07 de maro de 2021
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Condenado

Dono da mansão do tráfico é condenado a 51 anos de prisão

Pena de Odir e seu irmão, Odacir, soma 65 anos de reclusão

Acusado de envolvimento em rede tráfico internacional de drogas, Odir Fernando dos Santos Correa foi condenado pela 3ª Vara Federal de Campo Grande a 51 anos de prisão. Seu irmão, Odacir Santos Correa também recebeu condenação de 14 anos, junto com mais 14 pessoas. 

A denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF)  chamou atenção  pelo volume das ações de tráfico e lavagem de dinheiro, em especial pela ostentação da riqueza apresentada. Além da imposição de penas privativas de liberdade, os réus forma condenados a penas de multa. No caso de Odir, o valor da multa é próximo a R$ 1 milhão.

O caso integra a investigação realizada pela Polícia Federal, denominada operação Serra Nevada, que descortinou ações de grupos organizados ligados ao tráfico internacional de drogas. A rota envolvia a entrada de cocaína boliviana para o Brasil, a qual era arremessada por aeronaves em área rural do território sul-mato-grossense. 

Na sequência, com uma logística bastante organizada, o entorpecente era coletado e transportado em rodovias com destino final ao Estado de São Paulo, local no qual se concentrava o núcleo criminoso dos compradores. 

Durante as investigações, foram realizadas diversas apreensões de drogas, dinheiro e prisões em flagrante. No contexto geral da investigação ganham destaque uma apreensão de carregamento de mais de 427 kg de cocaína e apreensões de altas somas em dólares (num dos casos, mais de U$ 1,3 milhão).

LAVAGEM DE DINHEIRO

O comércio transnacional de entorpecentes garantiu aos membros da organização uma vida de luxo e ostentação que incluía imóveis de alto padrão e veículos importados. Além de dinheiro em espécie, joias, armas e munições, a Justiça Federal decretou perdimento de um apartamento em São Paulo e de 16 veículos, que vão desde um Fiat Pálio até uma Land Rover Vogue, avaliada em mais de R$ 200 mil. Há ainda bens que já foram a leilão, cujo valor arrecadado também está à disposição da Justiça.

Parte significativa dos lucros do tráfico de drogas foi submetida a atos de lavagem de dinheiro. Boa parte dos bens foram adquiridos em nome de terceiros com o nítido intento de ocultação de sua propriedade e de sua origem ilícita. Com o mesmo propósito de ocultação, valores foram movimentados em contas bancárias de terceiros.

A sentença não abrange todos os denunciados pelo MPF, já que alguns réus tiveram seus processos desmembrados. Com relação a essas pessoas, ainda se aguarda o desfecho do processo penal. Na condição encontram-se os réus Adriano Moreira da Silva (identificado com o principal comprador da droga em São Paulo), André Luiz de Almeida Anselmo (sócio da revenda de veículo I9, utilizada para lavagem de dinheiro), Felipe Martins Rolon e Wesley Silverio dos Santos.

ACOMPANHAMENTO CORREIO 

Em junho de 2016, os delegados responsáveis pelo inquérito, Fabrício Martins Rocha e Cleo Mazzotti, obtiveram da 3ª Vara Federal de Campo Grande 20 mandados de prisão preventiva, sete de condução coercitiva, 31 de busca e apreensão e 47 de sequestro de veículos.

Foram necessários 170 policiais federais para cumprir os mandados em Campo Grande, Bonito, Bodoquena, Rondonópolis (MT), São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Guarujá (cidades no estado de São Paulo).

A Polícia Federal divulgou que 17 pessoas foram presas e 40 quilos de cocaína foram apreendidos, além das armas. Ao longo da investigação já tinham sido encontrados 778 quilos de cocaína, US$ 2,2 milhões e R$ 38 mil.

O nome da operação foi identificada como Nevada porque uma das casas onde houve buscas fica na Rua Serra Nevada, no bairro Chácara Cachoeira, na Capital.