18 de junho de 2021
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MAIO ROXO

Monumentos pelo país ficam lilás para conscientizar sobre Doenças Inflamatórias Intestinais

Sem cura, as DII's podem ser controladas com tratamento adequado assim que os pacientes são diagnosticados

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Meses ganham cores em capanhas para conscientizar a população sobre diversos temas e, em maio, o roxo alerta para as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), que não tem cura mas possuem tratamentos que diminuem os sintomas. 

As Doenças Inflamatórias Intestinais são comuns por levaram à inflamação do tubo digestivo sem uma causa conhecida. Como explica a presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Dra. Sthela Murad Regadas, as DII atingem principalmente jovens, entre 20 e 40 anos. Elas podem afetar crianças, sendo que 20 a 30% iniciam com os sintomas antes dos 18 anos.

"Quanto mais cedo forem diagnosticadas, maiores as chances de o paciente conseguir o controle da doença por meio do tratamento adequado e com menos impacto nas suas atividades diárias”, aponta a especialista Sthela Murad. 

Segundo a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), o dia 19 de maio foi instituído como o Dia Mundial da DII (World IBD Day, em inglês) e, para atrair os olhos à essa causa, vários locais do Brasil serão iluminados de roxo, como o estádio Beira Rio, em Porto Alegre e a Catedral Metropolitana de Maringá, no Paraná. 

Além desses pontos, o Cristo Luz, em Santa Catarina, será iluminado na cor Lilás dia 19 de maio, das 18h00 as 19h00 e das 23h00 até as 06 da manhã de 20/05. Também o Senado Federal, em Brasília, ficará iluminado de roxo nos dias 15, 16 e 17 de Maio

Dr. Augusto Motta Neiva é coloproctologista da Unimed Campo Grande, ele salienta a importância da data para que um diagnóstico correto de DII seja feito o mais rápido possível. 

“Apesar das Doenças Inflamatórias Intestinais serem relativamente comuns e terem sua incidência crescente no Brasil, por não serem tão conhecidas pela população geral e por apresentarem sintomas comuns à outras doenças, podem passar despercebidas, levando ao diagnóstico tardio, que acarreta maior sofrimento ao paciente e maior risco de sequelas”, diz o médico. 

Como forma de desmistificar as DII, o Dr. ainda explica o que é, quais são os tratamentos, faixa etária mais atingida pelas doenças, diagnóstico, sintomas mais comuns e tratamento. 

PRINCIPAIS DOENÇAS

  • Retocolite Ulcerativa Idiopática (RCUI) – caracterizada por acometer o intestino grosso (cólon e reto), apresenta-se de forma contínua, sem pular segmentos e afetar apenas as camadas mais superficiais do intestino (mucosa e submucosa). 
  • Doença de Crohn (DC) – caracterizada por afetar qualquer local do tubo digestivo, da boca ao ânus, podendo apresentar-se de forma descontínua com segmentos de intestino normal entre segmentos doentes e acometer toda a espessura da parede intestinal.  

 Outras doenças mais raras   

- Colite Inespecífica  

- Colite Linfocítica 

- Colite Colagênica 

FATORES ETIOLÓGICOS

Fatores genéticos, imunológicos, ambientais, alimentares, microbiota intestinal (bactérias que vivem no intestino) e tabagismo, que é considerado fator de piora para pacientes com Doença de Crohn, pode resultar em uma resposta inflamatória “exagerada” do intestino.

SINTOMAS

  • - Diarreia  
  • - Sangramento retal   
  • - Dor abdominal  
  • - Urgência evacuatória  
  • - Febre  
  • - Perda de apetite  
  • - Fadiga / Cansaço  
  • - Perda de peso  
  • - Déficit de crescimento na criança  
  • - Podem ainda ocorrer sintomas extra-intestinais, como: olhos vermelhos, manchas na pele, dores articulares, alterações no fígado, dentre outros.  

Um diagnóstico preciso envolve a consulta médica, exame físico criterioso e exames complementares, como por exemplo, exames de sangue, raio x, tomografia, dentre outros. 

TRATAMENTO

Ainda não há cura para DII's, mas, com os vários tratamentos existentes, é possível minimizar os sintomas, melhorando a qualidade de vida, inclusive chegando à remissão clínica sustentada, que é ficar sem sintomas por um bom período de tempo.  Também  não há uma forma de prevenir estas doenças. Mas o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico periódico e o uso regular das medicações são fundamentais para diminuir o risco de complicações, minimizando o impacto na qualidade de vida. 

Recomenda-se uma dieta saudável, sem excessos, buscando evitar aquilo que sabidamente agrava os sintomas. Por exemplo, pacientes com diarreia e dor abdominal devem evitar fibras, frituras e alimentos gordurosos, que podem soltar o intestino. O uso de bebida alcoólica deve ser evitado. Parar de fumar é fundamental, principalmente para os pacientes com Doença de Crohn.