09 de maro de 2021
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Instituto Penal

Benefícios de ervas medicinais são catalogados em livreto por reeducandos do Instituto Penal

Difundir o conhecimento das propriedades e benefícios de plantas com valores medicinais através de um livreto, esse foi o intuito do projeto escolar desenvolvido com os reeducandos do Instituto Penal de Campo Grande (IPCG). Para colocar em prática o que estudaram, os internos também fizeram o cultivo e a plantação de cada erva medicinal.

A iniciativa pedagógica foi realizada pela EE Polo Regina Anffe Nunes Betine, responsável pelo ensino em unidades prisionais de Campo Grande, parceira da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) em ações de reinserção social.

A obra foi desenvolvida por internos, durante as aulas de Ciências do Ensino Fundamental, e catalogou 16 espécies de plantas de origens africanas e indígenas. Ao final do projeto, os alunos receberam um exemplar do livreto como forma de deixar registrado os benefícios de cada erva medicinal estudada.

De acordo com a professora e coordenadora do Projeto, Margareth Tomi Rosa, ele foi desenvolvido com uma linguagem simples e de fácil entendimento. “A maioria dessas plantas são passadas de geração em geração e muito usadas em casa. A maioria dos alunos desconheciam todos os benefícios das principais plantas, por isso decidi reuni-las todas em um livreto e plantar as mudas de cada uma”, argumentou.

Segundo a educadora, a proposta do trabalho foi expor e deixar registrado as propriedades de cada espécie, além de ser uma forma encontrada para disseminar esse conhecimento aos colegas de cela. “Os próprios alunos digitaram o livro na sala de informática do presídio, fizeram pesquisas e estudaram sobre o poder e o uso interno e externo de cada planta medicinal; eles participaram de todas as etapas do trabalho”, destacou Margareth, lembrando que é importante o acompanhamento médico profissional em qualquer tipo de tratamento.

Preso há 14 anos, o interno Denilson Flores, 42 anos, participou de toda a parte estrutural do projeto, desde a elaboração até o acabamento dos livretos e dos vasos, feitos de forma sustentável com caixas de ovos, de leite e sucos, embalados com papel presente.

“Eu achei bem bacana esse projeto, e o mais interessante é que eu não sabia que as plantas tinham origem indígena e africana, que é justamente a minha raiz também, já que sou descendente de negro com índio”, afirmou Denilson ressaltando que aprendeu várias descobertas com esse trabalho. “Muitas vezes, a gente ouve falar dos benefícios das ervas por nossos antepassados, mas agora a gente ter tudo registrado e poder consultar quando precisarmos é muito bacana”, complementou.

As escolas responsáveis por ensino oferecido em Mato Grosso do Sul prepararam solenidades de encerramento do ano letivo nas extensões escolares instaladas nos presídios do Estado. Segundo a chefe da Divisão de Educação da Agepen, Rita de Cássia Argolo Fonseca, cerca de 3,6 mil reeducandos estudam em Mato Grosso do Sul, conforme último levantamento realizado no mês de novembro.