25 de novembro de 2020
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FRAUDE

Políticos com patrimônios milionários receberam auxílio-emergencial

Falha em cruzamento de dados beneficiou pretendentes a cargos públicos com patrimônio elevado

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A farra não acaba no Brasil. Políticos com patrimônio milionários fazem parte da lista de beneficiários do auxílio emergencial, pago pela Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro. Levantamento feito pelo jornal o Globo com base em dados do Ministério da Cidadania e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que candidatos a cargos públicos nas eleições de 2016 e 2018, cujas declarações de bens ultrapassam R$ 1 milhão, estão recebendo ajuda do governo. 

O cruzamento de dados encontrou 136 casos de candidatos com mais de R$ 1 milhão em bens que constam da lista de beneficiários. São pessoas que, mesmo declarando patrimônio elevado ao TSE, tiveram cadastro aprovado e começaram a receber a segunda parcela. De acordo com O Globo.  

Na lista, estão postulantes a cargos de prefeito, vice-prefeito, vereador e deputado estadual e federal.

Problemas no cruzamento de dados para o pagamento do auxílio e nos critérios definidos têm feito com que pessoas das classes A e B, que não seriam o público-alvo da política, figurem entre os beneficiados.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, já havia admitido que milhões de filhos da classe média estavam recebendo o benefício indevidamente. Criminosos também receberam o benefício.

Há casos em que o nome da pessoa foi incluída no cadastro por outra pessoa, sem seu conhecimento, mas há também muitos indícios de fraudes, que estão em investigação por órgãos de controle. Há ainda erros por parte do próprio aplicativo que indica cargos à pessoas que nunco o ocuparam. O caso de uma mulher que teve o benefício negado, por suspostamente ter sido 'presidente da República'.

Segundo a Dataprev, responsável pelo cruzamento de dados do auxílio emergencial, nos critérios estabelecidos pelo Ministério da Cidadania, não houve “previsão legal para verificação do patrimônio dos requerentes”, o que poderia ter identificado inconsistências cadastrais e omissões na renda domiciliar na inscrição e no Imposto de Renda.

Os dados do TSE só foram usados para identificação de mandato eletivo, segundo a estatal.

A falha, segundo Gil Castello Branco, fundador e diretor-executivo da ONG Contas Abertas, ocorre devido aos sistemas de informação do governo federal, classificados por ele como “colcha de retalhos”. Os dados são disponibilizados em sistemas independentes, que não cruzam a informação entre si.

— Como o governo federal estava pressionado para agir de maneira rápida e não existe um cadastro único, você pega as fraudes depois do pagamento. Isso deveria ter acontecido antes. Muitas pessoas não conseguem receber enquanto outras estão fraudando o sistema — explicou. 

Fonte: VEJA AQUI A REPORTAGEM COMPLETA DO O GLOBO.