05 de dezembro de 2020
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Idoso

Idoso que mora com a mãe de 87 anos picha a casa para avisar que não quer visitas

O motorista Lincoln Pereira Miranda, 65 anos, pichou a fachada e a porta da residência, em Bela Vista de Goiás, na Região Metropolitana da capital., com aviso de que não queria receber visita. Na parede, ele escreveu: “Não recebemos visitas de ninguém,

O motorista Lincoln Pereira Miranda,  65 anos, pichou a fachada e a porta da residência, em Bela Vista de Goiás, na Região Metropolitana da capital., com aviso de que não queria receber visita.

Na parede, ele escreveu: “Não recebemos visitas de ninguém, principalmente de parentes. Amo todos, mas só depois da pandemia”. Lincoln conta que recorreu à medida porque, mesmo com o avanço do coronavírus, os parentes continuavam aparecendo para visitá-los, o que o deixou preocupado, conforme o G1.

“Os parentes e os vizinhos não paravam de vir em casa, todo dia, e não adianta você falar. O pessoal não tem ‘desconfiômetro’ e continua vindo. Aí, tive a ideia de pichar e fazer aquele ‘escândalo’ na porta de casa para ver se as pessoas desconfiam e esperam acabar a pandemia para voltar na casa da gente”, diz.

Segundo ele, a medida surtiu efeito. Depois de pichar a fachada da residência, há quatro dias, ninguém apareceu para visitar a mãe dele, Leônidas Rosa Miranda. A casa fica no Setor Central.

“Aí eles desconfiaram, porque a pessoa chega na porta da casa e vê o que está escrito lá. Se resolver entrar é porque não tem nenhuma vergonha na cara mesmo e total ignorância sobre a doença. As pessoas não têm noção do que é a pandemia”, afirma.

Vizinho da família, Luciano Henrique Cavalcanti, de 45 anos, viu a pichação e aprovou a iniciativa de Lincoln.

“Foi o último recurso que ele teve, porque ele estava pedindo os parentes para não visitar porque a mãe tem quase 90 anos. O pessoal parece que ouve falar sobre isolamento, mas não tem consciência. Aprovo a atitude dele. Acho que, para proteger quem a gente gosta, a gente tem que ir aos extremos mesmo. Se fosse a minha mãe ou minha avó, eu faria o mesmo”, diz.