27 de novembro de 2020
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RIO NEGRO

Em meio a pandemia, vereadores aumentam em 50% os próprios salários em MS

Os parlamentares de Rio Negro seguiram o exemplo dos vereadores de Campo Grande, que mantiveram o reajuste de 26% nos próprios salários para 2021

Apesar da grave crise causada pela pandemia do coronavírus e de apenas 10,8% dos 4.831 moradores estarem empregados, os vereadores de Rio Negro, no interior de Mato Grosso do Sul, aprovaram aumento de 50% nos próprios salários. Com 33% da população local sobrevivendo com renda per capita inferior a meio salário mínimo (R$ 522,50), o subsídio do parlamentar passará de R$ 2.350 para R$ 3.525.

A polêmica proposta não contemplou apenas os vereadores. Eles incluíram o prefeito Cledimar da Silva Camargo (PSDB), o vice-prefeito João Batista de Souza (SD) e os secretários municipais. 

Apenas dois vereadores se solidarizam com a dor da população local, principalmente, com quem precisa apenas de uma cesta básica para garantir o dia de amanhã. A pandemia deverá ter impacto gravíssimo na população de Rio Negro. De acordo como IBGE, 1,5 mil pessoas tem renda per capita inferior a meio salário mínimo.

Dos 4.831 moradores, apenas 522 (10,8%) estão ocupados no município. A renda média dos trabalhadores na cidade é de 1,8 salário mínimo – a 75ª entre os 79 municípios sul-mato-grossenses.

A realidade do município, que perdeu 26% dos habitantes em duas décadas, de 6,5 mil para 4,8 mil, conforme o IBGE, foi ignorada pelos vereadores. Devido à pandemia, a sessão ocorreu sem a presença da população local.

“Não estamos devendo nada a ninguém” e “a votação está sendo feita às claras”. Esta foi a orientação da mesa diretora para votar o projeto. O salário do prefeito Cledimar Camargo passará de R$ 12.800 para R$ 14.080. Ele vai ganhar mais que a prefeita Délia Razuk (PTB), que administra Dourados, cidade com 222,9 mil habitantes.

Batista, como vice-prefeito, terá aumento de 17,33%, de R$ 6 mil para R$ 7.040. Os secretários foram agraciados com reajuste de 25,71%, de R$ 4.480 para R$ 5.632. Já os vereadores tiveram acréscimo de 50%, de R$ 2.350 para R$ 3.525 a partir de 2021.

“Eu sou contra. Não é por pressão de ninguém. R$ 2300 estava de ótimo tamanho. Até o salário mínimo estava de ótimo tamanho. Não aumenta para os professores, não aumenta para os funcionários públicos, porque vai aumentar para os vereadores?”, questionou Guido Schimitz (MDB), que votou contra o projeto.

O outro voto contra foi do sargento Vanderlei de Amorim (PP). “Na hora de votar uma emenda para beneficiar 12 reais para a população mais carente é uma pandemia. Agora quando é pra votar seu projeto ninguém tem coragem de vir na tibuna e discutir”, criticou o Vanderlei de Amorim (PP), autor do segundo voto contrário.

Contra o reajuste inoportuno

Guido Schimitz (MDB)
Vanderlei De Amorim (PP)

A favor do reajuste de 50% no próprio Salário

Valdir Fischer (PSD)
Antônio Marques Ferreira, Marquinhos (PSD)
Núbia Vitória (PSDB)
Eronildes Sabino Nery (PSDB)
Dr. Mario (PSDB)
Antônio Holsbach (MDB)
Evaldo Paes (PSD)

Os parlamentares de Rio Negro seguiram o exemplo dos vereadores de Campo Grande, que mantiveram o reajuste de 26% nos próprios salários para 2021. Na Capital, o valor passará de R$ 15.031 para R$ 19 mil a partir de 2021. Além disso, ignoraram o gesto do prefeito Marquinhos Trad (PSD) e não reduziram os salários em 30%.

Outros municípios também tentaram elevar os vencimentos, como Jardim, São Gabriel do Oeste e Amambai. No entanto, após a repercussão, os vereadores desistiram do reajuste.