12 de maio de 2021
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Trabalho escravo

Mulheres são destaque no combate ao trabalho escravo

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Das quatro equipes do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, duas são coordenadas por auditoras-fiscais do Trabalho.

Andreia Donin, coordenadora de umas das equipes, afirma que as dificuldades encontradas no desempenho do trabalho de fiscalização não estão apenas ligadas ao gênero, mas ressalta: "Seria difícil conciliar a rotina do Grupo Móvel com maternidade".

O GEFM atua em todo território nacional desde 1995, quando o governo brasileiro admitiu a existência de trabalho escravo no país e foi iniciada a política pública de combate ao trabalho escravo.

Desde então são 53.611 trabalhadores resgatados dessa condição e mais de R$ 100 milhões recebidos a título de verbas salariais e rescisórias durante as operações, conforme dados do Radar do Trabalho Escravo da SIT (https://sit.trabalho.gov.br/radar/).

Desde 1995, 20 auditoras-fiscais do trabalho já coordenaram operações do GEFM, atuando em parceria com várias autoridades e instituições.

A função de coordenação no Grupo Móvel exige habilidades de liderança e trabalho interinstitucional para o cumprimento da missão e o alcance do objetivo principal de criação do grupo: fiscalizar as relações de trabalho que contenham indícios de graves violações de direitos humanos e erradicar o trabalho escravo no país.

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu, em 2016, que o Brasil é referência no combate ao trabalho escravo, principalmente em razão da atuação do GEFM.

Entre os mais de 53 mil trabalhadores resgatados, cerca de 30 mil o foram em operações do GEFM, e os demais, em operações das unidades regionais de inspeção inseridas na estrutura das Superintendências Regionais do Trabalho.

Nas operações do Grupo Móvel, 40% dos trabalhadores foram resgatados em operações coordenadas por auditoras-fiscais do trabalho.

Valderez Monte, auditora-fiscal do Trabalho aposentada, coordenou 151 ações fiscais no Grupo Móvel, de 1995 a 2003, as quais resultaram no resgate de 2.409 trabalhadores de condições subumanas de vida e trabalho.

"Não via nenhuma dificuldade em ser coordenadora do GEFM por ser mulher, pois desde a criação da grupo as mulheres já estavam presentes tanto na equipe pioneira quanto na coordenação.

Foi a maior oportunidade que tive na vida de fazer alguma coisa útil em relação a questões humanas e sociais nas relações trabalho".

Valderez acrescenta: "Nunca foi uma questão fundamental ser coordenadora. Alguns colegas homens diziam que a coordenação do Grupo Móvel deveria ser feita por mulheres, pois somos muito detalhistas.

O mais importante é o grupo. Como a equipe era boa, a função de coordenação ficou mais fácil". A auditora-fiscal, entretanto, faz uma ressalva: "A rotina de Grupo Móvel gera mais problemas familiares para as mulheres que para os homens, principalmente quanto aos filhos, em razão das viagens a trabalho que interrompem o convívio diário no lar.

Quando lembro do tempo em que estive no GEFM, as lágrimas escorrem por tudo aquilo que conseguimos fazer e por tudo o que não pôde ser feito, já que as violações de direitos no mundo do trabalho ainda existem", diz Valderez Monte.

Ministério da Economia