29 de novembro de 2020
Campo Grande 35º 23º

SORTE

Loterias criam novos milionários, mas também trazem benefícios para a economia

As loterias são um tipo de jogo muito mais antigo do que se imagina

Leia também

• Ninguém acerta e Mega acumula e prêmio vai para R$ 32 milhões

Como muitos de nós sentimos, a correria do dia a dia costuma ser o que mais ocupa nossas mentes e nosso tempo quando acordados. Por isso, divertir-se um pouco é geralmente algo muito bem-vindo, ainda mais quando a diversão é acompanhada da possibilidade de ganhar prêmios que podem nos ajudar a nos desvencilhar destes problemas por dias, semanas ou, se tivermos sorte, pelo resto de nossas vidas.

As loterias são um tipo de jogo muito mais antigo do que se imagina. Os primeiros registros podem ser encontrados na China durante a dinastia Han, que dominou o país entre 202 a.C. até 220 d.C. Os bilhetes lotéricos à época já tinham o formato que encontramos hoje nas casas lotéricas, em que anotamos um conjunto de números a serem sorteados e que se convertem em uma grande premiação para um ou mais felizardos.

Na China, a loteria teve presumidamente uma função de angariar fundos para a construção da Grande Muralha, que se estendeu por mais de 20 mil quilômetros. No Brasil, a função da loteria foi semelhante, com o governo de Vila Rica (hoje conhecida como Ouro Preto, em Minas Gerais) promovendo uma rodada do jogo em 1784 que angariaria fundos para a construção de prédios públicos da cidade, como a Câmara dos Vereadores. Em 1844, o imperador Dom Pedro II regulamentaria o jogo no Brasil.

Tanto aqui quanto lá fora, a loteria tem essa característica de servir como ferramenta de arrecadação para governos e também para instituições de caridade como Santa Casa e hospitais. No Brasil, a loteria federal – que é comandada pelo governo – arrecadou cerca de R$ 12,11 bilhões entre janeiro e setembro de 2019. Desta quantia, quase metade do valor é repassada para um número de programas sociais, como o Fundo Nacional de Segurança Pública, e também para a Secretaria de Esportes do Ministério da Cidadania.

Essa arrecadação cresce ano a ano graças aos prêmios oferecidos pelas loterias, que também têm sido incrementados com o passar dos anos. O grande destaque é a Mega-Sena, cuja maior premiação já registrada foram os R$ 306 milhões distribuídos entre 17 pessoas na Mega da Virada em 2017. Este recorde quase foi batido pela Mega da Virada do ano passado, quando quatro pessoas dividiram a premiação de R$ 304 milhões. Em maio de 2019, a Mega-Sena criou um multimilionário, concedendo uma premiação de R$ 289 milhões a uma única pessoa, que à época residia em Pernambuco.

Os milhões de jogadores da loteria no Brasil acabaram criando um mercado dedicado a acompanhar as movimentações dos jogos no país. Hoje é possível encontrar informações sobre apostas na loteria em websites especializados que também tratam de outros tipos de apostas online, como as de cassino e de apostas esportivas. Além das loterias nacionais, estes espaços comentam sobre suas contrapartes internacionais e a possibilidade de jogar nas loterias virtualmente.

No entanto, além de encher nossos olhos com os prêmios oferecidos e arrecadar dinheiro para os cofres públicos, loterias e modalidades de jogo associado têm um efeito que pode não ser muito perceptível, ainda que seja bem relevante. Esse efeito é a redistribuição de recursos.

Em muitos dos casos, os premiados simplesmente pegam suas riquezas e vão para outros lugares aproveitar as benesses que as grandes quantias de dinheiro trazem a nível pessoal. Mas existem aqueles que resolvem manter a vida normal, permanecendo também em suas cidades de origem. Consequentemente, a quantia que estes novos milionários utilizarem nos negócios locais ou até mesmo abrindo negócios próprios vai servir como um grande incentivo à economia local. Algo que talvez não fosse possível através da mera transferência de recursos de ordem federal e/ou estadual para as pequenas prefeituras espalhadas pelo país, que coincidentemente são também terra de origem de muitos dos milionários que a Mega-Sena criou ao longo dos anos.

Logo, fazer uma “fezinha” vez ou outra é algo que, além de estar relacionado às intenções de arrumar a própria vida e ajudar familiares, também acaba trazendo benefícios para a economia como um todo, visto que os ganhadores das grandes boladas distribuídas na loteria podem servir como auxiliares na recuperação de suas comunidades, redistribuindo riqueza em prol daqueles que se encontram à sua volta.