23 de outubro de 2020
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MANOBRA NA PANDEMIA

Bradesco pega bilhões de ajuda, mas faz demissão em massa e gera protesto na Capital

Bradesco descumpre o compromisso firmado de não demitir durante a pandemia

O Sindicato dos Bancários de Campo Grande mantém fechada a agência do Bradesco, que fica na Rua Marechal Rondon esquina com a Rua 13 de Maio, no centro da Capital nesta 5ª-feira (15.out.2020). No local, também funciona a Superintendência Regional do banco. 

O protesto dos bancários é para denunciar à população sobre as demissões promovidas pelo Bradesco em plena crise econômica e sanitária. O banco já fechou cinco agências na capital desde agosto. Nos meses de setembro e outubro, foram pelo menos 19 demissões só em Campo Grande. Em todo o país, o Bradesco demitiu 427 funcionários.

Em abril o governo de Jair Bolsonaro concedeu R$1,2 trilhão e sem nenhuma contrapartida social aos Bancos, com o objetivo de “dar mais liquidez” e “fazer caixa” para as instituições financeiras não efetuasse demissões, como disse o próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ex-executivo do Banco Bozano Simonsen.

Com este valor destinado à instituições financeiras como Itaú, Bradesco e Santander, seria possível estender a dita "renda mínima" para dois bilhões de pessoas (quase dez vezes a população do Brasil), se à dividíssemos pelo valor de R$ 600 por pessoa.

Conforme a presidente do sindicato, Neide Rodrigues, o Bradesco poderia ter remanejado os bancários para outras unidades da capital e do interior do Estado. “Tem agência que está com falta de funcionário, até por causa do home office em razão da pandemia. Então, o banco poderia ter aumentando o número de bancários em outras unidades para evitar as filas, as reclamações dos clientes. É um descaso com a população, o banco preferiu fazer cortes!”, afirma Neide Rodrigues.

Segundo a presidente do sindicato, com as demissões, o Bradesco está descumprindo o compromisso firmado com o movimento sindical de não demitir durante a pandemia.

“Durante a pandemia, precisamos justamente do contrário, de novas contratações para dar condições de atendimento. Hoje, as pessoas estão ficando horas na fila e já chegam cansadas, estressadas para o atendimento, descontando sua indignação justamente nos funcionários, que estão ali se expondo diante da pandemia para atender e estão sobrecarregados nas agências. Não há motivos para as demissões, o banco precisa voltar a atrás com essas demissões, enquanto isso, vamos continuar com os protestos para denunciar esse descaso”, relata a presidente do sindicato.

Mesmo em meio à crise econômica e sanitária, o Bradesco segue lucrando alto. No primeiro semestre de 2020, o banco faturou R$ 7,626 bilhões, crescimento de 3,2% na comparação com o trimestre anterior.