17 de junho de 2021
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Missa de sétimo dia de Manoel de Barros será realizada quarta-feira na Capital

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A missa de sétimo dia do poeta Manoel de Barros será realizada na próxima quarta-feira, ás 19h, na Paróquia São João Bosco, na rua Paraíba, em Campo Grande. O poeta estava internado há duas semanas, após passar por uma cirurgia, e faleceu vítima de falência de múltiplos órgãos no dia 13 de novembro.

Considerado por muitos o maior poeta brasileiro em atividade, Manoel de Barros tem, entre outras coisas, dois prêmios Jabuti em sua carreira. Suas primeiras obras foram publicadas na década de 40 do século passado.

Nascido em Cuiabá (MT), em 1916, mudou-se para o município de Corumbá  e atualmente morava na capital sul-mato-grossense. Era advogado e fazendeiro, mas encontrou a verdadeira profissão nas palavras, trabalhando com o papel, o lápis ou então a máquina de escrever, instrumentos que traziam sua poesia para o mundo.

Aos 19 anos escreveu o primeiro poema, mas desde adolescente revelou-se poeta, aos 13 anos, época em que morava no Rio de Janeiro, e onde permaneceu até formar-se na faculdade de Direito no ano de 1949. Alguns anos depois, tornou-se fazendeiro e se refugiou no Pantanal, lugar em que mais poesias surgiam.

Atribuiu o anonimato a sua própria culpa, já que nunca procurou ninguém, não frequentou rodas nem mandou bilhete, como conta em um site, que traz suas releituras.

Manoel teve diversas obras publicadas no Brasil, recebeu prêmios e publicou obras em Portugal, França e Espanha.

Nos últimos seis meses, Manoel ficou fragilizado, e nos últimos dias não reconhecia mais ninguém, nem mesmo os parentes próximos. Durante os últimos meses, Manoel passou seus dias deitado em uma cama, ou sentado em uma cadeira de rodas, se alimentando por sonda e sendo auxiliado por enfermeiros.

Hoje, deixa esse mundo, mas não deixa o coração dos milhares de amantes de sua obra, que por diversas vezes se identificaram com as frases escritas.

“O tempo só anda de ida.

A gente nasce, cresce, amadurece, envelhece e morre.

Pra não morrer tem que amarrar o tempo no poste.

Eis a ciência da poesia:

Amarrar o tempo no poste”

Dany Nascimento