06 de maio de 2021
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ARTIGO

Henry... Quantas vezes o seu sorriso de alegria queria gritar que era de dor?

Sabe aquele sentimento parecido com uma culpa, um castigo, um remorso, sei lá, aquele tipo de sentimento que fica te remoendo o tempo todo?

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Sabe quando tem alguma coisa te incomodando, te machucando por dentro, e você não sabe o que é, e aquilo fica ali dentro gritando o tempo inteiro e você fica buscando o motivo e não descobre?

Sabe aquele sentimento parecido com uma culpa, um castigo, um remorso, sei lá, aquele tipo de sentimento que fica te remoendo o tempo todo?

Eu estava desse jeito há dias, era assim que eu estava me sentindo; mas, enfim, descobri o motivo desse grito desesperado aqui dentro. Querem saber o que era?

Acho que muita gente no Brasil está  passando por isso... Vou dizer: desde que passou a primeira matéria sobre aquela criança que morreu com sintomas de espancamento no Rio de Janeiro, o já conhecido e desumano caso do menino Henry Borel, eu passei a ser dominado por esses sentimentos...

Fico me perguntando, quantas vezes o seu grito por socorro ficou calado dentro dele? Quantas vezes o seu sorriso de alegria queria gritar que era de dor? Quantas vezes, ao coxear, ao pender o corpo para um lado, apesar da dor deveras sentida, ele tentava gritar e denunciar a tortura que vinha sofrendo? Tortura que ele estava proibido de revelar sob pena de um sofrimento ainda maior...

É isso que vinha e continua me atormentando.

E por isso, continuo atormentado com mais perguntas:

Se esse padrasto, nitidamente um psicopata, tivesse sido investigado e punido pela prática daquele outro fato, esse inaceitável evento teria ocorrido?

Será que dessa vez ele será devidamente investigado, processado, julgado e punido?

Por que será que aqui no Brasil a força pública só age após a eclosão de uma tragédia?

Há ainda muitas outras perguntas gritando rua afora, mas aqui farei agora a última: será que essa mãe, que teve plena participação nesse imperdoável evento, é humana?