06 de maro de 2021
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ONGs defendem restrições de pesca, mas dizem que é preciso cuidar dos rios

Medida foi anunciada pelo governo estadual na semana passada

Entidades ligadas ao meio ambiente em Mato Grosso do Sul afirmam que a “cota zero”, proibição de pesca nos rios do Estado, anunciada pelo governo na semana passada, é positiva. Contudo, há urgência em adotar medidas para recuperação da saúde dos rios e preservação das bacias, além da necessidade em avaliar qual será o impacto para comunidades.

A determinação anunciada, que ainda não está válida, prevê a proibição do transporte de peixes para pescadores amadores, como forma de recuperar o estoque pesqueiro em MS.

“O processo de diminuição do estoque vai também da proteção dos rios. Então, o rio tendo menos sedimentos, por exemplo, a reprodução é melhor. A medida [cota zero] é importante, contribui, mas, mais que isso, temos de pensar na preservação dos rios”, afirma o diretor da organização SOS Pantanal, Felipe Dias.

Nesta quarta-feira (dia 30), o governo estadual anunciou que vai segurar o decreto, que proibiria a pesca. A expectativa era de que a nova regulamentação fosse publicada no Diário Oficial do Estado na próxima sexta-feira (dia 1º), para validade a partir de fevereiro.

Segundo o diretor da Ecoa Ecologia e Ação, André Luiz Siqueira, a restrição da modalidade nos rios é “pleito antigo”, mas existe preocupação quanto aos setores dependentes da pesca amadora, além da saúde dos rios, “que está muito ruim”.

“Para o pescador esportivo, é uma saída. A maioria é de classe média e alta, que não precisa do pescado. Mas impacta algumas atividades, micro empresários, eles vão sentir diretamente. O isqueiro [quem vende acessórios para pesca], base da pirâmide, também”, cita.

Por isso, afirma, existe a importância da criação de um grupo de trabalho que envolva setores envolvidos para discutir a medida. “A preocupação que existe é como a medida vai se dar ao longo do tempo e, por isso, importante montar uma comissão que avalie esses indicadores, principalmente para os grupos mais vulneráveis”.

Sobre a qualidade da água e como a situação precisa ser levada em consideração, o diretor afirma, hoje, não existe comitês sobre as bacias que funcionam, não há recursos para estudos, sem contar no uso de ocupação do solo “complicado”.