24 de fevereiro de 2021
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Manifestação

Juiz orienta família de Mayara sobre manifestação em júri

Acusado vai a júri amanhã e juiz proibiu cartazes e camisetas padronizadas para não influenciar jurados

Será realizado amanhã o julgamento de Luis Alberto Bastos Barbosa, acusado de matar a golpes de martelo a musicista Mayara Amaral. Por conta da repercussão que o caso teve, familiares da vítima e entidades de defesa da mulher se reuniram com o juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Aluízio Pereira dos Santos, para receberem orientações sobre o que é permitido durante na manifestação que pretendem fazer a partir das 8h. 
 
Os manifestantes devem se reunir em frente do Fórum da Capital, antes do início do julgamento. 
 
Juiz orientou o grupo que a manifestação pode ser feita apenas nas ruas do entorno do Fórum, tendo em vista que trata-se de local público, onde qualquer pessoa tem direito de se manifestar livremente.
 
No entanto, para evitar que os jurados sejam influenciados, o magistrado disse que não será permitido o uso de camisetas padronizadas e cartazes dentro do prédio do Fórum. 
 
Pelo fato de estar previsto o comparecimento de muitas pessoas para acompanhar o julgamento, a segurança no prédio será reforçada com a presença de mais policiais e haverá maior controle na entrada da sessão, para evitar quaisquer incidentes que possam perturbar a ordem dos trabalhos.
 
Também por conta da grande movimentação de pessoas, serão utilizados os dois plenários do Tribunal do Júri, sendo que em um deles o julgamento será transmitido em um telão.
 
Acadêmicos do curso de Direito de duas universidades já confirmaram presença. Os julgamentos de crimes de feminicídio contam também com o acompanhamento de consultores da Secretaria de Governo de Defesa da Mulher para fins de estudos e estabelecimento de diretrizes ou políticas públicas sobre crimes desta natureza em nível nacional para prevenção e repressão.
 
Luís Alberto Bastos Barbosa responde pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel, com recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Ele está preso preventivamente. 
 
O CASO
 
O crime aconteceu no dia 24 de junho de 2017, dentro de um motel da Capital. 
 
Mayara foi morta com golpes de martelo e, segundo a acusação, após o réu cometer o crime, ele teria colocado o corpo da vítima dentro do veículo e levou até o local conhecido como “Inferninho”, onde ateou fogo.
 
 
Para a acusação, Luís cometeu o crime por motivo fútil, pois a vítima teria feito um comentário sobre sua namorada. O réu também teria utilizado de meio cruel, pois teria desferido reiterados golpes de martelo em sua cabeça.
O Ministério Público também defende que o acusado usou de recurso que dificultou a defesa da vítima, porque a golpeou com o martelo subitamente, sem que a vítima pudesse reagir. A denúncia ainda aponta que o crime foi praticado mediante violência contra a mulher, matando a vítima com quem tinha um relacionamento amoroso, logo após o ato sexual, aproveitando-se de sua fragilidade e com menosprezo à sua condição feminina, o que caracteriza a qualificadora de feminicídio. ?