19 de abril de 2021
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DIA MUNDIAL DAS ZONAS ÚMIDAS

Com 4 milhões de área queimada, Pantanal recebe 2 vezes "Lago Ameaçado do Ano"

Bioma é o único do planeta a acumular 2 premiações negativas

O Pantanal será anunciado nesta 3ª-feira (2.fev.21) pela 2ª vez ao “Lago Ameaçado do Ano”, levantamento da Rede Living Lakes, coordenada pelo Global Nature Fund (GNF). Amanhã é uma data mundial em que é celebrado o Dia Mundial das Zonas Úmidas, durante o evento internacional online, via Zoom.

É a segunda vez que o Pantanal é anunciado como “Lago Ameaçado do Ano” – primeira vez em 2007 – sendo, portanto, a única região do mundo até hoje anunciada duas vezes.

O diretor da organização brasileira Ecoa - Ecologia e Ação, com a qual a Global Nature Fund e a Living Lakes cooperaram na região, calcula: "Mais de 40.000 quilômetros quadrados arderam no Pantanal. Isto corresponde a uma área de 4 milhões de campos de futebol. E estes não são apenas números: sinto por cada pessoa que sobrevive nesta região, sinto por cada árvore e cada animal que não consegue fugir desta situação ou morre de fome após os incêndios, porque não consegue mais encontrar alimento. O número de animais mortos também está na casa dos milhões. E os efeitos devastadores desses incêndios criminosos no cenário Sul-Americano, mas também no cenário mundial, ainda não puderam ser totalmente avaliados”, destaca o documento.

Segundo o levantamento é normal que ocasionalmente ocorram incêndios no Pantanal e Infelizmente, segundo aponta a Ecoa, é também uma prática comum para os agricultores limparem suas áreas cultivadas. Recentemente, esses incêndios têm se espalhado cada vez mais por áreas naturais. Os cientistas são quase unânimes em que uma grande parte dos incêndios devastadores de 2020 pode ser atribuída ao uso do fogo para o desenvolvimento de novas terras agrícolas. “A pecuária, a cana-de-açúcar e o cultivo de soja estão florescendo no Brasil - alimentadas por uma enorme demanda externa e impulsionadas por um governo liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, cujas políticas econômicas minam sistematicamente as regulamentações brasileiras e internacionais de conservação da natureza e proteção ambiental”, explicou. 

Com o seu segundo “prêmio” ao Pantanal como "Lago Ameaçado do Ano", o Fundo Mundial para a Natureza (GNF) e a Rede de Lagos Vivos, coordenada por ele, formula novamente o objetivo de quebrar este círculo vicioso. A fim de preservar o que resta do Patrimônio Mundial da UNESCO com sua biodiversidade única, é necessária uma ação repensada e determinada das pessoas no local, mas também na América do Norte e na Europa. “Este é um evento único para nós", diz a presidente da GNF Marion Hammerl, "porque já nomeamos o Pantanal como o Lago Ameaçado do Ano em 2007". Mas circunstâncias extraordinárias exigem medidas extraordinárias. Há 14 anos atrás, a ameaça ao hotspot da biodiversidade no Pantanal já era aguda. No entanto, estamos surpresos e chocados com o desenvolvimento dramático dos últimos meses. Se não agirmos agora - imediatamente! - de fato, em breve não restará nada que valha a pena proteger no Rio Paraguai. Isso seria uma enorme perda", reforçou. 

Como o Serviço Científico do Bundestag aponta em uma recente publicação sobre o Pantanal, a área florestal na zona úmida diminuiu em um quarto desde os anos 80. Em contraste, a área utilizada para a agricultura nesta região mais do que duplicou no mesmo período. A situação é exacerbada pela mudança climática global. Em comparação com a região amazônica, que tem que lutar com problemas semelhantes, mas recebe maior atenção internacional, a perda de área florestal no Pantanal leva ao aumento da temperatura regional e à redução das estações chuvosas. Isto resulta em uma falta de água para evaporação suficiente, que de outra maneira, forma uma densa cobertura de nuvens sobre a região. Estas nuvens amoleceriam a radiação solar e, assim, protegeriam a terra de secar. As áreas secas são, em última análise, mais suscetíveis a incêndios - um círculo vicioso.

ECOA – ECOLOGIA E AÇÃO

A instituição ECOA trabalha diretamente no território do bioma do Pantanal. A ONG existe desde 1989 e visa promover ações para preservar o meio ambiente, associando investigação científica e ação política no sentido amplo do termo, envolvendo comunidades, instituições de ensino e pesquisa, instituições governamentais e outras organizações não governamentais. A ajuda pode ser de qualquer valor. Veja aqui como doar.

FONTE: VEJA A ÍNTEGRA DO RELATÓRIO AQUI

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