19 de setembro de 2020
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COMPORTAMENTO

Pai transforma a dor da perda do filho com câncer em causa social

Francisco Neves, ou Chico Neves, como é conhecido, engajou-se na causa do combate ao câncer infantojuvenil

Para qualquer família, enfrentar um diagnóstico de câncer é uma situação difícil. Quando a doença atinge uma criança, então, o abalo é ainda maior. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, no Brasil (Inca), a doença é a que mais mata na faixa etária de 1 a 19 anos, com o surgimento de um novo caso a cada hora em crianças e adolescentes.

O engenheiro civil por formação, Francisco Neves, ou Chico Neves, como é conhecido, engajou-se na causa do combate ao câncer infantojuvenil após vivenciar, junto com sua mulher, Sônia Neves, e o filho mais velho, Carlos Neves, a perda do filho caçula, Marquinhos, de apenas 8 anos, diagnosticado com Leucemia Linfóide Aguda.

O ano era 1983 e na época o câncer ainda era considerado um tabu na sociedade, mas Chico e a família enfrentaram com coragem o desafio de buscar a cura do menino, que passou por um longo e árduo período em tratamento no Instituto Nacional de Câncer (Inca). Após muitas tentativas de cura, foi determinado por médicos oncologistas que a única possibilidade de Marquinhos seria através do transplante não aparentado de medula óssea, que ainda não existia no Brasil.

Sem condições financeiras para arcar com os custos da viagem e tratamento no exterior, a família buscou então apoio dos amigos e de muitos parceiros para a campanha SOS Marquinhos, que contou ainda com um jogo de futebol realizado por grandes nomes do esporte, que doaram toda bilheteria à campanha.


Através da arrecadação comunitária de fundos, a família pôde então realizar a viagem à Nova York para o tratamento do menino no Memorial Hospital e lá, tiveram a oportunidade de ficar numa Casa Ronald McDonald, onde encontraram um lugar acolhedor, hospedagem gratuita, alimentação e todo o suporte junto a profissionais e outros pais na mesma situação.

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Infelizmente, em 1990, o pequeno Marquinhos não resistiu. Mas o cuidado, o atendimento e a prestação de serviços oferecidos a ele foram tão boas que, para Chico e a esposa, a iniciativa não poderia parar ali. A partir de então, Chico Neves, junto a parentes e amigos, iniciou a luta para que crianças e adolescentes com câncer e seus familiares tivessem no Brasil as mesmas condições de tratamento e apoio que recebeu no exterior. "Foi um momento muito doloroso para todos nós, mas aos poucos decidimos transformar a nossa dor pela perda numa causa e ajudar outras famílias na mesma situação", afirma Chico Neves, que junto da sua esposa, Sonia, passou a ser voluntário do Instituto Nacional do Câncer.

Durante o lançamento do McDia Feliz de 1991 na instituição com a presença do então Presidente do McDonald’s, Chico Neves criou coragem, se apresentou e o questionou sobre a criação de Casa Ronald McDonald, igual a de Nova York. Para a surpresa de Chico a resposta que recebeu do então presidente foi: "Você a conhece? Quer me ajudar a fundar uma Casa no Brasil?". E assim começou uma das maiores mobilizações pela causa do câncer infantojuvenil no país.

Atualmente, Chico Neves é Superintendente do Instituto Ronald McDonald, que, ao longo dos 21 anos de história, foi vencedor por três anos consecutivos como Melhor ONG e ganhador, em 2018, como a Melhor ONG na categoria Saúde pelo Instituto Doar, contribuindo com muitos projetos que mudaram a realidade de crianças e adolescentes antes, durante e depois do tratamento do câncer. Para aproximar famílias da cura do câncer infantojuvenil, o Instituto atua por meio dos programas: Diagnóstico Precoce, Atenção Integral, Espaço da Família Ronald McDonald e Casa Ronald McDonald.

"Através do Instituto Ronald McDonald conseguimos ajudar milhares de crianças, adolescentes e suas famílias durante, antes e pós o tratamento do câncer. Esse é o legado do Marquinhos, nosso filho, que nos impulsionou a lutar pela causa do câncer e para que família brasileiras tenham acessibilidade e condições de tratamento e auxílio equiparados ao de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).", completa Francisco Neves.

AS CHANCES DE CURA

A chance média de sobrevivência à doença é estimada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) em 64%. Porém, as chances não são as mesmas em todas as regiões do país. Conforme o levantamento feito pelo Inca, enquanto as chances médias de sobrevivência nas regiões Sul são 75% e na região Sudeste são 70%, nas Região Centro-Oeste, Nordeste e Norte elas são 65%, 60% e 50% respectivamente.

SOBRE O INSTITUTO RONALD MCDONALD

Organização sem fins lucrativos, o Instituto Ronald McDonald (IRM) atua há mais de 21 anos para aproximar famílias da cura do câncer infanto-juvenil e aumentar as chances de cura da doença aos mesmos patamares dos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Para atingir esse objetivo, o Instituto Ronald McDonald trabalha promovendo a estruturação de hospitais especializados, a hospedagem para famílias que residem longe dos hospitais, a capacita profissionais de saúde para realizarem o diagnóstico precoce, incentiva a adesão a protocolos clínicos e promove disseminação de conhecimento sobre a causa.

A ONG faz parte do sistema beneficente global Ronald McDonald House Charities (RMHC), presente em mais de 60 países, coordenando os programas globais: Casa Ronald McDonald, voltado para a hospedagem, transporte e alimentação dos pacientes; e o Programa Espaço da Família Ronald McDonald, que torna menos desgastante o dia a dia das famílias durante o tratamento. No Brasil, há ainda outros dois programas locais: Atenção Integral e Diagnóstico Precoce, com ações específicas de combate ao câncer infanto-juvenil. O Instituto conta com o apoio de diversas empresas e pessoas físicas para desenvolver e manter seus programas.