14 de maio de 2021
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Assembleia fará audiência pública para debater retenção de macas em hospitais

Deputado pretende marcar a reunião para esta sexta ou próxima segunda

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Após as denúncias de que macas de ambulâncias estavam sendo retidas em hospitais de Campo Grande, o deputado estadual Paulo Siufi (MDB) declarou que vai convidar integrantes do Ministério Público Estadual (MPE-MS), Ministério Público Federal (MPF), secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, o secretário estadual de Saúde, Carlos Coimbra, representantes do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para participarem de audiência pública na Assembleia Legislativa. A ideia do deputado é de marcar o debate para sexta-feira (30) ou na próxima segunda-feira (3). 

De acordo com Siufi, os bombeiros registraram, em 30 dias, 102 casos de retenção dos equipamentos para atender os pacientes dos hospitais. "O que estamos vendo é um deixa para depois, uma ‘empurroterapia’", criticou Siufi. 

"Vamos chamar todos os envolvidos com a questão. Espero que a contribuição da Assembleia seja para forçarmos o empenho dos governantes e administradores. É inaceitável que vidas deixem de ser atendidas pelas unidades móveis, porque os hospitais estão retendo as macas de ambulância”, justificou Siufi.

Siufi alertou para o problema que a prática tem causado. “O tempo de atendimento das ambulâncias está dilatado por não termos os veículos em condição, faltando maca. Com o leito retido, não tem o socorro que pode salvar vidas ou diminuir sequelas. Pode ter certeza, se alguém aqui precisar do socorro, vai passar pela mesma situação e não vai conseguir vaga. Não adianta dizer que tem plano de saúde, porque o SUS quando não tem leito o órgão gestor tem que pagar uma unidade particular, superlotando o sistema”, disse.

O deputado lembrou de lei municipal de 2012 a qual ele é autor. A proposta proíbe a retenção de macas das ambulâncias pelos hospitais e prevê responsabilizar os envolvidos. 

Siufi também pediu que fosse feita uma fiscalização mais rígida para que o cumprimento da norma aconteça. “Em 2012, quando fui vereador, foi publicada a Lei 5.170 de minha autoria e da então vereadora Grazielle Machado. Naquela época já havia retenção, se isso ainda acontece é porque não há fiscalização das leis. É duro para a população ter esperança de um socorro e o socorro não chegar, de precisar de uma transferência para melhorar o atendimento e ele não ocorrer”, constatou o parlamentar.

Para o deputado Cabo Almi (PT) é preciso uma soma de esforços na resolução do problema. “A tendência é piorar, tem que ter assistência por parte do poder público, não vejo que tudo é responsabilidade do SUS, tem que somar com as prefeituras e o governo. Muito do que acontece é imperícia e negligência do poder público. O que está acontecendo na saúde é crime. Enquanto alguém não for penalizado, não vai resolver”, afirmou.

O deputado Barbosinha (DEM) defendeu redistribuição de responsabilidades na gestão da saúde e dos investimentos dos governos. “O orçamento do governo federal para a saúde é de 4% e do município é de no mínimo 15%. Precisamos discutir a distribuição dessa receita e analisar a saída dos municípios da política da universalidade para que eles fiquem somente com a saúde básica. Hoje, a responsabilidade maior fica nas costas dos gestores municipais sem que exista contrapartida”, disse. Barbosinha falou ainda do caso da retenção de macas. “Isso é um boicote às unidades de resgate, uma forma de dificultar que as pessoas sejam levadas para a rede pública de saúde”.

Siufi encerrou o debate fazendo um alerta. “As macas das ambulâncias não podem ficar retidas. A situação vai piorar, porque vêm as festas de fim de ano e as férias, quando os acidentes ficam mais sérios, aumentando o número de atendimento. Os investimentos têm que ser feitos de forma correta. Se não tivermos investimentos não adianta falar em saúde. O caos está instalado”, declarou.