20 de setembro de 2020
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QUEIMADAS

"Não pode ser acidente", diz PF sobre incêndios no Pantanal

Operação prendeu suspeitos de queimadas em Campo Grande e Corumbá

A Polícia Federal ( PF) deflagrou ontem, 2ª-feira (14.set.2020) a operação Matáá, para investigar as queimadas no Pantanal. Para o delegado Alan Givigi, o fogo que consome o maior bioma úmido do mundo não é acidental. Os investigadores veem indícios de queimadas deliberadas para criação de área de pasto onde antes era mata nativa.

“As queimadas começaram em fazendas da região, em espaços inóspitos, dentro das fazendas, onde não há nada perto, o que nos faz entender que não pode ser acidente. Teoricamente, alguém foi lá para isso [colocar fogo]“, disse o delegado em entrevista ao Estado de S. Paulo publicada nesta 3ª feira (15.set.2020).

Uma mancha de cinza e lama escura se estende pela vasta área de incidência de onças-pintadas do Pantanal em Mato Grosso. Não faltam bandos de bichos tentando escapar do incêndio e encontrar água e comida.

O fogo que destrói  o bioma desde meados de julho engoliu até agora 64,8% dos 108 mil hectares do Parque Estadual Encontro das Águas, nos municípios de Poconé e Barão de Melgaço. 

Em Mato Groso do Sul, o governo federal reconheceu a situação de emergência em decorrência dos incêndios florestais que assolam a região. Documentos e celulares de fazendeiros foram apreendidos pela Matáá.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Corumbá. A PF não divulgou o nome dos envolvidos. Os suspeitos podem responder por crimes de dano à floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a Unidades de Conservação, incêndio e poluição.

É a maior série de queimadas na região nas últimas duas décadas, informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As labaredas destruíram 2 milhões de hectares, uma área equivalente a dez vezes os territórios dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro juntos, destacou o Ibama.

DESTRUIÇÃO 

Entre o mês de janeiro e este domingo (13.set), foram registrados 14.489 focos de incêndio na região. No mesmo período do ano passado, foram 4.699. Mais de 2,5 milhões de hectares já foram destruídos pelas chamas. O fogo consumiu 10% do bioma este ano, com 17.500 quilômetros quadrados de mata destruídos. Isso equivale a 3 vezes a área do Distrito Federal.

No Mato Grosso do Sul, as cidades mais atingidas são Corumbá, Alcinópolis e Pedro Gomes.

*Com Poder360 e Folha de S. Paulo.