fortalecer novas ações para a região, bem como a estruturação da cadeia da restauração florestal nas comunidades do entorno”, destaca a coordenadora do projeto e diretora do MUPAN, Áurea Garcia. 

Estão envolvidos nessa iniciativa, além do Mulheres em Ação no Pantanal (MUPAN), a Wetlands Internacional; Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP); Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU) e Polo Socioambiental Sesc Pantanal; além disso conta com o financiamento do Projeto Estratégias de Conservação, Recuperação e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre) que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Segundo assessoria da Wetlands, esse projeto, que atende 56 hectares, será modelo para que novos trabalhos de Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) no Pantanal, considerando a especificidades das áreas úmidas. 

Ao todo, 46 hectares fazem parte das dependências da RPPN Sesc Pantanal, sendo os outros 10 ha, a área no entorno da reserva. A Professora Dra. Cátia Nunes da Cunha é responsável pela coordenação científica do projeto e exalta a inovação da ideia de executar um RAD em área úmida com embasamento científico. 

“A Unidade de Conservação RPPN Sesc Pantanal, é representativa na proteção do Pantanal, declarado como um Sítio Ramsar. Por isso necessita de ações de planejamento que considere suas particularidades quanto área úmida. Isso significa que as análises devem considerar os períodos de fase aquática e terrestre do ambiente, pois estes são pontos relevantes que devem ser considerados ao analisar, planejar ou restaurar esse ambiente”, destaca ela em análise sobre o os projetos para combater os reflexos das queimadas no Pantanal

Dados meteorológicos apontam que, no primeiro trimestre de 2021, Mato Grosso já encabeçava o ranking anual de queimadas com a redução significativa do volume de chuvas e uma disparada nos focos de incêndio. 

Em 20 de março o outono começou finalmente e, pelo menos, até o fim do mês de março e a preocupação com os focos de calor em reflexo do tempo seco deve continuar alta. 

Na luta contra os incêndios, através inclusive da parceria entre a RPPN e Wetlands International, a ainda é capacitar as famílias que estão em área onde as queimadas acontecem com maior intensidade, envolvendo as famílias no projeto. Gerente de Pesquisa e Meio Ambiente do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália é quem evidencia esse desejo. 

“Com objetivo de introduzir conteúdos ligados à importância da atividade de produção das mudas e coletas de sementes no âmbito da restauração dos ecossistemas pantaneiros e do Cerrado, serão abordadas instruções técnicas quanto à produção de mudas de espécies nativas dos dois biomas; manejo de coleta de sementes, com orientações voltadas para o conhecimento da biologia de cada espécie vegetal e procedimentos de coleta; armazenamento e transporte de sementes. Por fim, as famílias terão acesso às informações sobre o fluxo de produção, gestão do viveiro, procedimentos comerciais, prospecção de possíveis compradores, dentre outros fatores ligados à atividade”, finaliza ela.