03 de dezembro de 2020
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MODERNIDADE

Evite que a live da sua empresa seja um fiasco; veja dicas!

Simples e barata, transmissão ao vivo não serve para todo tipo de negócio

Assim como os famosos, muitas empresas aderiram às lives nesta quarentena. As transmissões ao vivo podem ajudar a apresentar produtos e criar um relacionamento com o consumidor, mas não devem ser feitas sem planejamento.

“A live é tão barata e fácil de fazer que virou um modismo. Mas passamos do ponto e estamos sofrendo de 'infotoxicação', um descontrole na quantidade de informações produzidas e recebidas”, afirma Mariana Achutti, fundadora da Sputnik, escola especializada em cursos e treinamentos para corporações.

Destinados a entreter, informar ou gerar consumo, os eventos online e ao vivo precisam ser parte de um plano de comunicação efetiva, e não a única forma de chegar aos clientes.

“Cada marca deve traçar a própria estratégia de acordo com sua missão e visão. A live pode ser um formato interessante para alguns, mas não necessariamente para todos”, diz Ricardo Melo, gerente de marketing da HostGator, idealizadora da Collabplay, plataforma de cursos online para empreendedores digitais.

Antes de fazer uma transmissão, o empreendedor deve avaliar se o conteúdo que pensa apresentar realmente interessa ao seu público. Um dono de restaurante, por exemplo, faz uma live relevante quando mostra os cuidados de higiene e segurança sanitária que estão sendo tomados durante o preparo e a entrega das refeições na casa do freguês.

Além da irrelevância, divulgar informações incorretas e deixar a impressão de amadorismo são os piores erros que se pode cometer em uma live, principalmente quando ela é feita em nome de uma empresa.

“O empresário também corre o risco de ter problemas caso fale sobre assuntos protegidos legalmente por sigilo comercial ou caso um convidado do evento emita opiniões preconceituosas. É preciso se ater ao que foi programado para ser dito”, afirma Matheus Jacob, especialista em comunicação organizacional.

A seguir, veja as recomendações dos consultores para fazer uma boa live.

DIVULGAÇÃO

Se as pessoas não souberem que o evento vai acontecer, de nada serve o conteúdo ser bom. Por isso, é obrigatório avisar o público com antecedência, utilizando e-mail, WhatsApp, Instagram e outras redes sociais, além do site da empresa. Algumas horas antes da transmissão, envie um lembrete.

Quem quiser a interação com os internautas pode pedir que as perguntas sejam enviadas com antecedência. Isso ajuda no engajamento, ou seja, na participação do espectador.

DIA E HORÁRIO

Com mais gente em casa e inúmeros eventos digitais acontecendo o tempo todo, não existe mais dia ou horário ideal. Os hábitos do nicho que se quer atingir e o tipo de informação que será oferecida vão determinar a ocasião. Se o conteúdo for útil ao trabalho, a live pode acontecer durante a jornada. Se a ideia for a de entreter, o período noturno e os fins de semana são mais indicados.

“Uma dica é realizar uma pesquisa rápida com os clientes e o público das redes sociais questionando quando as transmissões funcionam melhor para eles”, sugere Ricardo Melo, da HostGator.

Depois de estabelecidos dia e horário, a periodicidade dos eventos deve ser mantida. “A audiência já saberá o que esperar", diz ele.

DURAÇÃO

Não existe um tempo de duração que é mais indicado, depende do conteúdo que se quer passar. O mais importante é não se estender além do necessário.

Se a transmissão for curta e restrita a um só apresentador, as informações devem ser organizadas em um texto claro e simples, fácil de ser memorizado. Por mais casual que a live deva parecer, não é hora de improvisar e acabar falando o que não se pode ou não se deve. Treinar a fala antes ajuda a ganhar naturalidade

Para programações longas, com convidados, por exemplo, é preciso preparar o texto e um roteiro. Assim dá para definir a duração da fala de cada um, a sequência de assuntos e o tempo destinado à participação dos internautas, com perguntas e respostas.

Quando as questões mandadas ao vivo começarem a chegar mais devagar, talvez seja hora de finalizar o evento, escapando de longos intervalos sem interação. “O ideal é encerrar quando o interesse ainda está lá no alto, porque você constrói gancho para o próximo”, ensina Matheus Jacob.

CONTEÚDO

É preciso buscar ser relevante para o público, fugindo de assuntos que só interessem à empresa ou ao empresário. Além disso, é importante evitar repetir conteúdos que já foram apresentados em outras lives.

As transmissões exigem pesquisa e checagem de informações sobre o tema a ser tratado. Se o empresário não souber responder uma pergunta que chegar ao vivo, o melhor é explicar que vai pesquisar o assunto e enviar as informações depois, por e-mail ou de alguma outra forma de contato. Pior do que não responder é responder errado.

FIGURINO

Ninguém usa terno e gravata dentro de casa, então esse traje está descartado, assim como uma maquiagem pesada. Nem por isso uma roupa muito informal e o cabelo bagunçado são boas escolhas. Melhor ficar no meio termo.

CENÁRIO

Eleger um cenário adequado à transmissão faz toda a diferença, porque ele também transmite informação. Se o assunto for alimentação ou eletrodomésticos, pode fazer sentido ter a cozinha ao fundo.

Quando não houver esse tipo de relação, prefira locais mais neutros, mas evite paredes brancas, sem nada que componha o ambiente. Um erro é escolher um cenário que atraia mais a atenção do que o conteúdo que está sendo apresentado.

LUZ

Se a luz natural for insuficiente para uma imagem boa, pode-se acrescentar iluminação artificial, mas com a preocupação de evitar sombras e reflexos. Também tenha cuidado para não se posicionar de costas para uma janela durante o dia.

CÂMERA

Ao usar o celular, é importante mantê-lo fixado em um tripé ou sobre uma bancada. Antes de iniciar a transmissão, deve-se conferir toda a parte técnica: se a conexão de internet está estável, se o microfone funciona, se o volume do áudio está adequado, se a iluminação é boa. Quando estiver falando, o apresentador deve olhar para a câmera como se ela fosse uma pessoa.

Fonte: FOLHA DE S.PAULO