14 de abril de 2021
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Nefrologista explica sobre lesão renal por excesso de proteínas em suplementações

Na busca por um corpo perfeito, e que se encaixe nos padrões pré-estabelecidos atualmente, muitos optam pelo uso de suplementos alimentares que contribuem para o aumento da massa muscular no intuito de obter um “bom” resultado em prazo mais curto. Esta prática, hoje comum no país, pode acarretar consequências preocupantes em alguns casos.

Rafaella Campanholo, médica nefrologista da Santa Casa, enfatiza a importância do acompanhamento profissional na área da saúde para o consumo de suplementos alimentares. “É preciso ter cuidado ao utilizar a suplementação alimentar, e se for usar, que se tenha sempre o acompanhamento de profissionais. Isto para que seja bem indicado e não afete negativamente o organismo do usuário. É necessário que se faça uma avaliação física e se conheça o estado de saúde da pessoa, constatando-se, assim, qualquer problema que sugira moderação na utilização do produto”. A médica esclarece a importância da individualidade das prescrições que são específicas para a necessidade de cada pessoa em particular.

No corpo humano é produzida biologicamente a chamada creatina endógena, armazenada em 95% no músculo esquelético.  Já a creatina exógena, aquela ingerida por meio de suplementos alimentares que são produzidos a base de proteínas, principalmente da creatina, que favorece a geração de massa muscular ainda maior.

A creatina é sintetizada (feita) pelo fígado, rins e pâncreas, e antes de se ingerir algum tipo de suplemento é preciso ter certeza que ambos estejam em ordem. O rim é o filtro do corpo e está preparado para filtrar o necessário dentro de cada organismo, mas algumas coisas acabam não sendo filtradas pelo excesso, como no caso das proteínas “extras” que são ingeridas, sobrecarregando a capacidade dos mesmos, e consequentemente, comprometendo seu funcionamento e prejudicando sua função em relação ao sangue.

Pessoas pré-dispostas a problemas renais, e que fazem o uso intenso de produtos proteicos, tem maior possibilidade de lesionar os rins, isso pode ocorrer nos casos de pessoas hipertensas ou diabéticas com comprometimento renal, por isso, para ter um bom desempenho nos exercícios e uma melhora no condicionamento físico, é preciso, impreterivelmente, do acompanhamento de um nutricionista que indicará o suplemento alimentar correto e que não ultrapasse a capacidade metabólica do organismo.

Curiosidade

A França, proíbe o uso e a venda de produtos proteicos por conta de um estudo que comprova o aumento de pessoas com problema nas funções renais com o uso de suplementação. No Brasil a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), não se posiciona, portanto não é proibida a comercialização desses produtos. O Comitê Olímpico Internacional (COI), libera o uso de suplementação em atletas de alto rendimento. O Food and Drug Administration (FDA), que significa Administração de Alimentos e Remédios, em português, é um órgão do governo dos Estados Unidos da América que testa drogas, remédios, entre outros. Ele também atesta que é seguro, mas sempre com indicação médica.