20 de junho de 2021
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Discriminação ao trabalho da mulher vai aumentar com as reformas, afirmam sindicalistas

Sindicalistas de todo País, reunidos em Campo Grande, na XXI Plenária Nacional da Fenajufe, querem união para lutar melhor

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A mulher, que já sofre uma lamentável discriminação no mercado de trabalho, onde seus vencimentos são bem inferiores aos dos homens, será a maior vitima das reformas trabalhistas que estão sendo empreendidas pelo Governo Federal, com o aval e o apoio tanto do legislativo como do judiciário. Essa é a conclusão de sindicalistas de todo país que participam em Campo Grande, da XXI Plenária da Fenajufe (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União), com a participação e apoio do Sindjufe/MS.

“Com a reforma trabalhista virão grandes prejuízos aos trabalhadores e em especial às mulheres. A jornada intermitente, por exemplo, em que o trabalhador fica 24 horas à disposição da empresa, mas o valor a ser pago pode ser fixado apenas de acordo com o horário que será trabalhado ou com o serviço que será feito”, explica  Adriana Faria, coordenadora jurídica e parlamentar da Fenajufe.

Na abertura dos trabalhos, Adriana Faria falou para mais de 500 sindicalistas presentes, que a mulher perderá, com as reformas, a estabilidade de emprego no período de gestação; Licença maternidade e outros benefícios. Diante disso ela chegou a uma conclusão dramática, dizendo que a mulher terá que fazer opção entre procriar e trabalhar, pois os dois juntos ficará muito mais difícil com os rigores do mercado por conta das mudanças que foram e estão sendo impostas.

Como se não bastassem as mudanças com a reforma trabalhista está em vigor também a terceirização, que proporcionará de vez um distanciamento muito grande do empregado com a empresa. Os profissionais serão, a partir de agora, apenas números, que serão substituídos com extrema facilidade, como se o ser humano fosse objeto, uma mercadoria.

APOSENTADORIA – Outra questão polêmica levantada neste segundo dia da plenária Fenajufe foi a questão da reforma da Previdência pretendida pelo Governo. De acordo com Antonio César Amaral Medina, coordenador administrativo do Sindjufe/MS, todos os trabalhadores perderiam com ela. Tanto profissionais da iniciativa privada como pública.

Adriana Faria criticou a pretensão do governo de aprovar essa reforma fatiadamente, começando com o aumento da idade para se ter direito à aposentadoria. A idade dos homens passaria de 60 para 65 anos enquanto que para as mulheres, de 55 para 62. “Esses números demonstram bem a grande perda que as mulheres teriam, pois aumentaria para ela 7 anos mais até que ela tenha direito de se aposentar, enquanto para os homens, o aumento seria de 5 anos.

UNIR FORÇAS – Já na abertura dos trabalhos os integrantes da XXI Plenária Fenajufe já haviam concluído que esse encontro em Campo Grande precisa ser um marco na luta sindical para barrar as reformas como o governo está fazendo, em detrimento das famílias dos trabalhadores brasileiros. Os sindicatos de servidores do poder judiciário federal e MPU de todo país pretendem se unir com as demais forças sindicais e centrais para lutar contra essa onda em prejuízo aos trabalhadores.

“Vamos trabalhar também pela revogação da Lei trabalhista que entra em vigor neste sábado (11) em todo o País. Também vamos  formar uma frente de luta em defesa da Justiça do Trabalho que pode ser extinto por conta dessas famigeradas mudanças”, afirma Mara Weber, coordenadora de Imprensa e Comunicação da Fenajufe.

Mara Weber afirma ainda que o grau de ataque aos direitos dos trabalhadores é violento. “Lamentavelmente o Estado de direito  foi quebrado em nosso país e por isso precisamos nos organizar e somar forças com outras correntes para sermos fortes nesse momento de luta”, afirma.

Elvio Vargas, membro do Comitê Estadual (MS) Contra as Reformas e Genilson Duarte, presidente da CUT em Mato Grosso do Sul participaram da abertura dos trabalhos da XXI Plenária Fenajufe e afirmaram que o comitê, que reúne várias centrais e sindicatos e federações de trabalhadores, é um exemplo de união, no Estado, em torno dos interesses dos trabalhadores. Eles teceram duras críticas contra o governo “ilegítimo” de Michel Temer.